Xinga eles, Dunga!

Não sou fã incondicional de Dunga. E isso não se deve ao fato dele ser colorado – afinal, Olívio Dutra e Luís Fernando Veríssimo também têm este defeito.

Acho que Dunga pisou na bola muitas vezes (nem vou falar sobre os jogadores que ele levou para a Copa – acho que Victor podia estar lá, mas…). Como em suas lamentáveis opiniões sobre a escravidão e a ditadura no Brasil: para o técnico da Seleção, quem não viveu aquelas épocas não pode dizer se foram “boas ou ruins” – no meu caso, é impossível não formar um juízo de valor sobre épocas das quais há inúmeros documentos provando suas atrocidades (mesmo que eu saiba que, se for estudá-las, terei de ser o mais isento possível).

Outra queixa contra Dunga foi que ele não tirou uma das mãos do bolso da calça ao cumprimentar o presidente Lula, antes da Seleção embarcar para a África do Sul. Realmente achei uma atitude deselegante, mas tenho certeza de que muitos dos que criticam Dunga são daqueles que chamam Lula de tudo que é adjetivo depreciativo. Ou seja, um bando de hipócritas.

Agora, a discórdia é com ninguém menos que a Rede Globo, que queria direito a entrevistas exclusivas com os jogadores da Seleção, concedido por Ricardo Teixeira mas vetado por Dunga. Além disso, o técnico já vinha fechando os treinos e restringindo o máximo possível o contato dos jogadores com a imprensa.

Os atritos chegaram ao auge após o jogo contra a Costa do Marfim, em que o repórter Alex Escobar falava ao celular com Tadeu Schmidt durante a entrevista coletiva, criticando Dunga, que ouviu e interpelou o jornalista, que não quis dizer nada. Então o técnico o chamou de “cagão” e outros palavrões que foram captados pelos microfones. Mais tarde, aquele patético “editorial” da Globo detonando com Dunga.

Dunga foi “grosso”? Sim, foi. Mas ele também foi um dos brasileiros mais massacrados pela “grande mídia” em sua longa história de destruição de reputações (se bem que a de Dunga eles não conseguiram detonar). Em 1990, foi criada a expressão “era Dunga” para simbolizar o futebol defensivo da Seleção (como se aquela Copa não tivesse sido justamente marcada pelo defensivismo), considerado “medíocre”. O então volante foi considerado culpado pela eliminação do Brasil diante da Argentina, nas oitavas-de-final (se é para eleger um culpado, voto em Maradona, por ser gênio).

Quatro anos depois, lá estava Dunga para levantar a taça. Ainda sob fogo cerrado – assim como o resto do time – dos mesmos “opinistas”, que criticavam o fato da Seleção Brasileira “não jogar bonito”, mesmo que campeã mundial depois de 24 anos. Pois é, mas deviam perguntar aos torcedores na época (principalmente aos mais jovens, como eu, que nunca tinham visto o Brasil ganhar a Copa) se trocariam aquele time campeão por um que “desse espetáculo” mas ficasse pelo caminho.

Para a “grande mídia”, Dunga não tinha lá muitos méritos: afinal, era capitão de um time campeão, mas que não jogava o “futebol-arte”, logo, “era ruim” – palhaçada repetida até hoje. E vão querer que ele não tenha nenhuma mágoa contra a imprensa?

XINGA ELES, DUNGA!

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8 comentários sobre “Xinga eles, Dunga!

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  2. Todo mundo, que tenha mais que dois neurônios, está pedindo para o Dunga xingar “eles”…

    • Dunga já tinha meu apoio quando, no campo, mostrava-se grande volante. Posso até contestá-lo como treinador, mas agora, fecho com o Ouriço!

  3. Pois é camarada Rodrigo mas tem gremista que está cerrando fileiras com a Globo e torrando o Dunga. Estes se esquecem de que Felipão nunca foi um “gentleman” com a mídia e que foi muito atacado em 2002.

    Eu desconfio que o ranço desses gremistas com o Dunga seja por causa disso aqui:

    Abraços!!!

    • Tem uns que inexplicavelmente dizem que o Dunga não chamou o Ronaldinho por conta dos chapéus na final do Gauchão de 1999 – esquecendo que ele não vem jogando bem há muito tempo. Considerando que tantos bradaram por “seriedade” depois da Copa de 2006, quando Adriano e, principalmente, Ronaldo, jogaram só “no nome”… É uma incoerência defender que Ronaldinho também só jogue “no nome”.

      Quanto ao Felipão, até hoje não esqueço da campanha pelo Romário na Copa de 2002… Só imagino se o Brasil tivesse perdido, o linchamento simbólico que sofreria o Felipão por conta de nossa “isenta” mídia esportiva.

      • O Ronaldinho nunca mais foi o mesmo depois de 17 de dezembro de 2006. KKK

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