De quem é a responsabilidade

Começou um jogo de empurra entre as autoridades no caso do jovem Valtair de Oliveira, morto por um choque elétrico em parada de ônibus na Avenida João Pessoa. A EPTC empurra a “batata quente” para a CEEE, que por sua vez diz que a parada é responsabilidade municipal – o que é a mais pura verdade.

A estrutura da parada é da EPTC, já o poste de iluminação pública que seria a origem do problema é da Divisão de Iluminação Pública da SMOV. Ou seja, a competência é toda do Município. O máximo que se poderia exigir da CEEE seria cortar a energia do local.

E mesmo que a EPTC tenha contatado a CEEE três vezes antes da tragédia – o que é negado pela segunda – a responsabilidade continua a ser municipal. Pois por que raio de motivos aquela parada não foi interditada até que o problema fosse resolvido? E por favor, fita de isolamento não é interdição: era preciso que os ônibus fossem desviados para fora do corredor naquele ponto, sendo aguardados pelos passageiros na calçada em frente à Faculdade de Direito da UFRGS.

Ia “congestionar o trânsito”? PQP, o fluxo de carros é mais importante que a vida das pessoas?

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E o pior é que o trágico episódio nem é fato isolado. Há relatos de choques elétricos em outras paradas de ônibus. É mais uma mostra do descaso com que as autoridades vêm tratando a cidade nos últimos anos.

Já tivemos ônibus infestado de baratas e também perdendo as rodas, a limpeza de ruas e parques têm deixado a desejar, a saúde pública está ruim (mas não para outros interesses)… E outro problema que, embora não seja novo, parece ter piorado muito, é a conservação das calçadas (quem fiscaliza isso?). Foi graças a um passeio mal-conservado que minha avó, de 88 anos de idade, caiu um tombo no início de fevereiro e precisou passar mais de um mês com o braço direito engessado.

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5 comentários sobre “De quem é a responsabilidade

  1. Assumir a responsabilidade, num caso desses, é o que menos interessa. Muito melhor é ficar jogando o problema pros outros e nunca resolvê-lo, sem importar quem seja prejudicado.

    • Resolver, mesmo, só se um deles sentisse na pele a consequência do descaso com que tratam a população. Mas como eles não sabem o que é mofar numa parada (que ainda por cima dá choque) à espera de um ônibus lotado, nem costumam andar a pé (só de carro), e também não usam a saúde pública…

      Lembro bem do que disse uma vez o Cristóvam Buarque, sobre como as autoridades só dão bola para os problemas que podem atingir a elas: prova disso é tanta preocupação com a gripe A enquanto doenças que “distinguem classe social” (leia-se “são consequência da pobreza”) continuam a matar sem que nenhuma ação contra elas seja tomada.

  2. Enquanto isso as equipes de trabalho da EPTC, e o material necessário, são desviados para pintar as faixas de segurança. Mas não é qualquer faixa de segurança… São apenas aquelas que aparecem na mídia PIG, ou seja as da campanha da mãozinha, brilhante idéia do cara aquele que quer se eleger de novo…

  3. Pingback: Festival de besteiras que assola Porto Alegre « Porto Alegre RESISTE!

  4. Diz o prefeito: “Não podemos punir ninguém de forma individualizada. Seria irresponsável.”
    Mas já puniram. Já perdeu o cargo o chefe da Central de Radio da EPTC. Mas “os companheiros” indicados pelo PMDB, chefes da área de manutenção de mobiliário (paradas de ônibus), ah esses continuam…

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