Mudei o voto – e explico por quê

Lá se vão quase cinco meses do dia em que declarei não votar em Dilma Rousseff no 1º turno. Expus minhas razões num texto que não cansei de citar, inclusive como resposta a “correntes” com direitosquices contra a candidata petista (aliás, vários desses lixos são desmascarados aqui) – lembrando os trolls amigos de meu voto para presidente, Plínio de Arruda Sampaio, do PSOL.

O fato de eu ter optado por Plínio não me tornou um “opositor” ao governo Lula (do qual Dilma representa a continuidade), postura adotada por muitos militantes de partidos à esquerda dele, como o PSOL. Concordo com muitas das críticas feitas pelo PSOL ao governo, mas dizer – como muitos de seus partidários costumam – que é um governo “de direita”, convenhamos, é forçar demais a barra. Eu o considero como de centro-esquerda, mais para “centro” do que para “esquerda” – o que não pode ser considerado negativo, dado que antes o Brasil sofrera muitos anos nas mãos da verdadeira direita, e desde 2003 houve, sim, melhorias na vida de muitos e muitos brasileiros. Considero uma atitude extremamente infeliz (para não dizer “burra”) a de taxar como “direita” pessoas, partidos e governos com os quais eu, que me declaro de esquerda, tenho algumas discordâncias. Do contrário, eu teria de considerar como “de direita” o governo de Hugo Chávez na Venezuela, por discordar de algumas de suas medidas!

Com o decorrer da campanha, as pesquisas começaram a indicar uma disparada das intenções de voto em Dilma. (Sim, as pesquisas, tão criticadas antigamente… Não digo que elas sejam manipuladas sempre – do contrário, perderiam tanto a credibilidade que acabariam por não existirem mais – mas, convenhamos, é muito fácil só criticá-las quando os números são favoráveis ao adversário.) A impressão era de uma vitória arrasadora, já no 1º turno.

Só que aí surgiram os recentes escândalos (que coincidentemente só “estouraram” perto da eleição, por que será?), e aparentemente Dilma “parou”. E eu já estava pensando em como seria bom que ela vencesse já no 1º turno, mesmo não votando nela: afinal, assim se garantiria mais 4 anos de PSDB longe do Palácio do Planalto. Então li um ótimo texto do Hélio Paz, comentei fazendo um elogio, e ele respondeu (os grifos são meus):

Valeu, Rodrigo! O momento exigia uma postura assim – ainda mais depois daquela ressaca da eleição no Grêmio que demorou pra curar.

Aliás, infelizmente, eu tenho o cutuque de que haverá 2º turno p/presidente: o #pig vai fazer de tudo nesta semana. E – quero estar enganado – acho que vai conseguir…

Esperemos…

[]’s,
Hélio

Charge do Santiago (clique para ampliar)

Eu já tinha pensado se não seria uma boa dar meu voto para Dilma já no dia 3 de outubro, em nome de evitar a realização de um 2º turno. Não sou contra a realização de 2º turno em eleições majoritárias: a exigência de mais de 50% dos votos válidos confere maior legitimidade ao eleito. Mas no atual contexto político brasileiro, se houver 2º turno, haverá mais tempo para a direita – a “grande mídia” incluída, seja a que declara sua posição (Estadão), seja a que insiste no papo furado da “imparcialidade” – jogar ainda mais sujo para tentar eleger José Serra. E é preciso derrotá-la para evitar que o Brasil sofra o grande retrocesso que será uma eventual volta do PSDB e do DEM ao governo. Quanto antes, melhor!

Por conta disso, então, tomei a decisão de votar em Dilma Rousseff no domingo. Mantenho todas as críticas que tenho ao governo Lula, mas voto em Dilma por entender que não podemos dar mais tempo para a direita reacionária seguir com sua campanha de baixíssimo nível. Pois sempre há o risco de que sua estratégia asquerosa dê certo.

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22 comentários sobre “Mudei o voto – e explico por quê

  1. Lamentável tua decisão, Rodrigo.

    A ausência de um segundo turno, independentemente de quem esteja lá disputando, é o esvaziamento político em prol da popularidade do Lula em transferir votos a quem quer que seja, até a alguém que somente nós, gaúchos, conhecíamos melhor antes das eleições, que é a Dilma.

    Essa “unanimidade”e “euforia” que tomou conta dos brasileiros, ao estilo JK, me preocupa.

    Espero sinceramente que haja segundo turno.

    • Eu gostaria que houvesse segundo turno, se essa fosse uma campanha limpa. O problema é que não está sendo. E isso me preocupa mais do que a “euforia” (que eu não tenho nenhuma, muito pelo contrário): a direita é capaz de tudo (eu digo TUDO mesmo) para voltar ao poder. Quando eles falam em “ameaça à democracia”, deveriam falar de si antes, visto que foram eles que submeteram o Brasil a uma ditadura, por longos 21 anos. E considerando o que muitos direitosos têm repassado por e-mail, parecem estar perdendo a vergonha disso.

