Pelo fim dos eleitos antes da eleição

Eu já tinha visitado o blog da Terceira Via, mas agora reparei num detalhe que me deixa mais inclinado a votar na chapa, que é a de número 3 nesta eleição para o Conselho Deliberativo do Grêmio. (Além, é claro, do que li sobre as outras duas chapas ao longo da segunda-feira, tanto textos como comentários.)

De acordo com o panfleto disponibilizado no blog, as chapas 1 (Renova Tricolor) e 2 (Dá-lhe Grêmio) têm nove nomes em comum. Confesso que não tive saco para verificar as duas nominatas (afinal, ambas têm 180 integrantes) em busca dos nomes repetidos, mas não vejo motivo algum para duvidar do que diz o folder da chapa 3: em 2007, as nominatas das três chapas tinham “coincidências”.

É bizarro, mas real. Barbada garantir a eleição: basta fazer parte de todas as chapas…

Como mudar isso? É um tanto óbvio que à maioria dos que já fazem parte do CD – e principalmente aos nove que estão tanto na chapa 1 como na 2 – não interessa a mudança nas regras, proibindo a participação em mais de uma chapa por eleição. Isso sem falar na redução da cláusula de barreira, que atualmente é de 30%, permitindo que uma chapa possa ganhar todas as cadeiras recebendo pouco mais de 40% dos votos: basta que as outras duas chapas não alcancem os 30% necessários para elegerem conselheiros.

Não podemos generalizar, fazer uma maquiavélica divisão. Todas as chapas têm seus bons nomes. O problema são os ruins… Nas chapas 1 e 2, nós já conhecemos muitos. Na 3, todos são “marinheiros de primeira viagem”, e com raras exceções, não sabemos quais são os que valem e os que não valem a pena – o que me deixava mais relutante.

Porém, depois reparei no que é lógico: a única maneira de sabermos quais os integrantes da Terceira Via que serão bons conselheiros é dando-lhes uma oportunidade. E se o problema é “experiência” no Conselho, ainda haverá conselheiros “antigos”: os eleitos em 2007 têm mandato até 2013, e para que todos os que irão assumir agora sejam novos, as chapas Renova Tricolor e Dá-lhe Grêmio teriam de fazer, ambas, menos de 30% dos votos, o que não considero muito provável que aconteça.

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Atualização (07/09/2010, 18:19). Em comentário, o André Kruse novamente complementou uma informação passada (mais uma vez, agradeço): um dos nomes que estavam em duas chapas desistiu, e assim há oito pessoas que estão tanto na Renova Tricolor como na Dá-lhe Grêmio.

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6 comentários sobre “Pelo fim dos eleitos antes da eleição

  1. Rodrigo:
    Quase fiz um comentário na tua postagem anterior sobre a eleição para o Conselho no Grêmio, mas resolvi esperar, o que se revelou o mais adequado. Faço parte e voto na Terceira Via porque tem de existir uma outra alternativa, que não seja mais do mesmo, e os outros grupos representam o mesmo projeto, e são antagônicos apenaspor uma questão de espaço e acomodação dos seus.
    No mais, me sinto lisonjeado por participar da lista de blogs, com o meu modesto Blog do Milico. Comungamos de duas paixões: Grêmio e História (sou graduado pela PUCRS). Ou três? Mesmo campo ideológico, apesar de …
    No mais,
    um abraço!
    Vitorino
    Obs.: Bem-vindo e venha participar.

  2. Também pouco me agrada a presença de nomes em mais de uma chapa. O torcedor pede o direito de escolha.

    Na verdade são 8 os nomes que aparecem nas duas chapas, a Dona Ema pediu para ter seu nome retirado das duas.

  3. Caro Rodrigo!

    Tenho acompanhado teus pitacos, mas não tenho feito intervenções. Agora não posso deixar batido, afinal estamos vivendo um momento importante no nosso Imortal.

    Tenho louvado o surgimento da Terceira Via, no entanto seus ideólogos cometem algumas generalizações que me trazem desconforto. Dicotomizam, tipo, os nossos são os bons e puros, queremos o melhor, enquanto eles, chapa 1 e 2, são os maus e só tiram proveito do clube. Jogam tudo em um mesma panela. São eles os responsáveis pela crise institucional e nós – os bons e puros – queremos o melhor. É preciso ir com cautela nesse caminho. Ou como se diz, devagar com o andor que o santo é de barro.

    Quem tem um mínimo de informação do dia a dia do clube sabe que tanto a chapa 1 como a 2 são compostas por indivíduos que não possuem esse mesmo grau de comprometimento, especialmente os da 2. Alguns são mais responsáveis do que outros, Guerreiro, Bandeira, Vicente Martins, Zé Otávio, Obino e cia. Em suma, como afirmou Karl Popper (não gosto dele, mas a frase é boa e elucidativa), o que está em todos os lugares, não está em lugar nenhum. No caso específico, alguns são mais responsáveis pela crise do que outros. Alguns são os criminosos, mas nem todos. Existe, evidentemente, uma questão de grau de responsabilização. Não posso dizer, em hipótese alguma, que o Hélio Dourado seja responsável pela crise, sendo que é um dos cardeais da chapa 2.

