Vexame histórico

São essas palavras que, para mim, resumem o resultado da eleição para o DCE da UFRGS. Ano passado, eu comentei que se a esquerda insistisse na burrice de se dividir ao invés de unir forças através das concordâncias, mais cedo ou mais tarde a direita – que é unida – conquistaria o DCE.

Dito e feito: pela primeira vez na história da UFRGS, seu DCE será de direita. Pode até se questionar um sistema que permite a uma chapa com menos da metade dos votos válidos tornar-se representante de todos os estudantes, mas não culpá-lo. A mudança nas regras da eleição, com a previsão de um segundo turno, deveria ter sido feita antes do início da campanha: mudar agora, só porque a direita ganhou, é golpe.

A propósito, como a chapa vencedora jura que fará uma gestão “apartidária” – no sentido de “neutralidade” (do que duvido muito, sinceramente, ainda mais que um de seus apoiadores não esconde a posição de “direita” da chapa) – fica a sugestão para o ano que vem, quando eu não mais votarei, por estar me formando agora. Será que topam, sabendo que em um segundo turno a esquerda certamente se uniria?

Mas, sendo a eleição em um turno só, a esquerda deveria ter se unido desde antes e formado uma só chapa. Pois foi graças à cisão dos integrantes da atual gestão do DCE – que se dividiram entre as chapas 1 e 2 – que a direitista chapa 3 venceu, por 35 votos de vantagem sobre a segunda colocada, a chapa 1.

Para a esquerda, não é hora de procurar culpados, e sim, de refletir sobre esse vexame histórico. Que aprenda a lição: é preciso unir forças, não separá-las. Caso contrário, a direita só perde o DCE ano que vem se fizer uma gestão completamente desastrosa, a ponto de fazer menos votos que uma das chapas da esquerda desunida.

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19 respostas em “Vexame histórico

  1. 1) É difícil acreditar no apartidarismo da chapa vencedora, pelo fato da vinculação partidária de seus membros. Isso seria mais fácil se uma das chapas de “esquerda” tivesse saído vencedora? PSTU, PSol e PT não se envolvem em política estudantil e não forçariam uma atitude partidária de seus militantes?
    2) A “esquerda” não deveria ter rachado pra evitar a vitória da “direira”. Vale a pena abrir mão de certas convicções em nome da vitória eleitoral?
    3) “Vexame histórico” é o nome que se deve dar ao resultado da vontade da maioria dos eleitores? Mesmo que em número tão baixo, foi a decisão da maioria. Se uma pequena margem de votos não legitima a vitória de ninguém, em 1994 Britto e Olívio deveriam ter ido a 3º turno?
    3) Será que a razão do “vexame histórico” foi apenas o racha? Não terá mais algum caroço nesse angu? Insatisfação de quem teve saco pra ir lá votar (não me incluo nessa: fui um dos que não teve saco pra ir), por exemplo?
    4) Terão os estudantes da UFRGS se tornado menos politizados por não terem eleito uma chapa de “esquerda” (insisto em usar entre aspas; acho esse termo tão anacrônico hoje em dia…)?

    Pensemos…

    • 1) As chapas de esquerda ao menos não procuram enrolar os estudantes com o papo de “apartidarismo”. O que ao mesmo tempo é bom (não esconder de que lado está), mas também é ruim, por priorizarem questões partidárias na formação das chapas, e não ideias comuns.
      2) No sistema atual, ou faz isso, ou corre o risco de perder. Maioria simples proporciona a possibilidade de vitória a quem fizer 34,82% dos votos (como fez a chapa 3). E às vezes, é preciso “dar um passo atrás para depois dar dois à frente”: tivessem priorizado as convicções ao invés da luta contra um inimigo comum, EUA e URSS não teriam se aliado na Segunda Guerra Mundial e Hitler venceria; EUA e URSS deixaram para acertar suas diferenças depois, e por isso Hitler foi derrotado.
      3) Foi um vexame histórico da esquerda, que recebeu 65,18% dos votos (ou seja, a maioria absoluta), mas por terem sido divididos em três chapas das quais nenhuma fez mais do que a chapa 3, perdeu. E eu não disse que uma vantagem pequena deslegitima a vitória de alguém. Inclusive a vitória da chapa 3 é legítima, mesmo sem ter a maioria absoluta: as regras estavam estabelecidas antes da eleição, mudá-las agora é golpe.
      4) Não acho que os estudantes da UFRGS se tornaram menos politizados, assim como não considero anacronismo falar em esquerda e direita.

