Mais sobre pontos corridos x “mata-mata”

Mais dois ótimos textos a respeito da tentativa da Rede Globo de impor suas vontades sobre o futebol brasileiro:

  • O primeiro é do Hélio Paz, que relembra inclusive um post escrito por ele mesmo em outubro de 2007 sobre a fórmula e lembra que a credibilidade de um campeonato depende fundamentalmente da sua regularidade – e é o que vem acontecendo com os Campeonato Brasileiro, desde 2006 com o mesmo regulamento: pontos corridos, 20 clubes e rebaixamento de quatro equipes. Número de vagas à Libertadores é algo que não depende somente da CBF, embora também não tenha sofrido alterações desde então;
  • O segundo, que foi citado pelo Hélio também, é do Bruno Coelho, no Grêmio 1903, que considera o retorno do “mata-mata” como um retrocesso para o futebol brasileiro (e de fato, é), e também detona alguns mitos contra os pontos corridos, como a tal “falta de emoção”.

Os dois apresentam bons argumentos a favor dos pontos corridos. Já em favor do mata-mata, o que existe? Só os interesses comerciais da Globo, que deseja conquistar a esmagadora maioria da audiência brasileira em uma tarde de domingo, transmitindo a “grande final”.

Espero que a CBF, que merece muitas críticas, desta vez faça por merecer um elogio e não se curve à Globo. Inclusive na questão dos horários dos jogos: o presidente Ricardo Teixeira deseja que no Brasileirão 2010 os jogos no meio de semana comecem às 20h, e não mais às 21h ou 21h45min – o último é o horário da transmissão da Globo, depois da novela, reservado aos jogos “mais imporantes”.

Jogos às 20h são muito melhor para o torcedor, já que terminariam por volta das 22h (exceto se fossem eliminatórios, onde haveria a possibilidade de prorrogação ou pênaltis), horário em que ainda há uma boa disponibilidade de linhas de ônibus. Para se ter uma ideia, em jogos da Libertadores que fui gastei uma nota em táxi porque a partida terminou à meia-noite e perdi o último T5, que só conseguiria pegar se saísse rápido do estádio e ainda teria de contar com a sorte para não pegar atrolhado – tanto que pego o ônibus algumas paradas antes para que esteja vazio.

Tomara que se dê um passo para diminuir a influência da televisão no futebol, que decide onde, quando e como se joga. É hora de deter a “telecracia”, nas felizes palavras de Eduardo Galeano em seu ótimo livro “Futebol ao sol e à sombra” (L&PM, 2002, p. 195):

No Mundial de 86, Valdano, Maradona e outros jogadores protestaram porque as principais partidas eram disputadas ao meio-dia, debaixo de um sol que fritava tudo o que tocava. O meio-dia do México, anoitecer da Europa, era o horário que convinha à televisão européia. O arqueiro alemão, Harald Schumacher, contou o que acontecia:

– Suo. Tenho a garganta seca. A grama está como a merda seca: dura, estranha, hostil. O sol cai a pique sobre o estádio e explode sobre nossas cabeças. Não projetamos sombras. Dizem que isto é bom para a televisão.

2 respostas em “Mais sobre pontos corridos x “mata-mata”

  1. Concordo contigo em quase tudo o que escreveste. Mas a meu ver, no quesito emoção, as duas fórmulas são incomparáveis.
    Pontos corridos não têm graça.
    Pode parecer a nós, gremistas, que o campeonato de 2008 foi muito emocionante, mas isso só se deu por culpa do próprio Grêmio que depois de abrir oito pontos sobre o segundo colocado, começou a desandar e manteve nossos corações aflitos e esperançosos até a última rodada, quando então perdeu para o quarto colocado, de quem chegou a estar onze pontos a frente. O mesmo está ocorrendo neste ano, o campeonato só se mantém ainda em disputa por pura incompetência do Palmeiras.
    No mata-mata sempre haveremos de ter dois jogos finais.
    E o Monumental sempre fica lindo nas finais. Até nas finais já perdidas como aquela contra o Boca.
    Abraços. Bom Grenal pra nós, com final feliz e tudo.

    • Eu já acho que tem graça, justamente pelo que aconteceu ano passado. Na última rodada, havia muito em jogo: além da definição do título, tinha também as vagas à Libertadores, à Sul-Americana e a briga contra o rebaixamento (ainda restavam dois lugares na zona da morte).
      Concordo que o Monumental sempre fica lindo nas finais – aliás, ele JÁ É lindo, mas a massa tricolor deu um espetáculo à parte naquela final contra o Boca. Mas justamente, em se falando de finais, já existem vários campeonatos com finais. Algumas valem muito pouco, como a do Gauchão. Mas há também a Copa do Brasil, e a Libertadores (quando o Grêmio se classifica).

      Abraços e bom Gre-Nal (espero que ganhemos, mas sei lá por que esse jogo tá com cara de 0 a 0…)

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