Intolerância e o massacre no Rio

Ontem pela manhã, aconteceu em São Paulo um ato em defesa do deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) e suas declarações abertamente preconceituosas. Basta dar uma olhada nas fotos dos apoiadores de Bolsonaro para perceber o quão “do bem” eles são: caras fechadas, tatuagens nazistas, rostos cobertos (ué, se são “do bem” não deveriam temer mostrar a cara, né?) etc. Em contraposição, a esquerda convocou um ato para o mesmo local e no mesmo horário, inclusive reunindo mais gente que os fascistas. A polícia formou um “cordão de isolamento” entre os nazi-fascistas e os manifestantes de esquerda para evitar que houvesse um confronto, e prendeu oito pessoas: seis da direita (dentre eles o responsável por uma bomba na Parada Gay de São Paulo no ano passado e um dos envolvidos na agressão com lâmpadas a homossexuais na Avenida Paulista, em novembro passado, além de outros que eram acusados de homicídio) e duas da esquerda (dois punks que estavam sem documento de identidade).

Vivemos um momento de crescimento da intolerância não apenas no Brasil, é verdade. Mas é terrível que isso ocorra num país como o nosso, onde o “normal” é justamente a diversidade. Chega a ser risível (mas também assustador) que certas pessoas achem que “o brasileiro típico” é branco, heterossexual e cristão; e pior, que só estes devam ser respeitados.

A cultura da intolerância é a causa do chamado bullying nas escolas e em outros ambientes. Afinal, as vítimas das agressões são sempre pessoas que não são aceitas por não se encaixarem nos “padrões” – até mesmo sendo brancas, heterossexuais e cristãs. Afinal, é preciso também ser “bonito” (qualquer que seja o padrão de beleza), extrovertido, bom no futebol etc. Se fugir um pouco disso, vêm os rótulos, os apelidos depreciativos… Muita gente não se encaixa exatamente no “padrão”, e inclusive chega a se identificar com a vítima, mas por medo de passar a ser alvo de chacota, procura evitar ao máximo o colega agredido, ou pior ainda, une-se aos que o atacam.

Aí eu leio diversos textos sobre o massacre na escola de Realengo com uma importante informação: Wellington Menezes de Oliveira era vítima de bullying. Era gozado pelos colegas por ser “diferente”.

Obviamente isso não quer dizer que toda a vítima de bullying um dia irá invadir a escola onde estudou (ou estuda) e disparar dezenas de tiros. Mas não se pode achar que o alvo de gozações aceita isso numa boa – ainda mais durante a adolescência. Com agressões repetidas ao longo de muito tempo, é difícil que a vítima não sinta a menor vontade de se vingar de seus algozes.

Se o agredido tiver problemas psicológicos – caso de Wellington – ele procurará de fato a vingança. E se não puder acertar as contas com seus verdadeiros agressores, o fará com quem mais se assemelhe: no caso de Realengo, foi com os atuais alunos da escola (principalmente meninas, ou seja, ódio por mulheres, a misoginia), que nada fizeram a ele, e provavelmente nem o conheciam.

3 respostas em “Intolerância e o massacre no Rio

  1. A História é recheada de exemplos que demonstram que com a capitulação e os vacilos do setor majoritário da esquerda crescem os grupos de extrema direita. Foi assim com o nazismo, com o franquismo, Pinochet, etc. É claro que no caso do Brasil esses grupos ainda são marginais mas é fato que estão em processo de organização e não podem ser desprezados.

    Sobre o caso do Rio de Janeiro tenho acompanhado muito pouco mas é um sintoma de que, para além dos problemas individuais do rapaz, vivemos em uma sociedade que cada vez mais despreza o outro e adoece as pessoas. A própria Psicologia admite que muitas doenças psíquicas têm um grande empurrão do meio social no qual vive o indivíduo. A depressão cresce cada vez mais. As pessoas se deprimem porque não conseguem emprego, porque estão fora do padrão de beleza dominante, etc. Não sei se houve alguma abordagem neste sentido na grande mídia.

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