Em 1989 não teve revolução, mas sim, ELEIÇÃO

No dia 15 de novembro de 1989, os brasileiros votaram para presidente pela primeira vez após o fim da ditadura militar. A última eleição direta acontecera em 1960: foi o mais longo período sem eleições diretas para a presidência do Brasil desde que o país se tornou uma república – exatamente 100 anos antes do pleito de 1989.

Era a primeira eleição regida pela Constituição de 1988, que previa a realização de um segundo turno entre os dois candidatos mais votados caso nenhum obtivesse mais de 50% dos votos válidos. Foi o que aconteceu em 15 de novembro, e por isso, foi marcado um segundo turno para o dia 17 de dezembro entre Fernando Collor de Melo (PRN) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

No dia 14 de dezembro, foi realizado o último debate antes da votação – sim, aquele do famoso resumo manipulado pela Globo. Eram outros tempos: havia um entusiasmo geral por se poder votar para presidente, após tantos anos de ditadura. Bem diferente dos dias de hoje, quando a maioria só vota por obrigação, e não falta gente para dizer “são todos iguais!” – sem, é claro, deixar de votar nos direitosos de sempre.

Só um aviso: cuidado para não tomarem um susto no final do vídeo abaixo, caso o assistam todo… É o início do Jornal da Globo exibido logo após o debate. A parte referente à eleição vai até 4:43.

No dia do segundo turno, Lobão se apresentou no programa do Faustão e pediu votos para Lula. Era programa ao vivo, não teve como ser tirado do ar pela Globo…

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Ano passado, escrevi um outro post sobre a eleição de 1989. Clique para ler.

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4 comentários sobre “Em 1989 não teve revolução, mas sim, ELEIÇÃO

  1. Em 1989, o eleitorado brasileiro era constituído de pessoas que ou já estavam desacostumados da democracia ou então sequer a conheciam. Naquele tempo, a Rede Globo, filha favorita da ditadura militar, não se limitava a influenciar as decisões da massa, na verdade ela determinava a decisão que o povo deveria tomar. Era assim. Hoje já não é tanto. A campanha pró-Collor iniciou bem antes de sua candidatura, num falso Globo Repórter que o apresentou como um homem íntegro, um grande governador, ‘O Caçador de Marajás’. Naqueles dias quase todos acreditavam que o tal Globo Repórter fosse um programa jornalístico, ainda hoje há quem não tenha entendido que aquele é um espaço comercial, que pode ser comprado assim como o Fantástico. O mal da propaganda inserida nesse tipo de programa, que o povo julga ser jornalístico, é que a publicidade ganha ares de notícia, de fato, de verdade. Existem muitas pessoas que só conseguem distinguir a propaganda da notícia, quando a propaganda passa durante os intervalos comerciais. Até hoje é assim.
    Não foi bom para o Brasil que Collor tivesse sido eleito – isto ninguém discute – mas talvez tenha até sido melhor assim. Não para nós, mas para o próprio Lula. Em 1989 o povo não estava pronto para votar – tanto que votou em Collor – porém acredito que talvez Lula também não estivesse pronto para ser o superpresidente que hoje é. O ‘Lulinha paz e amor’ que foi eleito em 2002 é um cara infinitamente mais experiente e pronto do que o ‘Sapo Barbudo’ que foi rejeitado pela Globo em 89.
    O Lula, o nosso Lula, é um dos mais preciosos frutos produzidos em toda a História desta terra verde e amarela, mas creia, em 1989, talvez ainda não estivesse ‘no ponto’.
    Pense: perdemos muito tempo com Collor, Itamar e FHC, mas o Lula, amadurecido e pronto, recuperou todo o tempo perdido e, de quebra, ainda adiantou o serviço de Dilma, a próxima presidente.
    Concordo contigo, em 1989 não houve revolução, mas concordes comigo, Lula, no momento certo, revolucionou, como nunca antes na História deste país, a maneira como elegeremos nossos próximos presidentes. Vamos elegê-los pelo voto, não será mais pela TV.

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  3. Eu, ainda hoje, prefiro votar em um “Sapo Barbudo” do que em um “Paz e amor”.

    De 1989 para cá, Lula “amadureceu” tanto que apodreceu! Vejamos:

    Lula faz um governo corrupto (virou amigo do “caçador de marajás”, do Sarney, do Renan Calheiros,…), neoliberal (privatizou mais rodovias federais do que o FHC, além de ter privatizado bancos, ferrovias e até a Amazônia), não fez reforma agrária e tem como novos heróis os usineiros e o latifúndio tendo liberado os transgênicos, os banqueiros nunca ganharam tanto dinheiro na vida e ano que vem vão abocanhar quase 50% do orçamento da União; no plano externo colabora com a política imperialista americana aceitando chefiar a “terceirização” da invasão do pobre Haiti e busca domesticar os processos latinos mais radicalizados (por isso recebeu um prêmio em Londres por “estabilizar” a região).

    É por isso que ele “é o cara” para o imperialismo e até a RBS diz, em sua propaganda de final de ano, que “este é o Brasil que eles sempre acreditaram”!

    A vantagem que vejo é que a eleição de Lula, ao desmascará-lo, propiciou uma nova etapa da História da luta por uma sociedade justa e igualitária com um processo de reorganização de todos aqueles que têm um pensamento progressista.

    • Ao homem verdadeiramente inteligente não é necessário eliminar seus inimigos, basta que consiga controlá-los, ainda que aos homens comuns, homens como nós (tu e eu), pareça que passaram a andar juntos. Já disse Lula, “o cara”, “o homem que assombrou o mundo”, no dia primeiro de janeiro 2003: “Agora faremos o que é preciso, logo estaremos fazendo o que for possível, fazer o impossível é o destino do povo pobre do Brasil”. Não foram essas as palavras, mas foi esse o sentido do dicurso de posse de Lula, o melhor presidente que eu já vi, embora eu seja apenas um otimista pouco ilustrado.

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