  2. É.. durma-se com um barulho desses… direita raivosa neoliberal na veia…
    Legal teu blog, achei por acaso, mas muito interessante
    Abs

  3. Pingback: Por que a esquerda perdeu o DCE da UFRGS « Interpretando

  4. O PSOL acha que Lula é igual a FHC e que o PT perdeu o classismo. Pronto. A “m” esta feita. Esquecem os avanços obtidos e a quantidade de gente acessando a universidade, mesmo que seja através do PROUNI. O avanço através das cotas social e racial foi outro avanço. Todos avanços do governo Lula. Agora quem acha que este governo é igual ao do FHC não vai conseguir nunca enxergar qual é a classe que a esquerda estudantil tem que apoiar para as reformas e a revolução. Esta classe que pode mudar o mundo vota Lula. Se enxergarem isto, será possível construir uma unidade tática para melhorar a universidade e o mundo. Senão, voltamos ao fascismo por que os “irmãos de esquerda” não se entendem ou o que é pior, interpretam mal o que acontece no mundo.

  5. Caro Rodrigo,
    Em primeiro lugar, sua analogia utilizando EUA e URSS versus HITLER não foi muito feliz. Segundo, se você quer implementar segundo turno nas eleições do DCE da ufrgs, por mim tudo bem. Mas que tal irmos além, e impedirmos também a reeleição ‘infinta’ de uma mesma chapa, aos moldes do que ocorre na presidência nacional??? Sem direita ou esquerda no poder por mais de 2 anos seguidos!!! Isso sim é pluralidade. E terceiro, será que alguém da esquerda vai algum dia admitir as escandalosas fraudes que ocorreram nas ultimas eleições do DCE da ufrgs? E afinal de contas, porque vocês repudiam tanto a possibilidade de votação pela internet? Vocês têm medo de que?
    Vocês da esquerda não tem jeito, com vcs é 2 pesos e duas medidas.
    São contra qualquer tipo de ditadura mas apoiam alguém como hugo chavez, é o fim da picada!!!
    Abraços e pensamentos mais iluminados pra você!

    • Em primeiro lugar, sua analogia utilizando EUA e URSS versus HITLER não foi muito feliz.
      Por quê?
      Mas que tal irmos além, e impedirmos também a reeleição ‘infinta’ de uma mesma chapa, aos moldes do que ocorre na presidência nacional??? Sem direita ou esquerda no poder por mais de 2 anos seguidos!!! Isso sim é pluralidade.
      Se a gestão é boa, por que não a reeleger? Claro que não deve haver uma concentração de poder nas mãos de uma pessoa – e curiosamente, a chapa 3 tem um presidente, enquanto as últimas gestões do DCE não tinham tal cargo…
      E terceiro, será que alguém da esquerda vai algum dia admitir as escandalosas fraudes que ocorreram nas ultimas eleições do DCE da ufrgs?
      Basta provar a ocorrência das fraudes, que eu reconhecerei.
      E afinal de contas, porque vocês repudiam tanto a possibilidade de votação pela internet?
      Onde eu disse que repudiava a votação pela internet?
      Vocês da esquerda não tem jeito, com vcs é 2 pesos e duas medidas. São contra qualquer tipo de ditadura mas apoiam alguém como hugo chavez, é o fim da picada!!!
      Interessante ditador esse Hugo Chávez, é tão ditador que frequentemente convoca plebiscitos para ouvir a voz do povo… Fernando Henrique Cardoso, um grande democrata, aprovou a emenda da reeleição sem plebiscito nem referendo.
      Abraços e pensamentos mais iluminados pra você!
      Esse é meu desejo para ti. :p

