Meu primeiro Gre-Cruz

Ontem à tarde, o Internacional foi eliminado em casa do primeiro turno do Gauchão pelo Cruzeiro de Porto Alegre – que este ano volta à primeira divisão estadual depois de 32 anos de ausência. O Inter-Cruz acabou empatado em 1 a 1, e nos pênaltis a vitória foi cruzeirista, 5 a 4. E como o Grêmio hoje fez 5 a 0 no Ypiranga de Erechim, no próximo domingo teremos um outro clássico porto-alegrense, o Gre-Cruz.

Talvez os mais novos estranhem tais expressões (“Gre-Cruz” e “Inter-Cruz”). É que como fazia tanto tempo que o Cruzeiro não disputava a primeira divisão do Gauchão, ela não vinha mais sendo utilizada. Mas, por muito tempo, o Estrelado foi a terceira força de Porto Alegre, justificando que seus jogos contra Grêmio e Inter tivessem também o status de “clássico”. Meu primeiro contato com o Gre-Cruz foi em 2009, durante a pesquisa para o TCC: nos jornais que utilizei, do período de 1967 a 1972, ver as expressões “Gre-Cruz” e “Inter-Cruz” me chamou bastante a atenção, pois a dupla Gre-Nal já detinha a hegemonia estadual desde 1940 (com a exceção do Gauchão de 1954, conquistado pelo Renner).

Campeão estadual em 1929, o Cruzeiro foi o primeiro clube gaúcho a excursionar pela Europa, em 1953 – com direito a um empate sem gols com o poderoso Real Madrid. E foi também o primeiro clube a ter sua camisa utilizada em um jogo de Copa do Mundo: no Mundial de 1950, México e Suíça se enfrentaram em Porto Alegre; como o árbitro achou que as cores das camisas das duas seleções (verde e vermelha, respectivamente) não tinham contraste suficiente, os mexicanos vestiram as camisas cruzeiristas, fazendo um jogo de Copa lembrar um Inter-Cruz – e, infelizmente, a vitória foi “vermelha” (ou seja, suíça), 2 a 1.

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Agora, aguardo com ansiedade o próximo domingo, quando terei um compromisso histórico no Olímpico Monumental: assistir ao primeiro Gre-Cruz da minha vida.

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11 comentários sobre “Meu primeiro Gre-Cruz

    • Muito pequena, e cada vez menor, já que é formada basicamente por gente mais velha, que vai morrendo…

      Um torcedor ilustre do Cruzeiro é o Moacyr Scliar.

      • Tenho enorme admiração e interesse por estes times pequenos, tenho amigos que torcem pro Bangu e América!=) ME irrita muito ver a decadência deles, sumindo, sem torcida, em divisões inferiores… E em troca times de empresários, de 10-20 anos disputando título!

        • Já eu, só lembro de conhecer uma pessoa que torcia por algum outro time daqui de Porto Alegre: meu professor de Educação Física no 1º grau, torcedor do São José.

          Essa triste realidade do futebol-negócio está matando muitos clubes tradicionais do interior – e pra ter uma ideia, esse ano 7 dos 16 participantes do Gauchão são da Grande Porto Alegre. Dentre eles um time de empresário, o Porto Alegre FC (que pertence ao A$$i$) – menos mal que tá só brigando pra não cair (e tomara que caia e não volte mais!).

          • Pois é, lá no Rio o América chegou a ter mais torcida que o botafogo nos anos 70, hoje só conheço poucas pessoas com menos de 30 anos que torcem pro time…

            MAs o modelo de estadual tb ñ funciona mais, eu cada dia mais penso que o sistema de várias divisões, como na Espanha, culminando em divisões locais, poderia ser o melhor modelo. Não evita o surgimento de times de empresários, mas daria mais atividade aos pequenos clubes ao longo do ano e não só por 3 ou 4 meses.

            Vê a inglaterra, até jogo de 5-6 divisão tem TV passando, tem torcida, rivalidade… É difícil torcer por um time q vc só vê por 3 meses e só se for ao estádio.

            • Também acho. E as divisões locais ajudariam a estimular as rivalidades: teríamos mais clássicos locais (como os Bra-Pel em Pelotas, além dos enfrentamentos com os times de Rio Grande, em que há a rivalidade entre as cidades). Aliás, o Brasil de Pelotas continua a ter torcida justamente porque joga a maior parte do ano (segunda divisão do estadual, mais a Série C). Enquanto outros clubes só jogam de janeiro a abril, aí fica difícil ter torcida…

      • “…formada basicamente por gente mais velha, que vai morrendo…”
        Tenho 40 anos e torci sempre para meu Glorioso Cruzeiro, jamais vamos deixar nosso Clube morrer.
        Sim nós podemos continuar vivos no Gauchão e assim o faremos.
        98 anos passaram e o Cruzeiro continua de pé!!!

        • Fico feliz de saber que errei, ou seja, que o Cruzeiro tem torcedores jovens. Apesar de ser gremista, torço para que o clube se fortaleça e volte a ser tão forte como no passado.

  1. O jogador que fez o gol no Inter, o Diego Torres, estudou, na mesma época, na mesma escola que eu no 1º grau. Era filho da diretora e um baita fominha por bola!

  2. Pingback: OS PROBLEMAS E AS SOLUÇÕES DO MELHOR GRÊMIO DO SÉCULO XXI | @heliopaz

  3. Pingback: Moacyr Scliar (1937-2011) « Cão Uivador

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