Debate “Copa 2014 em Porto Alegre: Para que e para quem?”

Amanhã, às 18h, acontece no auditório do CPERS Sindicato (Av. Alberto Bins, 480) um debate sobre o impacto das obras para a Copa do Mundo de 2014 em Porto Alegre. O objetivo do encontro é informar as mudanças (não necessariamente para melhor) que acontecerão na cidade devido à realização do evento.

Engana-se quem pensa que até agora nada aconteceu em Porto Alegre por conta da Copa de 2014. A primeira mudança se deu em 29 de dezembro de 2008: com a desculpa de viabilizar a realização dos jogos, a Câmara Municipal alterou o regime urbanístico de partes da cidade, permitindo a construção de edifícios de 52 metros de altura junto ao Beira-Rio (que junto com o Pontal do Estaleiro, abre o precedente para novos descalabros na Orla do Guaíba) e de 33 metros na área do antigo estádio colorado, o Eucaliptos (em ruas não muito largas para suportarem o aumento do fluxo de automóveis). Mas pior foi o relacionado ao meu Grêmio: junto à “arena”, no bairro Humaitá (próximo ao aeroporto) se construirão espigões de 72 metros de altura; e serão monstrengos do mesmo tamanho que, após a conclusão da “arena”, ocuparão o lugar do Olímpico, que será demolido (no que será um dos dias mais tristes da minha vida). Detalhe: a altura máxima que o Plano Diretor permite (e isso só em avenidas de grande movimento) é 52 metros. E imaginem como ficará o trânsito na Azenha…

Quase um ano depois, em 21 de dezembro de 2009, novamente o Plano Diretor da cidade foi rasgado pela Câmara, que aprovou prédios de 100 metros de altura no Cais Mauá. A desculpa utilizada foi uma ideia que em si, é boa: revitalizar a área, que com atividades o ano inteiro resultaria em mais pessoas circularem por lá, aumentando a segurança no Centro. Porém, o que o projeto aprovado fará é aumentar a circulação de carros, pois além dos espigões, há previsão de um shopping com cinco mil vagas de estacionamento. Além de piorar o trânsito, ainda ajudará a matar um pouco mais o comércio de rua no Centro. Mas isso não tem problema, pois “vai atrair muito turista, principalmente na época da Copa”, dizem os defensores.

Ou seja, com a desculpa da Copa do Mundo, se aprova qualquer barbaridade na cidade. E se deixa outras partes dela literalmente abandonadas. Um bom exemplo é a Redenção, cuja drenagem defasada faz com que qualquer chuva mais significativa transforme um gramado que fica ao lado do Monumento ao Expedicionário em uma verdadeira “lagoa” – no verão a água evapora mais rápido, mas enquanto está lá ela é um bom ambiente para a proliferação de mosquitos, como o da dengue; já no inverno a “lagoa” é quase perene, pois o frio impede a evaporação mais rápida, e muitas vezes volta a chover antes que ela tenha desaparecido por completo.

Logo, provavelmente a “lagoa” estará lá, à espera dos turistas que virão a Porto Alegre para a Copa – que será realizada no nosso inverno.

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2 comentários sobre “Debate “Copa 2014 em Porto Alegre: Para que e para quem?”

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