  6. Pois é. Será que 40 anos de um mesmo grupo no comando não é algo digno de crítica? Talvez não, se pensarmos que esse grupo ficou tanto tempo no poder através do voto, tal qual o novo grupo que está chegando.

    • Claro que um grupo que fica 40 anos no poder pelo voto deve ser criticado, assim como aquele que fica só um. A crítica não deve ser feita pelo tempo, e sim, pelas ações, pelas medidas tomadas.

  7. A pior coisa que poderia acontecer no Movimento Estudantil atualmente, a direita ganhar o DCE/UFRGS, ocorreu. O ME combativo do RS perde a referência hitórica que a entidade ainda tinha, independente das suas divergências internas. Aguardamos as análises das chapas 1 e 2 quanto ao resultado da eleição e esperamos que estar na oposição mostre que disputar cargos não é o critério exclusivo numa construção coletiva.

    “Só os mortos não fazem auto-crítica” (Mariguela)

    Saudações de luta!

  8. Parabéns camarada Rodrigo: acabou de ganhar a audiência dos “novos” neoliberais e neocons do capital presentes na Ufrgs!

    – Àqueles que adoram exaltar as benesses do mercado mas na hora “aga” vão estudar em instituição pública para não precisar pagar mensalidade;
    – Àqueles que se dizem “apartidários” mas têm mebros filiados a partidos;
    – Àqueles que dizem que vão defender os interesses dos estudantes mas que, apoiados no seu “apoliticismo” e “apartidarismo”, não vão mover uma palha contra os ataques do desgoverno Yeda e Lula contra a educação pública;
    – Àqueles que atacam os “militantes” mas fizeram o que na campanha senão militância?

    Os tatata…ranetos ideológicos de Adam Smith, John Locke, Tocqueville, entre outros são tão contraditórios quanto seus ídolos ideológicos. Adam Smith, por exemplo, gostava de exaltar as benesses do mercado mas não vacilou em descolar umas boquinhas públicas no odioso Estado perdulário! Mas eles pelo menos não escondiam o seu caráter de classe!

    Em homenagem aos teus novos leitores deixo este texto que escrevi há um tempo atrás: KKK

    Ser neoliberal e de direita é:

    – Defender a propriedade, mas invadir territórios de outros povos.

    – Condenar o nacionalismo para se apossar dos recursos naturais dos outros. Mas invocar o nacionalismo quando os povos querem controlar e desfrutar das riquezas naturais que foram entregues.

    – Considerar os investimentos em saúde, educação e previdência como “gastos”.

    – Alegar que o Estado não tem dinheiro e que por isso é preciso privatizar as estatais, mas comprar as empresas públicas e investir com dinheiro desse mesmo Estado “falido”.

    – Exaltar a democracia, mas ter apoiado as ditaduras militares.

    – Falar de liberdade de expressão, mas defender a restrição ( e até a supressão ) de movimentos democráticos reivindicatórios.

    – Chamar presidentes eleitos de ditadores e golpistas de democratas.

    – Chamar o Estado de ineficiente e exaltar a “eficiência” dos mercados, mas recorrer a esse mesmo Estado quando a eficiência dos mercados falha.

    – Taxar de privilégios as conquistas sociais obtidas com luta.

    – Criar adjetivos pomposos para ocultar o caráter impopular das suas medidas. Ex: flexibilização das leis trabalhistas.

    – Considerar retrógrada qualquer proposta alternativa e propalar modernidade de um modelo que ruiu em 1929.

