Isto é uma vergonha!

Em 30 de junho de 2007, escrevi uma breve reflexão, um questionamento, sobre qual seria o profissional mais indispensável: o médico ou o lixeiro?

No fundo, ambos são importantíssimos, mas é fundamental fazer tais questionamentos. E lembrar da importância dos lixeiros e garis, “o mais baixo da escala do trabalho” para Boris Casoy, âncora do Jornal da Band.

Se os lixeiros e garis decidissem não mais recolherem o lixo produzido por Boris Casoy nem varrerem a rua em frente à casa dele… Ele próprio teria de levar o lixo embora e pegar uma vassoura. Talvez aprendesse a respeitar tais profissionais.

E quem sabe também aprendesse a não humilhar quem lhe deseja Feliz Ano Novo só por não ter a sua “fama”.

————

Boris Casoy tem muitos fãs por seu hábito de dar opiniões (em geral, reacionárias) sobre algumas notícias – origem do famoso bordão “Isto é uma vergonha!”. Bom, dessa forma, pelo menos fica mais escancarado o preconceito da classe mérdia, que tem pavor dos pobres por medo que eles “roubem o fruto de muito trabalho duro” (carro, apartamento etc.) – esquecendo que os maiores roubos em nosso país, em geral, foram obra de gente engravatada.

10 comentários sobre “Isto é uma vergonha!

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  2. Pingback: Boris Casoy não gosta de lixeiros « Porto Alegre RESISTE!

  3. POIS É BORIS CASOY, …

    *TENTAR LIMPAR UMA CAGADA, . . .

    ENQUANTO PERMANECER O MONOPÓLIO DAS TELE-COMUNICAÇÕES NO PAÍS COMANDADO PELO PODER ECONÔMICO COM SUAS BANCADAS NO CONGRESSO NACIONAL, OS “NOSSOS CANAIS ABERTOS” DE TELEVISÃO CONTINUARÃO COM PÉSSIMA QUALIDADE,PASTEURIZADOS, . . .
    A SERVIÇO DA ELITE MANIPULANDO OS POBRES.

    Eduino de Mattos
    porto alegre RS

  4. A classe Media,nao tem so medo dos pobres, tem nojo tambem. garis, taxistas…Gente, esse navio negreiro Brasilis nao mudou tem meia duzia de donos e os pacatos e bem humorados brasileiros, fazem piada de qualquer desgraça…precisamos devastar os galhos de arrudas…invadir mesmo fazer justiça social nem que seja à força … educação; aproveitar as escolas se aliar a elas na campanha, amigos da escola e tentar cosntruir para uma futura geração, uma atitude mais responsavel sobre tudo isso…um abraço Risomá cordeiro

    • Risomá,

      Realmente a “classe mé(r)dia” tem medo e nojo de pobres. Por sinal, esse é um dos mais conhecidos argumentos “concretoscos”: pobre é marginal, pobre é lixo…

      Leia o comentário do Rogério no “post” VOTE NÃO AO PONTAL DO ESTALEIRO, publicado no blog Porto Alegre Resiste, em 20 de agosto de 2009:

      “Estava alheio a esse debate, vi conversas cruzadas outro dia, achei o cara do NÃO igual ao Lulu Santos, ele estraçalhou no debate. Daí que no site de um jornalão da capital vi uma chamada pro blog do SIM, fui olhar e vi uma chamada para fotos assim: Veja a área do ex-estaleiro só: ruínas, ratos e marginais. la fui ver os marginais: crianças brincando, pessoas pescando e uma mulher com um balde na cabeça. Os ratos não vi, talvez seja apenas um prelúdio dos que virão!!! Quanto aos marginais, acho que eles quiseram dizer ä margem do Rio, coisa que depois da edificacção civilizatória não poderão mais frequentar… Vote NÁO e diga a cidade que voce quer.

      ps: veja as fotos no endereço http://portoimagem.wordpress.com/2009/08/12/sim-ao-pontal/

      vale a pena conferir a sensibilidade da galera do SIM.”
      Rogério

      Link: http://poavive.wordpress.com/2009/05/20/vote-nao/

  5. Caro Rodrigo,

    A sociedade de classes estruturou-se em cima da desigualdade econômica, política e cultural. E um de seus primeiros paradigmas foi a separação entre o trabalho manual e/ou braçal e o intelectual. Reservando-se para este último as benesses do reconhecimento público e das remunerações pecuniárias razoáveis (ou exageradas), e ratificando a humilhação do primeiro pelo não reconhecimento de seu valor.
    No entanto, não existe trabalho intelectual que não exija trabalho braçal ou manual para sua concretização, seja do próprio autor seja de terceiros. E não existe trabalho braçal que não seja resultado de um trabalho intelectual de planejamento de ações.
    Foi contra essa divisão de reconhecimentos sociais indevidos, que se levantou a Revolução Cultural Chinesa. Botavam os mandarins de então, a cavar terra e arrancar inços nas lavouras. O que não lhes fez mal algum, porque a experiência humana é feita sob esses dois aspectos: o pensamento e o planejamento da ação, a ação propriamente dita. Do resultado disso sai o produto final: seja ele científico, artístico, político ou social.
    Nosso deslumbramento pelos diplomas universitários (reserva de mercado muito safada boa parte das vezes), nos leva a desprezar quem não fez seu vestibular a pau e corda, nem que saia da faculdade semi-analfabeto, como é tão comum.
    Já fiz uma série jornalística em idos tempos sobre os trabalhos menos considerados socialmente, e da mais alta relevância, como o do gari, e o do coveiro(tenho até um conto publicado em livro sobre um coveiro do cemitério da Santa Casa).
    Agora, me digam, por que uma pessoa tem que ser gari (trabalho duro e fedido) ou coveiro ou auxiliar de necrópsia a tempo integral, sem direito a refri?
    Por que não lutamos por uma sociedade em que essas corvéias sejam assumidas por todos em sistema de rodízio ou sazonalmente?
    A primeira exploração do homem pelo homem deu-se em termos da divisão de trabalho.Depois dessa, vieram todas as outras.
    Tania Jamardo Faillace – escritora e jornalista
    a última (?) dinossaura vermelha

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