Grande Peñarol!

O Peñarol me dá uma grande alegria nesta Libertadores. Não por ter eliminado o Inter (isso nada mais é do que OBRIGAÇÃO), mas sim por confirmar a melhora da auto-estima do futebol uruguaio, que andava tão por baixo em tempos recentes.

Pois a classificação do Peñarol para a final não é exceção. Basta dar uma conferida no que tem acontecido nos últimos dois anos.

  • 2009: Nacional chega à semifinal da Libertadores, fase que não alcançava desde 1988, e que desde 1989 nenhum clube uruguaio disputava (quando o Danúbio foi semifinalista);
  • 2010: Seleção do Uruguai faz sua melhor campanha em Copas do Mundo desde 1970, acabando em 4º lugar;
  • 2011 (fevereiro): Uruguai é vice-campeão no Sul-Americano sub-20, resultado que coloca a Celeste nos Jogos Olímpicos após 84 anos de ausência (curiosamente, a última participação fora em 1928, quando o Uruguai ganhou o ouro);

E agora, em junho, o futebol uruguaio volta a ter um representante na final da Libertadores depois de 23 anos (na última ocasião, em 1988, o Nacional foi campeão). O Peñarol, por sua vez, desde 1987 não chegava à final (naquela oportunidade, foi também campeão).

No texto em que falei sobre a classificação do Uruguai às quartas-de-final da Copa de 2010, eu comentei que, com aquela campanha, os uruguaios voltavam a acreditar que era possível fazer bonito no futebol e, até mesmo, conquistar grandes títulos. O que se reflete não só na torcida, como nos próprios jogadores da seleção e dos clubes do país, que não entram mais em campo “semiderrotados”, oprimidos por um longo jejum de títulos. Sí, se puede: se só a técnica não bastar, então é preciso que seja na garra. E o Peñarol de 2011 tem os dois, mais a experiência de alguns jogadores que passaram anos na Europa.

Mas é preciso ressaltar que a visível melhora do futebol uruguaio também se deve ao sensacional trabalho que vem sendo realizado nas categorias de base da seleção e que é coordenado pelo técnico da equipe principal, o maestro Oscar Tabárez. Além da formação de atletas, há a preocupação com o ser humano que é cada um dos jovens: como se sabe que a maioria esmagadora não terá sucesso no futebol, então, é preciso prepará-los para a vida fora dos gramados, estimulando-os a estudar. E os que dão certo, são jogadores com mais “cabeça”, mais senso crítico, coisa rara no meio.

Ou seja: o que vem acontecendo não é, de forma alguma, obra do acaso. Assim como uma festa uruguaia no dia 22 de junho, em São Paulo, também não pode ser descartada: embora o Santos tenha um time melhor, é importante lembrar que o Peñarol só passou por equipes consideradas superiores nos “mata-matas”. Se já bateu três (Inter, Universidad Católica e Vélez Sarsfield), pode muito bem vencer a quarta.

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