Por que não “flexibilizar” as leis ambientais

A tragédia das chuvas assola novamente o Rio de Janeiro, assim como no ano passado, em duas oportunidades (janeiro e abril).

O meteorologista do INPE Giovanni Dolif, em entrevista ao portal iG, lembra que já se registrou maiores volumes de chuva em curtos períodos (desta vez choveu cerca de 250 milímetros em Teresópolis), mas sem resultar em tantas mortes. O motivo?

Dolif lembrou que em Caraguatatuba, em 1968, chegou a chover cerca de 500 milímetros de uma só vez, mas que o número de mortos foi menor. “O estrago material, com queda de barreiras e deslizamentos, deve ter sido maior. Mas o número de mortos foi menor, afinal, a cidade tinha uma população menor naquela época,” diz. “A tendência desses desastres naturais é sempre piorar, por causa da maior ocupação, mais construções, etc.”

Percebe-se algo em comum entre vários desastres ambientais recentes no Brasil: construções em locais inadequados, desrespeito às leis ambientais… As mesmas que, em nome do “progresso”, certos políticos querem “flexibilizar”.

E vamos combinar que nem é necessário que as leis ambientais sejam mais rigorosas. Basta que as existentes sejam cumpridas.

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6 respostas em “Por que não “flexibilizar” as leis ambientais

  1. Essas “flexibilizações” são a cara do dito capitalismo sustentável, que só se mostra uma retórica a mais. Fico indignada com quem consegue afirmar que dá pra conciliar os dois, pregando as boas intenções do empresariado, como se o sistema estivesse preocupado em mais alguma coisa que não fosse lucro.
    Quanto às tragédias, assisti, à tarde, a cobertura da Globo News. É muito curioso que os repórteres mostram as imagens, a destruição, mas não aprofundam as causas de as moradias serem precárias, em lugares perigosos, a responsabilidade dos governantes. Interesses (bem) obscuros, ao meu ver.

    • Exato, Camila.

      E pior é ler notícias sobre as chuvas na Austrália (que também foram catastróficas) e perceber que no Brasil morre muito mais gente porque as encostas estão tomadas de casas (na maioria das vezes porque as pessoas não têm para onde ir), o Estado não cumpre bem seu papel de impedir construções em áreas de risco e dar habitação digna aos necessitados…

      Enquanto o Brasil quer “flexibilizar” leis ambientais em nome do “progresso”, na “atrasada” Austrália se chora por muito menos mortes do que aqui.

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