    • Pelo amor de deus noguerinha. Pra que tanto rancor no coraçãozinho. Chega de hipocrisia, grande parte da tecnologia, desenvolvimento e evolução como um todo, só foi possível graças a concorrência ferrenha proposta pelo sistema capitalista. Então vamos parar com esse espírito de “povo unido contra a burguesia” por que fazendo isso, só demonstra tua total incapacidade de analizar criticamente a evolução do ser humano.
      Pensa nisso quando botar esse AllStar bonitinho no teu pé, ou for comer um big Mac que tu tanto gosta seu pseudo-esquerdista-de-segunda! Abraço.

      • Marcelo, interessante que ao invés de responderes ao comentário que escrevi semana passada, em resposta a um outro teu, preferiste atacar o Jorge Nogueira.

        Como ele é frequentador assíduo do blog, em breve responderá a este ataque, mas não vejo “rancor” algum no comentário dele. Sinceramente, rancor é o que vejo em pessoas que não aceitam críticas ao “status quo”, que não acreditam em uma sociedade mais solidária e menos individualista, só acreditam que trabalhando muito se pode enriquecer e que os pobres são vagabundos que não querem trabalhar.

        Quanto ao “big mac”, por favor, seja mais criativo… Até porque eu, pelo menos, detesto aquela porcaria: não por ser estadunidense (afinal, nem tudo o que é de lá é ruim), e sim, por ser cara e ruim.

        • Rodrigo,
          Não respondi teu comentário porque não julguei necessário, expus minha opinião, tu contra-atacou, e não me senti desistabilizado em nada, não acho que tu tirou o peso dos meus argumentos, simplesmente por isso. Realmente não tenho como provar as fraudes, e nem vou tentar perder meu tempo tentando, afinal, algo bem mais divertido esta por vir. O novo DCE estará tomando posse, e a primeira coisa que será feita vai ser uma AUDITORIA nas contas. Vamos ver onde irá parar o discurso pluraritário do senhor RODOLFO, quando os desfalques do DCE forem expostos! Acreditem, andei fazendo uma sondagem e tudo indica que a coisa vai ficar feia pra ele e pra todos que defendem a imagem de esquerda imaculada! Se ele pode invadir a casa da governadora, alegando desvio de verbas públicas, suponho que poderemos fazer o mesmo na casa dele.
          Não sou um matador de comunistas, só não tolero hipocrisia por parte de alguns individuos da esquerda! E por favor Rodrigo, vir falar de plebiscitos quando o assunto é hugo chavez!!!!! Tu é louco??? Por favor, uma dica, nunca tente defender hugo chavez falando sobre plebiscitos, em qualquer debate que tu venha a fazer na tua vida, senão a única coisa que vai conseguir é uma vaia generalizada, plebiscito?! O honrado hugo chavez simplesmente fez plebiscitos consecutivos até conseguir finalmente obter o ‘SIM’ a sua tão almejada reeleição, que processo democrático é esse??? ‘Vocês disseram NÃO pra mim? Então ficaremos repetindo esse pebliscito até o meu SIM aparecer. E viva o povo!!!!’ Por favor Rodrigo, com essa tu mereceu um: ‘Porque no te cálas!!!’ Abraço!

          • “Por que no te callas”? Eu é que poderia ter feito isso, poderia ter apagado o teu comentário e tu não queimaria o teu filme com as bobagens que escreveste.

            O que tu tens contra a democracia (plebiscitos)? Ora, o povo já tinha rejeitado uma vez a proposta do Chávez, poderia ter rejeitado de novo, né? Inclusive, se eu fosse venezuelano, teria votado NÃO, mesmo sendo favorável ao Chávez, até porque com a possibilidade dele se reeleger indefinidamente (e não só ele, como os prefeitos e governadores DE OPOSIÇÃO), haverá uma “acomodação” e não surgirá ninguém no partido de Chávez para sucedê-lo.

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