      Dá uma olhada nesse texto: http://jornalismob.wordpress.com/2010/09/27/o-mal-a-evitar/

  2. Aproveito o mesmo post para abrir mais alguns de meus votos: vou de Tarso para governador (torcendo para que aqui no RS também não haja 2º turno, em que a situação pode se complicar, com a direita se unindo em torno de Fogaça); Paim senador (o outro nome estou por decidir, penso em votar na candidata do PSOL, Berna Menezes) e Antônio Ruas (PSOL) para deputado federal.

    Para estadual ainda estou indeciso, talvez vote na legenda do PSOL: é um partido que precisa se fortalecer no parlamento para que tenha melhores condições para ser governo no futuro – e também para dar uma “puxadinha” num eventual governo petista para a esquerda (oposição ferrenha, deixa pro PSDB e o DEM fazerem, e se queimarem muitas vezes…).

  3. Pois é…

    Acho que não terá segundo turno. A Dilma vai “papar” a eleição no primeiro. Dentro das margens de erro das pesquisas, as idômeas empresas pesquisadoras, jogam candidatos para cima e depois fazem cair, para estimular a “onda”. Isso não é novidade. Caso tenha segundo turno, votarei na Dilma.

    O problema é aqui na província!
    Creio que para o Tarso ganhar, só se for no primeiro turno. Depois disso formarão a coligação ANTI-PT, e a vaca vai pro brejo. Teremos que enfrentar 4 anos de um governador fazendo música e dizendo que não muda nada que esteja bom e só mudando algo quando tiver certeza. O problema é que ele nunca tem certeza…

    É. Parece que teremos que sair pedindo votos para o Tarso JÁ.

    Já pensaram o Fortunati na prefeitura e o Fogaça no Piratini?
    Vai acabar o estoque de cicuta na Grécia!!!

  4. Camarada eu respeito a tua postura com relação ao voto para Presidente mas acho que poderias manter o voto no Plínio pois continuo achando que não haverá segundo turno! KKK

  5. Rodrigo;

    Tu dizes que a eleição não está sendo “limpa”. Onde não está? Nas denúncias vinculadas na imprensa? No fato dela estar vindo no mesmo período das eleições?

    Ora, mesmo isso deve ser trazido à tona. Não sou eleitor do Serra, mas quero saber o que de fato aconteceu, por exemplo, com a quebra de sigilo na Receita. Não se trata de um caso de corrupção simples, mas da utilização da máquina em prol de um projeto político, o mesmo que ocorreu com o mensalão, e de que o Governo Lula vem sendo acusado há muito mais tempo, inclusive de infiltração nos movimentos sociais. Hoje, Rodrigo, não existe um órgão do Governo Federal, um sindicato, uma entidade estudantil, nada, que não esteja nas mãos de um petista, o que explica o silêncio que temos visto nesses últimos anos no país.. A resposta do Lula é o “golpismo da grande mídia”, úma resposta esquizofrênica, vazia, que não responde nada, como se houvesse o “bem contra o mal”. Lamentável…

    Mas não é por isso que eu gostaria que houvesse um segundo turno. Mesmo sem denúncias nenhuma, o segundo turno é importante para o Brasil. Acho que o PSDB não tem projeto para o país, e isso fica óbvio na campanha do Serra. Prometer salário mínimo de R$ 600,00 é ridículo! Mas a proposta do Governo não é consenso: a política de ampliação do ensino superior, por exemplo, é muito criticada; a forma de exploração do pre-sal; o PNDH; o Bolsa, Família; e mesmo a economia, a “galinha dos ovos de ouro” do governo, já está apresentando alguns desequilíbrios importantes. Tudo isso está fora do debate, tudo é “golpismo da grande mídia”, tudo em nome da capacidade do Lula de transferir votos.

    Estamos cegos perante a realidade. Isso é ruim. Por isso quero segundo turno.

    • Diego, acho que as denúncias êm de ser feitas mesmo. Sempre, de qualquer governo, qualquer partido. Ainda mais que a imprensa insiste em se dizer “imparcial” – com as honrosas exceções da Carta Capital (que apoia Dilma) e o Estadão (que apoia Serra). Não sou petista fanático (aliás, nem petista sou mais!) a ponto de achar que o mensalão não existiu, como alguns delirantes insistem em dizer – são iguais aos direitosos, apenas com o “sinal inverso”. Tanto que foi justamente o mensalão a “gota d’água” que nos motivou a pedirmos desfiliação do PT, no final de 2005.

      Como bem disseste, o PSDB não tem projeto para o país. Por isso acho péssima a possibilidade de ir ao 2º turno e correr risco dele ganhar (como foi com Rigotto em 2002 aqui no RS), mesmo que seja mínimo: um governo precisa ter projeto, ser A FAVOR de alguma coisa, e não simplesmente “contra o anterior” (aí, de tanto ser contra, não é a favor de nada porque nem sabe do que ser a favor).

