FHC vai ter um troço

O jornal francês Le Monde escolheu o “homem do ano de 2009”. O resultado é idêntico ao do espanhol El País: LULA.

Sinto muita pena do nosso ex-presidente, o doutor FHC. Com tantos títulos acadêmicos, não conseguiu tamanho reconhecimento…

Aliás, o que será que acha disso a classe mérdia que adora pagar pau pra gringo? Inclusive, era exatamente o que fazia o (des)governo FHC, do qual sentem tanta saudade.

Lula conseguiu todo esse reconhecimento sem ter feito o Brasil abaixar a cabeça. A propósito, não foi por isso?

Conforme escrevi em comentário no blog Síndrome de Estocolmo, tanto reconhecimento já está virando até rotina…

7 respostas em “FHC vai ter um troço

  1. Camarada Rodrigo acho que àqueles que têm um senso crítico devem é se questionar o porque de toda essa bajulação da burguesia mundial e até local (já viste a propaganda de final de ano da RBS?) ao governo do “operário” e não se limitar a cair na armadilha de ficar a comparar e “cornetear” o governo do “seis” com o do “meia-dúzia”.

    Devo escrever um artigo em breve sobre isso!

    • Camarada, já me questionei sobre isso também. Provavelmente essa bajulação até da RBS seja fruto da alta popularidade, e eles querem pegar carona…

      Quanto a comparações, acho necessárias, até por causa da probabilidade de um segundo turno entre PT e PSDB ano que vem. Certa vez, foi o Hélio Paz que disse se não me engano, que o Brasil do Lula é nota 4; no tempo de FHC era nota 2. Ou seja: ainda hoje não alcançou a “média medíocre” (nota 5) da qual tanto falava o diretor do meu colégio… Mas hoje o Brasil é menos pior do que 10 anos atrás. Mesmo que o governo Lula não seja nenhuma maravilha, é sem dúvida menos pior do que o de FHC.

      Nunca me iludi muito quanto ao que seria o governo Lula. Já em 2002, imaginava que seria “reformista” e de forma alguma “revolucionário”, como indicava a aliança com o PL. Quase votei no PSTU no 1º turno, mas não resisti à vontade de ver Lula presidente de uma vez. Em 2006, por sua vez, votei no Cristóvam Buarque no 1º turno (por sua proposta de priorizar a Educação, que considero fundamental, mesmo sabendo que ele não tinha a mínima chance), e no 2º votei no Lula para evitar o pior, que seria o retorno dos tucanos à presidência.

  2. Camarada, o Obama disse que o Lula “era o cara”, logo em seguida matérias no inglês The Economist e na alemã Der Spiegel badalando o Brasil e o governo brasileiro. Acha que tudo isso é apenas para pegar carona na popularidade do homem? Se fosse assim então bajulariam Evo Morales que também tem grande popularidade no seu país.

    É óbvio que Lula faz um governo em pró das elites, principalmente os banqueiros (nacionais e internacionais) que só em 2010 vão abocanhar mais de R$ 800 bilhões do Orçamento do governo. O que sobra do banquete ele joga para as camadas subalternas e faz discurso demagógico. Por isso ele é “o cara” para o imperialismo americano que ainda pode apresentá-lo como exemplo de governo de “esquerda” em contraponto aos governos como o de Chávez e de Evo Morales. O “moderno” versus os “primitivos” como diz a própria direita venezuelana.

    Lula e o PT tinham uma plataforma reformista, porém, no governo nem isso seguiram. O Governo Lula é sim um governo neoliberal, reformistas são os governos de Chávez e Morales.

    É por isso que a RBS diz que estamos diante do país que eles sempre quiseram.

    • Claro que esse caráter “conciliador” do Lula pesa muito no apoio vindo de setores sociais dos quais jamais se esperava ver algo assim.

