Mais usinas nucleares?

Passando os olhos pela Zero Hora de ontem, notei a pequena matéria na página 22, que falava sobre a “necessidade” do Brasil construir quatro usinas nucleares até 2030, com potencial de mil megawatts cada. Inclusive, o Rio Grande do Sul é um dos Estados onde poderia ser construída uma das usinas.

É inacreditável. Ainda mais na mesma semana em que lemos notícias sobre a preocupação dos russos com os incêndios florestais que assolam seu país – o fogo atinge regiões que foram afetadas pelo desastre da usina nuclear de Chernobyl, em 1986, que contaminou o solo em partes da Ucrânia (onde se localiza a usina), da Bielorrúsia e da Rússia, que na época eram repúblicas da União Soviética. Há o temor que partículas radioativas sejam liberadas para o ar devido à queima do solo.

Todas as áreas afetadas pela radiação hoje são inabitáveis (embora algumas poucas pessoas idosas ainda lá morem por não desejarem morrer longe de onde sempre viveram), e continuarão assim por séculos, sendo necessária autorização para ingressar nelas. Pripyat, cidade mais próxima da usina, tornou-se uma “cidade-fantasma”, que até pode ser visitada, mas com muito cuidado, pois se há locais “seguros”, andando-se poucos metros a radiação pode atingir níveis perigosos.

É difícil compreender como que, depois do desastre de Chernobyl, ainda se pense em construir novas usinas nucleares, quando o ideal seria fechar as que já existem, já que são conhecidos os perigos da radiação (que tem inclusive um “exemplo” brasileiro: a contaminação de várias áreas em Goiânia por césio-137, em 1987). Por que não se investir nas “energias limpas”, como a eólica e a solar? Ainda mais no Brasil, que é um país privilegiado neste caso: o litoral brasileiro (mais de 7 mil quilômetros) tem bastante vento; e a maioria do território nacional encontra-se na zona tropical, que é a região do planeta onde a insolação é maior.

Mas, claro, certamente os nossos “progressistas” devem desejar muito a construção de uma usina nuclear no Rio Grande do Sul – e o mesmo vale para outros Estados. Afinal, será a chance de ser notícia no mundo todo, caso aquela coisa exploda como Chernobyl.

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4 comentários sobre “Mais usinas nucleares?

  1. Eu nunca engoli essa história de construir usina nuclear, como se elas fossem a solução pros problemas do mundo. É muita irresponsabilidade achar que basta colocar lá e pronto, sem se preocupar com os resíduos e o que sobra.
    Ah, Rodrigo, só lembrei de ti. Meu pai tá em Porto Alegre, aí me ligou ontem contando que tá um frio desgraçado, mal consegue passear na rua… haha!

    • Certa vez cheguei a ler que as usinas nucleares seriam a solução para a geração de energia no futuro porque se esgotaria o potencial hidroelétrico e as termoelétricas poluem muito. É, talvez a tal da radioatividade na zona em torno de Chernobyl seja invenção de fanáticos defensores do atraso… Bah!

      Quanto ao frio aqui de Porto Alegre, a temperatura até nem está tão baixa (em julho fez mais frio), mas o vento e a umidade derrubam a sensação térmica… No momento em que escrevo, tá 11°C no aeroporto com sensação de 8°C – mas bem agasalhado e caminhando na rua cheguei a sentir CALOR, frio mesmo tava ontem.

  2. pois é, rodrigo. esse é um problema bem difícil de pensar. não sei se energias alternativas seriam capazes de suprimir as demandar de energia nacionais. além disso, acho que a grande preocupação deveria ser dimuir a importância das usinas hidroelétricas, que são extremamente danosas. sei lá, cara, se se tiver um controle de segurança rigoroso e constante, acho que talvez uma usina seja até razoável de ser utilizada. mas tb, o perigo é grande em caso de controle inadequado.

    Abraço

    • Controle inadequado: esse é o problema.

      Obviamente não teríamos nenhum Homer Simpson trabalhando na usina nuclear, mas o risco de acidentes sempre existe. Se as hidroelétricas são por si mais danosas, as nucleares podem causar um desastre maior em caso de acidente, que não se restringe apenas à área da usina: os ventos levam as partículas radioativas bem longe, como em 1986 aconteceu na Europa (quando a nuvem radioativa alcançou a França).

      Inclusive, há duas usinas nucleares na Argentina, uma delas fica a noroeste de Buenos Aires, às margens do Rio Paraná: se ocorrer (tomara que não!) algum acidente lá e estiver soprando o “minuano”, a nuvem vem pra cá… Obviamente os danos seriam ainda maiores para a região mais próxima (além do altíssimo risco de contaminação do Rio da Prata), mas o perigo é bem mais amplo do que parece.

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