Por que não ser solidário sempre?

A mobilização que se viu para ajudar as vítimas das chuvas no Rio de Janeiro me fez pensar sobre o quanto os desastres naturais acabam por despertar a solidariedade nas pessoas.

No dia-a-dia, costuma-se ser extremamente individualista. Quando se vê um mendigo pedindo esmola, geralmente não se justifica o fato de não dá-la porque isso não soluciona o problema (e de fato não soluciona, mas ao mesmo tempo, ficaríamos mais pobres por dar umas moedas ao cara?), mas sim, porque “se esse vagabundo quer dinheiro, que vá trabalhar!”. (Mas o imbecil que diz isso daria um emprego ao coitado?)

Então vem um desastre natural. Chuvarada, vendaval, terremoto. E muitas vezes vemos aquele furioso individualista, separando roupas e alimentos para doar às vítimas da tragédia.

A catástrofe fez o cara mudar, repensar suas atitudes? Não. É apenas uma “solidariedade de ocasião”. Pois reparem que geralmente as tragédias geram mobilizações quando suas vítimas não se resumem às classes mais baixas. Tanto nas chuvas do Rio quanto nas de Santa Catarina (2008), a classe média também foi afetada. E, como lembra a letra da música “Classe Média”, de Max Gonzaga, “toda tragédia só me importa quando bate em minha porta”. Ainda mais quando é no Sul ou no Sudeste.

Sendo assim, a mídia corporativa teve de noticiar. E sabem como é: se a televisão fala em solidariedade, em como “doar é bonito”, o médio-classista individualista tem de aderir, não pode ficar fora dessa.

Isso que quer dizer que condeno a solidariedade às vítimas da tragédia? Claro que não! Que bom que, ao menos nestas ocasiões, as pessoas se ajudam umas às outras. Mas não custaria nada sermos solidários sempre (até porque, ao mesmo tempo que ajudaríamos, também seríamos ajudados). Não só com quem perdeu sua casa, como também com quem não tem casa.

Anúncios

Um comentário sobre “Por que não ser solidário sempre?

  1. Pingback: Tweets that mention Por que não ser solidário sempre? « Cão Uivador -- Topsy.com

Os comentários estão desativados.