Grêmio, o time dos extremos

30 de maio de 1979. No Estádio da Montanha, em Bento Gonçalves, se enfrentaram Esportivo e Grêmio. Um jogo de Gauchão que ficou no 0 a 0 não teria motivo algum para ser histórico, certo?

Errado! Pois naquela noite se jogou com neve e temperatura de 0°C. O Grêmio não foi o único (e nem mesmo o primeiro) grande clube brasileiro a disputar uma partida nestas condições (em 1976, o Cruzeiro jogou na neve contra o Bayern de Munique, na Alemanha, pelo Mundial Interclubes), mas provavelmente foi o primeiro (e único?) a enfrentar tal situação dentro do Brasil.

No dia 3 de fevereiro de 2010, novamente um jogo do Grêmio pelo Gauchão, que poderia ter caído no esquecimento, acabou se tornando histórico por razões climáticas: dessa vez, foi por causa do calor. Aquela quarta-feira foi um dos dias mais quentes da história de Porto Alegre: a temperatura máxima oficial foi de 38,1°C, registrada na estação do INMET no Jardim Botânico. Mas no bairro Menino Deus, chegou a 41,3°C.

A estação que registrou os 41,3°C fica próxima ao Estádio Olímpico, onde naquela tarde Grêmio e São Luiz se enfrentaram, no cumprimento de uma das tabelas mais absurdas já feitas para um campeonato: jogo às 17h de uma quarta-feira, dia útil… O calorão foi apenas um elemento a mais para ressaltar a estupidez.

A partida foi assistida por 4.746 torcedores (dentre eles, não estava eu) e acabou empatada em 1 a 1, mas isso é o de menos, pois o que ficou para a história é que o Grêmio, quase 31 anos depois de jogar na neve, enfrentou um calor de 41°C. Temperatura que fez o comentarista Batista desmaiar ao vivo na TVCOM antes da bola rolar (não se engane com os 37°C que aparecem no vídeo, pois esse “frio” é o que fazia no Morro Santa Teresa, onde fica a emissora).

Agora, se esse foi o maior calor enfrentado por um grande clube brasileiro, eu não sei. Considerando que há várias cidades no Brasil onde já se registraram temperaturas superiores a 41,3°C, é provável que não pertença ao Grêmio tal marca.

Depois do absurdo que foi a realização de tal partida nestas condições, uma liminar da Justiça do Trabalho determinou que os jogos do Gauchão só poderiam começar se não fizesse mais de 35°C, para preservar a saúde dos jogadores. Mas não foi o que se viu na última rodada do primeiro turno, realizada no sábado de Carnaval (13 de fevereiro): dez minutos antes de Grêmio x São José, o árbitro Carlos Simon afirmou ter medido 32,5°C no gramado do Estádio Olímpico (tirou o termômetro da geladeira antes???), quando logicamente a temperatura era superior a 35°C. Bom para a televisão, que pôde transmitir a partida no horário (16h) que havia anunciado… Mas péssimo para os atletas: ao menos três jogadores passaram mal nos jogos daquela tarde.

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9 comentários sobre “Grêmio, o time dos extremos

  1. Por falar em time de extremos neste ano de 1979 o Inter terminou o Gauchão 10 pontos atrás do Grêmio, se não me engano ficou em 3º lugar – o que foi considerado um fiasco na época.
    Depois ganhou o Brasileirão de forma invicta!

    • Foi nesse mesmo. Inclusive, o vice foi o próprio Esportivo de Bento, um ponto à frente do Inter (conquistado naquele jogo da neve, hehe). Como naquela época os participantes no Campeonato Brasileiro eram decididos com base nos Estaduais (além da influência política – tanto que em 1979 o campeonato teve 94 times) e o Rio Grande do Sul tinha duas vagas, pelos critérios futebolísticos o Inter ficaria fora, mas o Esportivo desistiu do Brasileirão e aí o Inter não precisou de convite para participar do campeonato.

  2. Olha, o único a jogar na neve no Brasil o Grêmio não foi, com certeza, pois o Esportivo também jogou.
    eheheheeh
    E eu estava naquele jogo contra o São Luiz – pqp, q partidinha ruim…

    Abração!

    • É, mas dos grandes, provavelmente foi só o Grêmio…

      Eu até tinha pensado em ir ao estádio, mas já tinha suado uma barbaridade aquele dia, não resisti à tentação de tomar um banho “frio” (mesmo abrindo só água fria ela saía quente) e ficar o resto do dia sem camisa, até a hora de ligar o ar condicionado… Hoje percebo que poderia ter suado mais um “poucão” e assistido a um jogo histórico (mesmo que de qualidade técnica sofrível, por motivos óbvios).

      Abração!

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