Gosto é gosto, mas…

Respeito quem gosta do verão, mas não consigo compreender tal opinião. Excetuando, claro, se vier de um morador de rua: deve ser terrível passar na rua uma noite de inverno. Assim como de quem mora em lugares onde há longos períodos de frio extremo (e por favor, não me digam que Porto Alegre é um desses lugares, pois se junho e julho foram frios, também fez 34°C em agosto, naquela tarde em que o NINJA Victor pegou tudo!).

Agora, quem tem teto para se abrigar, por que adorar essa coisa horrível que é o verão de Porto Alegre? Não dá para se mexer muito, que o suor começa a verter! Nem banho ajuda: em geral, serve apenas para tirar um suador e começar outro, assim que fecho a torneira do chuveiro.

E os insetos? Ainda não matei nenhuma barata grande em casa e por isso estou até estranhando, pois em geral a “temporada” delas começa justamente em dezembro. Há ainda os mosquitos, espécie animal mais filha da puta que existe: como não odiar um ser que vai ao nosso ouvido quando estamos quase pegando no sono? E não se pode deixar nenhum doce, nenhuma comida descoberta: as formigas atacam mesmo! Todos esses seres desgraçados se entocam no inverno, têm aversão ao frio.

Tudo, exceto dormir na rua e lavar louça, é melhor no inverno (tá bom, tá bom, levantar da cama também é complicado, mas não dá aquele desânimo de sair de casa, regra nesses dias abafados que nos assolarão pelo menos até março). É muito mais aconchegante: assistir um filme enrolado num cobertor, dormir sem precisar de ventilador, banho diário só para manter o hábito, tomar um sopão, comer fondue e chocolate (ou fondue de chocolate), um café bem quente… No verão, basta pensar nisso para começar a suar!

Até o calor, no inverno é melhor! Primeiro, por saber que ele não deverá durar. Segundo, por ser seco: naquele 16 de agosto em que o Victor pegou até pensamento, mesmo com os 34°C eu não suei devido à baixa umidade (inclusive voltei do jogo a pé, sem problemas); ontem nem sei se a máxima chegou aos 30°C, mas eu parecia um picolé – só não era gelado.

E se o inverno tem risco de gripes e resfriados, ainda assim o prefiro. Até porque costumo pegar poucas gripes, a última foi em setembro de 2001. E o último resfriado foi em março de 2008, culpa de passar muito tempo debaixo do ventilador no máximo.

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E a “grande mídia”? Trata o verão como se fosse a melhor coisa do mundo, faz muita propaganda de praia (a propósito, lá faz menos calor, logo quem gosta de verão não deveria gostar de praia!) e “corpo sarado” (aí o pessoal se machuca porque fez uma porrada de exercícios e não se sabe por que isso acontece tanto). Certo dia, quando eu estragava meus ouvidos ouvia um programa esportivo na Rádio Gaúcha, o locutor comemorava o fim do inverno, dizendo que “todo mundo estava de saco cheio de frio” – que “todo mundo”, cara pálida? A RBS é tão tendenciosa, que não consegue ser imparcial nem para falar do tempo! Que pare com essa balela e assuma seu lado!

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5 comentários sobre “Gosto é gosto, mas…

  1. Rodrigo,

    Acho que tu exageras muito contra o verão. Suar é da natureza e praticar esportes é anos-luz melhor no verão do que no inverno (embora seja uma prática que não deva ser minimizada e nem abandonada em época alguma). O sol em abundância traz vitaminas essenciais à pele. Isso ajuda bastante na longevidade.

    Na verdade, o teu problema maior é com as condições do verão em Porto Alegre, do qual também não gosto – principalmente agora que não tenho dinheiro pra ser sócio de algum clube pra aproveitar piscina, futebol, tênis, sinuca e sauna. Não sei se tu já reparaste em alguma viagem de carro no verão que o ar costuma ser agradável mesmo sob altas temperaturas e que, ao chegar bem perto de POA é que o ar fica abafado. O contraste é claro!

    Da mesma forma, o frio e o inverno que eu suportaria seriam no sul da Europa e no sul dos EUA. Neve não é problema e a temperatura também não, desde que não haja nevascas e que o lugar não seja demasiadamente sombrio. -5ºC c/pouco vento no frio seco da Alemanha tem uma sensação térmica bem mais agradável do que 12ºC em todo o sul do Brasil.

    Nosso problema é com excesso de umidade, excesso de concreto, falta de opções de lazer inovadoras e falta de dinheiro. Essa que é a verdade! ;)

    []’s,
    Hélio

    • Já notei isso. Aliás, basta ir para a praia: lá é muito melhor! Tanto que eu não detesto praia: prefiro viajar para outros lugares, diferentes, mas entre ficar em Porto Alegre e ir para a praia, a segunda opção é sem sombra de dúvidas melhor! A cidade tem muito concreto, criando esse fenômeno conhecido da “ilha de calor”. Por isso quero ir morar numa cidade menor, e de preferência com altitude elevada (onde o ar geralmente é mais puro e menos quente). Pena que não haja no Brasil nenhuma cidade assim com uma universidade na qual valha a pena fazer um mestrado e um doutorado, todas ficam em cidades grandes!

      Quanto ao sol, sei não… Na Escandinávia as pessoas vivem bastante, e lá os invernos são longos e com raras horas de sol. Eu inclusive fujo do sol como o diabo fugiria da cruz (se todos esses mitos cristãos existissem) para evitar um câncer de pele.

      Já as caminhadas que prometi fazer após a monstrografia, decidi adiar para quando estiver menos calor (tomara que haja alguns dias mesmo no verão), e enquanto isso procurarei comer menos. O desconforto causado pelo meu suor excessivo é enorme.

      Já na “falta de opções de lazer”, incluo um Guaíba limpo, no qual eu iria sempre que possível tomar um banho nesses dias quentes. Querem encher a orla de espigões com a balela de “atrair turismo”, e esquecem do fundamental. Por que ficar em Porto Alegre se há lugares onde é possível se refrescar do calor? Inclusive aqui perto, em Itapuã.

      Saudações cordiais e tricolores, de longe porque estou suado… :p

  2. A abundância de vida está diretamente relacionada às grandes quantidades de sol e água. Não seria errado acreditar que cem metros quadrados de Floresta Amazônica fosse capaz de conter mais formas de vidas do que todo o Estado do RS. Nosso estado é muito favorecido pela chuva, mas tem baixa insolação ao longo do ano, o que nos ‘salva’ é o verão. Não leves tão a sério esse período tão curto do ano. O verão não é a “melhor coisa do mundo”, na verdade ele é apenas uma delas. As mulheres, a cerveja, o vinho e o Imortal Tricolor também estão nesta lista.
    A ti e à tua ‘síndrome de pinguim’ restam três alternativas:
    1) abra uma Polar bem gelada;
    2) relaxe;
    3) e a seguir derreta.
    No mais, o outono está vindo. Fique frio (como se fosse possível).

    • Eu tiraria o verão da lista das melhores coisas do mundo e colocaria o inverno no lugar… Cerveja e vinho têm álcool, o que torna seu consumo no frio ainda melhor (aliás, que coisa boa que é uma cerveja bock!); o Grêmio teve suas duas conquistas heroicas de 1983 no inverno (jogou em Tóquio num frio 11 de dezembro); e as mulheres, é bem melhor ficar abraçado nelas no inverno.

      E de fato, o outono está vindo, restam só 87 dias… Isso se o verão não invadir o outono, como costuma fazer.

      Saudações cordiais e tricolores, de longe porque estou suado… :p

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