      Um 2º turno seria muito interessante se ele servisse para que se debatessem realmente dois projetos, e não para que apenas haja ataques de ambos os lados, com muito jogo sujo: tanto violações de sigilos fiscais, como coisas que de tão ridículas chegam a parecer inofensivas mas não são, como os e-mails totalmente mentirosos contra Dilma. Aliás, havendo ou não 2º turno, no caso da provável vitória dela, provavelmente haverá “correntes” dizendo que os votos foram “comprados” com Bolsa Família (que pode sim favorecer o governo, mas não é “compra de votos” e sim ASSISTÊNCIA SOCIAL, que existe em muitos países desenvolvidos da Europa), ou que o povo “não sabe votar” (interessante que quando a direita ganhava eles não reclamavam disso…); isso parece bobagem, mas pode levar muita gente a achar que o resultado da eleição “não é justo”, e com o tempo, servir para “legitimar” algo semelhante ao que já se viu num passado não tão distante (afinal, 46 anos em História é como se fosse agora há pouco), cujas consequências foram péssimas para o Brasil.

      ————

      Quanto às entidades estudantis, sindicatos etc., não tenho maiores informações. Mas sobre a UFRGS, nesse caso, sim. De 2004 até o ano passado o DCE era do PSOL – que o perdeu para uma chapa de direita, sendo que um de seus integrantes é agora candidato a deputado estadual pelo PP. Dos centros acadêmicos, não são poucos os que também são do PSOL. O PT, pelo menos na UFRGS, perdeu espaço no movimento estudantil.

  6. O ideal mesmo seria um segundo turno entre Marina e Dilma. A candidata do PV com certeza levaria o debate para um lado interessante.
    Mas essa possibilidade é nula.
    Mesmo assim, Rodrigo, acho que um segundo turno entre Serra e Dilma não é tão ruim. Ao meu ver deverias manter teu voto anterior.
    Que a granda mídia ta jogando sujo não é novidade, mas eles não são capazes de impedir o povo de cumprir sua vontade.
    Além do mais, tem as mídias alternativas que também estão dando as cartas.
    Vejo o segundo turno como benéfico para a democracia. Até porque as investigações não vão isentar o PSDB.

    • Também acho que um 2º turno entre Marina e Dilma seria muito interessante (sem contar que eu iria dar muita risada por ver o PSDB fora), pena que é altamente improvável.

  7. Eu atuo no movimento sindical e é verdade o que o Diego disse sobre a atuação dos petistas. Hoje na luta contra as medidas dos governos temos que enfrentar as direções das empresas e os pelegos petistas jogando contra os trabalhadores. Eles chegaram a um nível de degeneração que fazem conchavos até com as direções da direita (como do governo Fogaça). Lamentável!

    Sobre eleições, mudanças, realidade e cegueira deêm uma conferida nesse artigo que escrevi sobre o grande engodo que é a democracia representativa moderna:
    http://blogdomonjn.blogspot.com/2010/09/o-desgaste-da-democracia-representativa.html

    • Eu acredito que seja verdade – é que como não atuo no movimento, não quis correr o risco de falar bobagem. E esse é realmente um problema sério: os dirigentes sindicais atendendo mais aos interesses do partido, do que ao dos trabalhadores que eles deveriam representar…

  8. Viste que tiraram o som do Plinio no debate da Band quando ele foi falar das famílias que controlam a mídia no Brasil (faltavam 20s)? Viste como o Plínio foi aplaudido hoje pelo público no debate da Globo?
    Abraço

  9. Faltou uma: viste como o Gilmar chamou o Zé hoje (qdo da votação sobre o título no STF)?
    – “Meu Presidente”

    Só pra ser coerente com os mais coerente dos candidatos é que continuo com o meu voto no Plínio.
    Boa sorte no domingo!

  10. Tem muita gente oportunista que anda, nestes últimos dias, lamentando o fato de que as eleições possam vir a serem decididas já em primeiro turno. Oportunistas. Só podem ser isso. Não lembro de ninguém lamentando quando, lá na metade de 2009, o asqueroso José Serra esbanjava liderança em todas as pesquisas de intenção de voto. Ninguém achava, àquela época, que a ocorrência de um segundo turno seria “salutar para a democracia”. Agora o risco é de que Dilma elimine o segundo turno, daí eles vêm com essa conversa. Ora, vão…
    Mesmo que nas últimas eleições municipais de Canoas eu tenha votado no Paulo do Psol (para ‘marcar posição’), pois achava que Jairo Jorge não tinha chances de ganhar no primeiro turno, mesmo que eu já tenha pensado até em não votar em Dilma no primeiro turno, não farei mais isto. Domingo eu vou de 13 pra presidente e 13 pra governador.
    Ser eleito em primeiro turno é tão justo e democrático quanto no segundo. O resto é blá-blá-blá de aproveitadores que querem conquistar votos na esquerda.
    Quanto à “peleguice petista” citada no comentário de Diego Rodrigues, concordo inteiramente, é mesmo dura de aguentar, porém seria muito mais difícil ter que suportar a volta do PSDB ao Planalto.
    Honestamente, acho que a realização de um segundo turno não seria interessante para ninguém, apenas para o Serra, o PIG e essa gente toda que não gosta da expressão “política pública”.

  11. Não consigo acreditar que alguém estudado e com QI superior a 100 consiga votar na dilma,mas tudo bem,cada um tem o direito de votar em quem quiser,só não pode reclamar depois.

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