      E também não podemos esquecer de uma importante questão. Lula não governaria o Brasil sem o apoio do PMDB. Diferente do que acontece na Bolívia, onde Evo Morales tem mais apoio (de esquerda) no parlamento, assim como na Venezuela (onde a velha direita boicotou a eleição e ficou sem representação – ou seja, eles têm mais é de calar a boca, se queriam fazer oposição que a fizessem pelos meios legais). Mesmo que o PT se mantivesse o mesmo dos anos 80, o governo Lula não seria muito diferente, justamente pelo PT não ser maioria. Muita gente achou que simplesmente com “o Lula lá” os problemas se resolveriam, e esqueceram de votar em candidatos do PT para a Câmara dos Deputados e o Senado.

      Aqui no RS, o Olívio procurou fazer um governo de esquerda, só que não tinha maioria na Assembleia Legislativa, o que resultou em muitas dificuldades para aprovar seus projetos. E dê-lhe ataques da RBS…

  3. Eu rejeito a tese de que Lula se entregou porque não tinha maioria parlamentar. O PT governou Porto Alegre por 16 anos e o RS sem maioria, e mesmo assim fez governos de esquerda. Chávez e Morales não tinham maioria parlamentar nos seus primeiros mandatos e nem por isso deixaram de realizar mudanças sociais profundas.
    Para que serve essa maioria parlamentar que Lula obteve com mensalão para governar o país? Para aprovar a reforma agrária? Para aprovar a reforma urbana? Para questionar os escorchantes juros da dívida? Não!!! Serviu apenas para aprovar reformas neoliberais como a da Previdência, o novo jeito de privatizar chamado PPPs, a privatização de bancos e estradas, Reuni, etc, etc, etc…

    Li o artigo indicado pelo camarada e acredito que a política externa do governo Lula é ousada sim, mas no interesse do imperialismo americano e da burguesia brasileira.
    No que tange a burguesia brasileira Lula tem feito acordos com outros países (do terceiro mundo em especial) que ampliam os negócios das oligarquias brasileiras como quando “perdoou” dívidas de países africanos com a condição de que aceitassem as empresas brasileiras.
    Com relação ao imperialismo Lula tem colaborado com os interesses do mesmo na região como ao aceitar a “terceirização” da invasão do Haiti (que na época propiciou aos EUA deslocar para o Iraque o contingente que havia dado o golpe de Estado) e buscar domesticar os processos mais radicalizados como quando criou o Grupo de Amigos da Venezuela com os países que apoiaram o golpe contra Chávez.

    É por essas e outras que acho complicado definir Lula e o PT como um “mal menor”. Veja por exemplo o caso do Haiti: podemos dizer que a política externa do Lula para o Haiti é menos pior do que a de FHC?
    E o que dizer do próprio PT gaúcho que disse que era favorável as Oscips mas só votou contra porque era a Yeda? Ou disse com a maior cara deslavada que as PPPs do Lula eram melhores do que as do Fogaça? E pior ainda: apoiaram o Pacto neoliberal “Pelo” RS idealizado pela direita e votaram a favor do empréstimo do Banco Mundial realizado pela Yeda!

    • Em Porto Alegre (assim como no Rio Grande do Sul), o PT não era maioria parlamentar, mas a Frente Popular tinha, proporcionalmente, mais representação do que no Congresso Nacional. Daí ter de procurar apoio daqueles que sempre combatera – isso realmente foi absurdo, DOEU ver o Olívio ser demitido do Ministério das Cidades para no lugar dele nomear um indicado por Severino Cavalcanti. Assim como não justifica, de forma alguma, o mensalão (que alguns insistem em dizer que não existiu).

      Ainda não estou decidido sobre meu voto ano que vem. Mas se com o PT não tá bom, com os tucanos é pior ainda (como podemos ver aqui no RS com a Yeda, e os paulistas estão vendo com Serra), por isso, num segundo turno, não tenho a menor dúvida sobre em quem votar.

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