Em quem não votar

O Milton Ribeiro escreveu um excelente texto sobre o que seria sua hipotética candidatura a deputado federal, no qual também nos apresenta uma lista sobre as características que deve ter um candidato para garantir que não receberá o voto dele – aliás, o meu também. (Só discordo de quando ele fala do Grêmio, por motivos óbvios.)

Ou seja, “subscrevo” a lista e recomendo que não votemos em:

  • quem mistura religião com política;
  • quem parece ou é pastor;
  • quem é conservador ou de direita (não me digam que direita e esquerda não existem mais, por favor);
  • quem criminaliza sistematicamente os movimentos sociais (MST, povos indígenas, etc.);
  • quem é criacionista;
  • quem é homofóbico;
  • quem é sexista;
  • quem, gratuitamente, fala mal da América Latina;
  • quem usa a frase “meu antecessor ou quem está lá não fez nada”, pois certamente fez e pode ter sido péssimo.

Em comentário, sugeri um item a mais na lista (não é “misturar futebol e política”, porque os que fazem isso veem futebol como religião, já citada). Trata-se de não votar em quem está (mesmo que indiretamente – no que sinceramente eu não acredito) sufocando um jornal independente por conta de uma reportagem publicada em 2001 e que não dizia nada que não tenha sido comprovado.

O jornal ao qual me refiro é daqui de Porto Alegre, o Jornal Já (que inclusive foi premiado por conta da reportagem citada, sobre uma fraude milionária na CEEE). O político se chama Germano Rigotto (PMDB), candidato ao Senado. E o processo é movido por Julieta Rigotto, mãe do ex-governador, por conta das referências feitas pela reportagem a seu outro filho, Lindomar, falecido em 1999. Germano Rigotto chegou a dizer ao jornalista Luiz Cláudio Cunha que nem sabia da existência do (detalhe: ele disse isso em novembro de 2009, oito anos após o início da ação judicial).

Como sou de esquerda, obviamente eu não votaria em Rigotto mesmo que não existisse o processo, cujo mais recente capítulo resultou no bloqueio das contas dos jornalistas Elmar Bones (editor do ) e Kenny Braga (sócio minoritário de Bones). Mas como sei que, de vez em quando, alguns conservadores (favor distinguir de direitosos) aparecem por aqui, peço a eles que reflitam sobre isso, e pensem bem antes de digitarem seu voto para Rigotto (caso o tenham como seu candidato), sob pena de favorecerem a continuação de uma grande injustiça.

Afinal, Bones já havia sido absolvido na ação penal por injúria, calúnia e difamação; mas inexplicavelmente, acabou condenado na área cível ao pagamento de uma indenização de R$ 17 mil por “danos morais”, valor que hoje já supera os R$ 55 mil – valor “tranquilo” para uma Zero Hora ou um Correio do Povo, mas impagável para o , que sobrevive com dificuldades.

Já que Rigotto continua a usar um coração como sua marca de campanha (igual a 2002 e 2006), deveria fazer jus a ele e pedir a sua mãe que retire o processo.

————

Claro que se Rigotto perder votos, há o risco maior de Ana Amélia Lemos (PP) ser eleita (óbvio que não será com meu voto). O ideal seria não votar em nenhum deles – afinal, Ana Amélia se enquadra no item “quem é conservador ou de direita”, lá da lista. O problema é que o Rio Grande do Sul é o “Estado mais politizado do Brasil”

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11 comentários sobre “Em quem não votar

  1. Pingback: Em quem não votar « Cão Uivador | Info Brasil

  2. Concordo plenamente com as categorias dos que não merecem voto algum. Vou só contar um “causo” de um parlamentar cearense que era presidente do Ceará Sporting Club. Ele foi eleito pra deputado, estadual, salvo engano, e a única proposta foi criar o dia do torcedor do Ceará. Seria piada, se não tivesse passado os 4 anos lá com nosso dinheiro. E quer se reeleger agora de novo.

    • E a proposta foi aprovada??? No Rio (não lembro se em âmbito municipal ou estadual), criaram um “dia do flamenguista” – que não é no aniversário do Flamengo, diga-se de passagem.

      O pior de tudo, é que votam nesses caras. Aqui no Rio Grande do Sul, tem vários políticos que se elegeram graças a futebol – e vem mais esse ano…

    • Interessante teu conceito de “democracia”… Tu chegas aqui me xingando de “babaca” pelo simples fato de não termos a mesma opinião, e depois queres falar de “democracia”, reclamando que não publiquei aquele comentário?

      Eu não tenho obrigação nenhuma de ser “democrático”: o blog é MEU, eu escrevo o que EU quero, e aprovo os comentários que EU considero publicáveis, inclusive discordantes que não faltem com o respeito (pois aí é possível um debate de bom nível). Democrática é a internet, que possibilita a qualquer um criar o seu blog para escrever o que bem entende. E tem de continuar sendo.

      • A internet possibilita também que qualquer um leia qualquer artigo e tenha o direito de discordar ou concordar. Quando alguém é ofensivo em algum texto, esse alguém pode receber críticas também ofensivas. E foi isso que eu fiz! Pois, como tu mesmo disse: “A internet é democrática.”

        Enfim, cheguei aqui por total acaso…

        Continue exercendo teu direito de democracia e teu grande apoio ao senso comum. Só não esquece que quando levantamos uma bandeira devemos ser íntegros. Principalmente quando se leva em consideração a luta contra o preconceito. Afinal, preconceito combatido com preconceito não leva a lugar nenhum.

        • “Crítica ofensiva” não existe. Se é ofensiva, então não é crítica, é ofensa pura e simples.

          Aliás, eu gostaria de saber, afinal, por que te sentes “ofendido” com o que eu escrevi? Só por exercer o meu livre direito de recomendar em quem não devemos votar? (Que tu tens todo o direito de discordar, para que fique bem claro.) Onde é que há PRECONCEITO?

          E depois vem falar em democracia. Eu mereço…

          • Uma crítica se torna ofensiva quando ela não é imparcial. O que foi o caso aqu nesse artigoi. Onde foram feitas criticas generalizando, o que em momentos toma forma de falácia pela falta de coerência.

            Enfim, apenas expressei minha opinião. Talvez meu único erro foi ter te chamado de babaca. Porém, sem querer me isentar do erro, afirmo que apenas me utilizei destas palavras porque li algumas “babaquices”.

            Tu tens o teu direito de se manifestar e eu tenho o meu. Não precisamos andar juntos. Concordar em discordar já seria um bom princípio.

            Good luck e desculpe por qualquer coisa!

            • Nenhuma crítica é imparcial, pelo simples fato de que ela é produto justamente do ponto de vista de quem a faz.

              E sempre que quiseres opinar de forma respeitosa (como nos teus comentários que eu aprovei), concordando ou discordando, serás muito bem-vindo! ;)

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