O perigo da energia nuclear

No momento, as atenções do mundo se voltam para usinas nucleares no Japão, principalmente para a de Fukushima, devido ao temor de um desastre semelhante ao de Chernobyl, que em 1986 contaminou e tornou inabitável por vários séculos vastas áreas das então repúblicas soviéticas da Ucrânia (onde fica a desativada usina), Bielorrúsia (para onde se dirigiu a maior parte da radiação resultante do desastre) e Rússia. Ano passado, incêndios florestais atingiram áreas próximas à “zona de exclusão”, despertando o temor de liberação das partículas radioativas, o que por sorte, não aconteceu (pelo menos, não que eu saiba).

O acidente de Chernobyl e todas as suas consequências foram atribuídos tanto às falhas no sistema de segurança dos reatores, quanto ao esforço da União Soviética em esconder o acontecimento: as autoridades soviéticas só admitiram o desastre quando a radiação chegou a outros países, e a evacuação da cidade de Pripyat (construída em 1970 para abrigar os trabalhadores da usina) só se deu mais de 24 horas após a explosão do reator nº 4 de Chernobyl. Assim, chegou a se dizer que o perigo maior não era a energia nuclear, e sim a falta de cuidado.

Porém, agora há um bom motivo para se pôr em xeque a opção pela energia nuclear para produzir eletricidade. Pois ficou provado que não basta apenas um controle adequado: o Japão é um país onde a eficiência e a disciplina são muito valorizadas, mas isso não pode deter uma tsunami, ainda mais provocada por um terremoto de magnitude 9 (o quarto mais forte já registrado).

Afinal, a natureza pode ser mais forte do que o melhor sistema de segurança. Ainda mais em um país onde há certa frequência de terremotos.

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4 comentários sobre “O perigo da energia nuclear

  1. DE CHERNOBYL A FUKUSHIMA: A ENERGIA NUCLEAR NÃO TEM FUTURO
    Debate no 25o aniversário do acidente de Chernobyl

    Na terça-feira, 26 de abril, no dia do 25.o aniversário do desastroso acidente na usina nuclear de Chernobyl, a Fundação Heinrich Böll promoverá um debate sobre o futuro da energia nuclear no Brasil e no mundo. O evento contará com especialistas da área e a presença confirmada da ex-candidata à Presidência da República, Marina Silva.

    O ano 25 de Chernobyl é o ano 1 de Fukushima e deve ser o Ano Zero da energia nuclear no mundo. Hoje, não restam dúvidas de que as usinas nucleares não têm futuro. Enquanto governos no mundo inteiro estão revendo os seus programas nucleares, o governo brasileiro não vê motivo para repensar o Programa Nuclear Brasileiro e continua apostando em uma tecnologia incontrolável, de alto risco para a população e de custos altíssimos, entre gastos imediatos e aqueles não tão óbvios, como a estocagem dos resíduos altamente radioativos.

    A mineração de urânio no país está causando sérios danos à população afetada e ao meio ambiente. Mais investimentos no ciclo nuclear significam menos recursos para a pesquisa e a viabilização de energias verdadeiramente limpas e renováveis, como as eólica e solar.

    QUANDO: Terça-feira, 26 de abril, das 18h às 21h30
    ONDE: Salão Nobre do IFCS – Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ, Largo de São Francisco de Paula, nº 1, Centro, Rio de Janeiro.

    Confira a programação em: http://bit.ly/f4RVpe.

  2. só sei que, Brasil não pode falar nada.
    Japão é um país desenvolvido e tem tecnologia, mas não faz milagre.

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