Ofensa a todos nós

Na segunda-feira, dia 30 de novembro, completaram-se 30 anos da Novembrada, como ficou conhecida uma grande manifestação popular em Florianópolis acontecida quando a cidade recebia a visita do general João Figueiredo, último militar a ocupar a presidência do Brasil. Foi um dos mais importantes protestos contra a ditadura no nosso país.

Porém, o comentarista Luiz Carlos Prates, da RBS, disse no “Jornal do Almoço” de Santa Catarina que a Novembrada foi “coisa de fracassados”. Para ele, o Brasil “só piorou” com a saída dos militares do governo, Figueiredo deu “uma lição de democracia” (E ele morreu pobre, com aposentadoria de general? Leitores, façam seus pedidos para o dia 25, eu sou o Papai Noel!), e não houve repressão e censura, visto que ele não as sofreu (indicativo de que lado ele estava). Pode???

Queria saber de Prates o que acha da crise econômica vivida pelo Brasil que se iniciou ainda na década de 1970 e se estendeu pela seguinte, a ponto dela ficar conhecida como “a década perdida”. Os militares gastaram uma fortuna “construindo estradas”, mesmo que inúteis, como a Transamazônica. E a dívida externa, Ó…

O comentário de Prates é uma ofensa a todos os cidadãos brasileiros, e principalmente aos que lutaram pelo retorno da democracia ao nosso país, muitos tendo que se exilar, ou mesmo perdendo suas vidas. É uma ofensa aos cidadãos que em 30 de novembro de 1979 não se intimidaram e saíram às ruas de Florianópolis para mostrar que as coisas não podiam mais ficar do jeito que estavam.

Abaixo, o vídeo com o comentário infame. Se o leitor tiver estômago, assista.

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Em tempo: esse cara é tão reacionário, mas tão reacionário, que é contra as pessoas andarem de bermuda nas ruas. Se tal opinião já seria absurda em Porto Alegre (que é terrivelmente quente no verão), imaginem na praiana Florianópolis…

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11 comentários sobre “Ofensa a todos nós

  1. Cara, se esse maluco falasse aqui pra SP… Liderança absoluta de audiência.

    • E o pior é que ele é liderança de audiência em Santa Catarina, por ser RBS. Pior ainda, é se muita gente levar a sério.
      Menos mal que é só em SC. Imagina se fosse aí em SP, onde a audiência é muito maior, ou em rede nacional…

  2. Nos tempos da “verdadeira democracia”, quando este gremista de “alma castelhana e digna”,ainda “andava pelas ruas de Porto Alegre, com seu radinho de pilha no ouvido, feliz por não ser molestado”, acredito que ele jamais seria impedido de entrar numa livraria e escolher o livro que mais lhe agradasse. É claro que os livros que as livrarias podiam vender eram selecionados pelo governo, mas, tudo bem, isso não é ditadura. É claro que naquele tempo não havia corrupção, assim como é claro também, que naquele tempo o Papai Noel ainda era vivo.
    Imaginemos o jornalista Prates, nos tempos da “verdadeira democracia”, fazendo um comentário a respeito daquele “governo democrático” que fosse 95% menos ofensivo do que este que faz neste vídeo, certamente, em questão de 30 segundos, deixaria de ser o “jornalista linha-de-frente” que afirma ter sido. Seguramente teria conhecido os fictícios (afinal ele diz que a ditadura não existiu) porões do DOPS e talvez tivesse, hoje, uma visão diferente daquele período. Talvez não tivesse sido molestado (o Cesinha jura que não foi), mas, caso tivesse sido, acredito que ele não teria sofrido muito, pois ele mesmo afirma que a ‘dita’ não era dura. Ele iria resistir bem.
    Concordo que Figueiredo tenha morrido pobre. Afinal, sua coleção de cavalos puro-sangue não deve ter custado pouco. Vai ver acabou empobrecendo mesmo.
    Sei lá, posso estar exagerando, mas negar o período de ditadura no Brasil é, talvez em escala menor, tão grave quanto negar o Holocausto.

    • Concordo totalmente com a comparação entre a negação da ditadura do Brasil com a negação do Holocausto. O problema, é que os responsáveis pela nossa ditadura não perderam uma guerra e não tiveram de enfrentar julgamentos (e serem condenados), diferente do que aconteceu com os que planejaram o Holocausto. Aliás, diferente do que aconteceu na Argentina e no Uruguai, onde não ficaram todos impunes.

    • E eu acabo de descobrir algo muito interessante: esse cara é COLORADO! A gravata “gremista” se deveu à realização do sonho centenário dos colorados, que era torcerem pelo Grêmio!

  3. O pior de tudo isso é saber que ainda existe gente que concorda com as boçalidades que esse indivíduo diz.

  4. Esse cara é um reacionário!
    Mas teve um vídeo que eu recebi sobre ele por e-mail onde ele defende que o povo coloque pra correr os políticos corruptos!
    O Datena (olhem só) foi na mesma linha ao se dirigir aos telespectadores no programa dele, abordando a passividade diante da corrupção: “até quando vocês serão cordeirinhos?”

    Enquanto isso a esquerda domesticada defende a “ordem” e deixa o necessário discurso da mobilização social radicalizada cair na boca de reacionários desse tipo!

  5. Defendo plenamente Luis Prates. O povo é ignorante sim… Somos sugados por este governo corrupto todos dias e ninguém tem coragem de ir contra o sistema e quando isso acontece , como Luis Prates fala, os ignorantes ainda se colocam contra por não entenderem seu ponto de vista..

    Viva Prates !!

    • Uma coisa é ser contra a corrupção (eu também sou!), outra é defender a ditadura baseando-se em mitos…

      Pois a corrupção já existia na ditadura, com a diferença que a imprensa era censurada, e assim não se podia fazer sequer menção a corrupção no governo.

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