No Uruguai, a esquerda se uniu…

E venceu!

A vitória foi em segundo turno, é verdade. Aliás, que lá foi criado por iniciativa da direita, dividida em dois partidos (Nacional e Colorado), que sentiu: mais cedo ou mais tarde, seria derrotada pela Frente Ampla, surgida da união entre os diversos partidos de esquerda do Uruguai. Mas que mesmo assim é uma ótima medida: com o eleito tendo maioria absoluta dos votos, tem maior legitimidade para governar.

Os partidos conservadores já tinham sentido o medo de perder para a esquerda na eleição presidencial de 1994, assim, conseguiram aprovar a mudança das regras eleitorais. E assim, no pleito de 1999, Tabaré Vásquez foi o primeiro colocado no primeiro turno, mas no segundo perdeu para Jorge Batlle, que recebeu os votos tanto de seu partido (Colorado) como dos antigos adversários blancos (Partido Nacional).

Já em 2004, Vásquez venceu, e no primeiro turno, ao receber mais de 50% dos votos. Em seu governo, iniciado em 1º de março de 2005, diminuiu a pobreza e melhorou a situação econômica do Uruguai, após o país passar por grave crise econômica em 2002, com a população saindo às ruas e fazendo panelaços, assim como os vizinhos argentinos.

Agora, José “Pepe” Mujica recebe a incumbência de dar continuidade às ações de Vásquez, que deixará a presidência do Uruguai com altíssima popularidade, no dia 1º de março de 2010. Com legitimidade dada por mais de 50% dos votos – considerados brancos e nulos. Vitória da esperança. Vitória do povo, que tem o poder em suas mãos, em seus corações.

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Uma resposta em “No Uruguai, a esquerda se uniu…

  1. Camarada Rodrigo: a eleição do Uruguai mostrou que segue na América Latina o repúdio da população aos candidatos abertamente identificados com o modelo neoliberal. Essa é uma constatação óbvia.

    Mas do lado de cá da barricada devemos nos questionar que tipo de esquerda que está derrotando a velha direita (e se é que se pode chamar de esquerda esses grupos políticos).
    Do meu ponto de vista o Governo de Tabaré Vásquez foi uma decepção no que tange às transformações sociais que alguém de esquerda almeja! Foi uma espécie de Lula do Uruguai! Não foi por acaso que os socialistas defenderam voto nulo no segundo turno!

    Devemos problematizar essa questão pois até quando ficaremos votando na esquerda domesticada (“evoluída” e “moderna” como dizem as próprias classes dominantes) com a desculpa de que é preciso derrotar a direita? Uma esquerda que depois retira nossos direitos e nos reprime?

    Não adianta dizer que esses governos foram neoliberais mais eficientes que seus concorrentes da velha direita. Queremos o fim do neoliberalismo e não gestores mais eficientes para ele (como é o caso do Governo Lula se comparado ao de FHC).

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