    Outro erro está em valorizar, ao extremo o papel, do conselho. É importante, não nego, especialmente para a transparência da gestão do clube, mas não é decisivo, para o que queremos – bons resultados no campo. Para a bola rolando o que importa é a presidência. Já tivemos grandes momentos em que o conselho era, muito possivelmente, pior do que é hoje. Aqui identifico outra falha da Terceira Via. Não querem discutir a presidência e agora temos a ameaça do retorno do Odone. Por que? Porque o Odone, macaco velho, sabe que o importante é o cargo maior. Ele está dizendo, votem na chapa 1 que eu vou ser o presidente. O Odone é um passo atras, pertence ao passado, não deixou nada plantado para o futuro. Explorou o clube para o próprio benefício de político profissional. Aparelhou setores da torcida para as suas campanhas. Não é por nada que trouxe para junto os Vaz Neto, Dorneu Maciel, e o cúmulo dos cúmulos, o zumbi da política guasca – o Britto.

    Quem é o candidato a presidência da Terceira Via?

    Se isso estivesse claro, seria uma grande ajuda na minha decisão de voto. Não tenho medo em perder. Já tive muita derrota eleitorais na vida. Ficaria com a consciência tranquila e legitimado para a corneta.

    Saudações tricolores

    • Concordo, Jorge, que não podemos generalizar – inclusive escrevi no post.

      O próprio sistema eleitoral é um problema: trata-se do famoso voto em listas fechadas (que muitos defendem para as eleições proporcionais no Brasil), em que não podemos escolher os nomes que mais nos agradem. Fosse um sistema semelhante ao que é usado nas eleições para deputados, o voto que eu digitaria seria tanto para o nome, como para a chapa a que ele pertence – assim, votando nos caras bons, seria mais garantido que eles entrariam, deixando os ruins (ou pelo menos a maioria deles) de fora. O que vale para qualquer uma das chapas.

      • Quem está colocando esta de “bom x mau” a não ser você mesmo Jorge?
        Estou participando ativamente da construção da chapa 3 e nunca nos assoberbamos colocando os outros para baixo ou nos colocando acima como a solução para colocar o clube no caminho da bonança.
        Oras, a dicotomia é clara e não é retórica – é fatual: a única chapa em que não há conselheiros, ex-conselheiros, dirigentes ou ex-dirigentes – e seus asseclas! – é a Terceira Via!
        Por certo te preocupas muito com a eleição a presidente, nosotros também.
        No entanto, focamos bem claramente o objetivo de colocar o mínimo de novos conselheiros dentro da estrutura do clube para iniciar – quem sabe – um novo caminho, a construção de uma frente que permita em alguns anos que, pelo menos, o estatuto seja cumprido. Temos total consciência de que a 3a Via fazer 100% das vagas é uma utopia, portanto, miramos mesmo é começar o processo.
        E para presidente? Que o sócio decida – esta é a postura que acredito a chapa 3 terá no processo eleitoral tendo seus conselheiros entrado. Ou seja, se polarizar dentro, com conchavos, seremos contra – te digo isso mesmo não havendo esta orientação, mas observando que é uma das propostas que estamos batendo, contra conchavos e a entrega do clube para os seus associados.

  4. Rodrigo,

    Te garanto que, apesar da amizade, do respeito, da torcida por eles e também por ter a certeza de que eles irão pôr 50 nomes, a Terceira Via não está preparada para assumir o Departamento Consular, as Categorias de Base, o Futebol Profissional, Marketing e Comunicação, Quadro Social… Quando muito, um cargo de 2º ou 3º escalão como voluntários em TI, no Jurídico ou em Finanças.

    Eles precisam entrar pra aprender a conhecer o clube. Todos os outros movimentos que um dia foram emergentes entraram bem despacito, conquistando a amizade, procurando aprender, ocupando o seu tempo livre com trabalho voluntário dentro do clube, construindo um grupo a partir da munição de informações e identificando entre seus conhecidos pessoas de perfil profissional diferenciado para compor o movimento.

    Já houve uma experiência parecida com a 3ª Via. Eram outros tempos: eles não conseguiram entrar.

    Te afirmo que me sinto bastante constrangido em fazer campanha para pessoas que não sejam do meu movimento, o Grêmio Acima de Tudo. Apesar de eu considerar o argumento da renovação muito fraco e hipócrita por parte de TODAS as chapas e de – muitas vezes – não conseguir enxergar qualidade nem participação em muitos nomes que estão lá há décadas, é inegável que, somando chapa 1 e chapa 2, há pelo menos de 50 a 60 nomes que estão no CD há um bom tempo e que precisam permanecer.

    Ninguém é insubstituível. Porém, não se pode apenas trocar por trocar e pôr um exército de Brancaleone que, após criticar a tudo e a todos, pode chegar lá e fazer muito pior por total desconhecimento da estrutura.

    Pra mim, a chapa 1 se elege. A 3 tem boas chances. No entanto, se a 2 ficar de fora, 10 pessoas super responsáveis e com muitos serviços prestados ao Grêmio do nosso movimento (seis conselheiros importantes e antigos como o Guido Spengler, o Paulo Deitos e o Gabriel Fadel mais dois caras novos e combativos que estão na luta há uma década e nunca foram titulares como o Fábio Mundstock e o Eduardo Bernardon) ficarão de fora.

    Se uma chapa não entrar, ficará sem voz alguma durante três anos. O nosso movimento é o único que questiona a Arena de maneira fiscalizatória e responsável. Além disso, o Paulo Deitos recuperou o trabalho, a autoestima e os resultados para as categorias de base. Se ficarmos de fora, quem vai tomar conta dos departamentos será a chapa 1, pois o Odone vai ganhar a eleição – diria até por aclamação, pois o pessoal da 1, somados os 70% que fizeram em 2007, terão maioria para aprovar a inscrição da chapa ao Conselho de Administração e poder de veto suficiente para diminuir a chance de haver 30 assinaturas dentro do CD para propor outra chapa.

    Assim, a eleição não iria para o associado, tornando a democracia proposta pelo MGI e pelo MGN uma grande enganação.

    []’s,
    Hélio

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