No que se transformou a Veja

Quando se lê o que a Veja escreve hoje em dia, fica difícil imaginar que antigamente o nome designava uma revista de verdade, que fazia jornalismo.

Em novembro de 1978, os uruguaios Lílian Celiberti, seus filhos e Universindo Díaz foram sequestrados, em um episódio que escancarou a existência de uma cooperação entre as ditaduras militares sul-americanas, a Operação Condor. Provavelmente Lílian e Universindo seriam mortos, e as crianças entregues a famílias de torturadores, o que não aconteceu graças à Veja: após receber uma ligação anônima alertando sobre o sequestro, o jornalista Luiz Cláudio Cunha – que trabalhava para a revista – foi ao apartamento dos uruguaios acompanhado do fotógrafo João Baptista Scalco (que por trabalhar para a Placar reconheceu um dos participantes da ação, o ex-jogador do Inter Didi Pedalada, que se tornara policial). O que não resultou em uma reportagem da revista, mas sim em várias – quando o Brasil ainda vivia a ditadura militar.

Já hoje em dia, o jornalismo da Veja é apenas passado. De uma revista corajosa, transformou-se em um panfleto direitoso que só é levado a sério pelos “médio-classistas padrão”.

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