Seja feliz: fracasse!

O Carlos Gerbase escreveu um texto sensacional no blog dele, que vale a pena ser lido.

E mais, faz pensar em como o chamado “sucesso” é artificial. Afinal, considera-se bem-sucedida a pessoa que se encaixa em um modelo predeterminado, de que é preciso ter isto, isso e aquilo. Quem não tem, é inapelavelmente rotulado como “fracassado”.

Como o Gerbase diz, o bem-sucedido atrai bastante gente. Todo mundo quer ser “amigo” dele. Porém, isso acaba no momento em que o fracasso começa a dar as caras. E aí ele percebe que os verdadeiros amigos eram aqueles de antes do sucesso, que provavelmente ele abandonou por ter de andar com “gente do seu nível”.

O bem-sucedido tem muitas mulheres à sua volta naquelas festas chatas em que só entra “gente de categoria”, provavelmente com peitos siliconados do tamanho de melancias. Mas, se o sucesso passar, também desaparecerão – tanto as melancias como os convites para as festas.

Aí será tarde demais para o ex-bem-sucedido perceber que era mais feliz nos tempos em que convivia com aqueles amigos fracassados.

Pois enquanto o bem-sucedido estava pensando em como obter mais sucesso, o fracassado bebia cerveja com os amigos de verdade. Tentava fazer algo que desse certo, que acabasse com a sequência de fracassos, mas, claro, se ferrava de novo. O que não era sinônimo de desistência: como escreveu o Gerbase, “um verdadeiro fracassado não se deixa abater”.

Acostumado com o fracasso, nem o temia mais. Enquanto isso o bem-sucedido passava noites sem dormir por medo de fracassar.

8 respostas em “Seja feliz: fracasse!

  1. A primeira tentativa de enviar um comentário foi fracassada, pois ficou imcompleto, por isso estou comentando de novo.

    Fracasso, como a própria palavra indica, é sinal de fraqueza, coisa de gente fraca. Só os fracos fracassam. No entanto, fracassar várias vezes e, a cada vez reerguer-se, apenas para que mais uma vez seja possível fracassar, convenhamos, só os MUITO fortes conseguem. Então, qual é o segredo? Onde está a força? Chegar ou não ao sucesso pode ser uma simples questão de sorte, de berço ou de oportunidade. A verdadeira força está na capacidade de jamais desistir, jamais acreditar que já foi vencido. Mais ou menos como o Grêmio do Felipão, no tempo em que acreditávamos na pegada.
    Abraços e vitória amnhã, se Deus quiser.

    • “A primeira tentativa de enviar um comentário foi fracassada, pois ficou imcompleto, por isso estou comentando de novo.”

      Pra ver só, o primeiro comentário foi um FRACASSO, não desististe, e agora ele está aqui publicado, hehe… (Inclusive só publiquei o segundo porque o primeiro tava incompleto.)
      De fato, aquele Grêmio do Felipão, às vezes fracassava, porém sempre dava esperanças de vitória. De certa forma eu tenho esperança de uma vitória sobre o Botafogo. O problema, é que em caso de derrota eu perco a esperança: pô, se não ganhar do Botafogo, aí fica difícil ganhar de qualquer outro time fora de casa…

  2. Pingback: Twitter Trackbacks for Seja feliz: fracasse! « Cão Uivador [caouivador.wordpress.com] on Topsy.com

  3. Acho q ñ se pode falar de sucesso e fracasso abstraindo o conjunto social do qual fazemos parte. Assim devemos perguntar: o q é ter sucesso na nossa sociedade? É ter dinheiro? Mas e àqueles q se dedicam a funções q ñ são valorizadas economicamente na nossa sociedade (tipo historiadores, antropólogos, sociológos,…), são bons no q fazem, mas ñ têm dinheiro? Seriam eles fracassados?

    Ser fracassado seria ser desqualificado? Mas e o caso do homem mais rico do mundo, o mexicano Carlos Slim q tem uma empresa de telecomunicações, e afirmou em entrevista q mal sabe mexer em computador e tem empregado até para acompanhar suas ações na bolsa?

    E na atual crise financeira? Quem são os fracassados? Os trabalhadores q estão sendo demitidos ou os empresários q para ñ quebrar de vez estão a ser socorridos com o dinheiro dos impostos desses mesmos trabalhadores q estão a ser demitidos?

    É preciso ter mto cuidado para nesse conceito de fracasso e sucesso ñ estar a reproduzir um discurso dominante malicioso. Discurso q mtas vezes visa transferir para o indivíduo a culpa dos problemas estruturais os quais é de responsabilidade da própria organização societária.
    Por exemplo: se em um país com uma taxa elevada de desemprego vc está parado o discurso dominante diz q é pq o vc ñ se qualificou, ñ estudou e blá-blá-blá. Claro eles ñ podem dizer q o desemprego é estrututral do nosso sistema econômico senão o povão vai se mobilizar para mudar o sistema econômico e não ficar deprimido em casa pq é um “fracassado”.

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