O Uruguai, nos dando um “baile”

O general Gregório Álvarez, ditador do Uruguai de 1981 a 1985, foi condenado a 25 anos de prisão por sua participação em 37 mortes durante a ditadura civil-militar* no país (1973-1985). E ele não foi o único: o ex-capitão da Marinha Juan Carlos Larcebeau foi sentenciado a 20 anos por outras 29 mortes.

Embora o Uruguai tenha uma “lei de caducidade” (versão local da nossa lei de anistia de 1979) que ajuda a manter impunes muitos violadores dos direitos humanos, há crimes aos quais ela não se aplica. Em outubro de 2009 foi realizado um plebiscito pela anulação parcial da lei, mas as mudanças não foram aprovadas. Menos mal que, ao menos, haja punições aos carrascos do período ditatorial.

Enquanto isso, no Brasil, todos os ditadores de 1964 a 1985 morreram sem arcarem com a responsabilidade por suas violações aos direitos humanos. Muitos torturadores também já são falecidos, e os vivos continuam livres, leves e soltos.

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* No Uruguai, o golpe de Estado foi dado em 27 de junho de 1973 pelo presidente civil (e, até então, constitucional) Juan María Bordaberry, com apoio dos militares, mas o regime foi predominantemente de ditadores civis. O único ditador militar do período foi Gregório Álvarez, que só assumiu o poder oito anos após o golpe, e renunciou poucos dias antes da posse do presidente eleito diretamente em novembro de 1984, Julio María Sanguinetti.

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2 comentários sobre “O Uruguai, nos dando um “baile”

  1. Se possível, poderias listar livros de historiadores uruguaios e argentinos ou brasileiros que tenham escrito sobre a política desses 2 países? Gracias.
    Hoje, sábado, às 20h, na tv câmara, haverá um programa sobre os uruguaios.

  2. A politização do povo uruguaio é algo fenomenal… nos deixam no chinelo certamente graças à educação q recebem. POdes falar de política com qq uruguaio, mesmo q não tenha curso superior, e ficarás surpreendido.

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