Amor à venda

No desespero de demonstrar que existe gente com coragem de apoiar o (des)governo Yeda – não esqueçamos que no Rio Grande do Sul tem gente que votaria no diabo (se ele existisse) contra o PT – o PSDB acabou marcando “gol contra”.

Durante o ato contra o (des)governo – e também contra uma eventual posse do vice Paulo Afonso Feijó, que é o previsto pela Constituição em caso de impeachment – algumas pessoas, no acesso à Assembleia Legislativa do Estado, balançavam bandeiras de plástico do PSDB e exibiam faixas em apoio à Yeda. Porém, o entusiasmo era tanto…

Fez lembrar a campanha eleitoral de 1998, quando não poucos “militantes” do Britto sacudiam as bandeiras apenas porque eram pagos para aquilo. Na urna, digitaram o 13 do Olívio. A militância petista, na época, era feita apenas no amor.

Foi na eleição municipal de 2004, se não me engano, que a coisa começou a mudar – pelo menos aqui em Porto Alegre. Naquela campanha, não bastasse a aliança do PT com o PL – que vinha desde 2002 em nível nacional – ainda tive de digerir o fato de pessoas receberem dinheiro para sacudirem bandeiras do PT pelas ruas da cidade. Algo que eu sempre fazia “de graça”.

A campanha de 2004, a última antes de vir a público o escândalo do mensalão, foi a última na qual saí para a rua com bandeira do PT, em apoio ao Raul Pont. Não estava satisfeito com os rumos tomados pelo partido, mas fiz um esforço para tentar impedir que Porto Alegre caísse nas mãos da velha direita. Não adiantou nada, e o Fogaça ganhou.

Cheguei a usar adesivos do Olívio em 2006, e foi só. Não me senti mais empolgado a sair para a rua com a bandeira. Isso foi tarefa para os “militantes pagos” cumprirem com todo aquele entusiasmo.

Em 2008, nem sequer adesivo usei, na campanha política mais chata da história recente de Porto Alegre. Votei na Maria do Rosário, por falta de opção: no 1º turno para não correr riscos de deixar a Manuela (com o Britto Berfran) passar ao 2º, e depois porque entre Fogaça e Maria do Rosário, eu não tinha dúvidas do que seria melhor (ou menos pior?) para a cidade. Assim como em 2004, não adiantou nada: o Fogaça ganhou de novo.

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7 respostas em “Amor à venda

  1. Camarada Rodrigo: na verdade antes mesmo de 2004 qdo mta gente apoiava o PT por convicção, alguns candidatos das correntes mais à direita, já utilizavam militantes pagos.

  2. Não devia ter apenas CCs e gente paga ali. Podia ter gente “convidada” a participar para não perder o emprego (a direita faz isso com estagiários e até trabalhadores terceirizados que trabalham nas empresas públicas).

    Os golpistas em Honduras têm feito atos assim: os trabalhadores são “convidados” à participar para manter seus empregos.

    Embora a burguesia gaúcha ainda tenha alternativas à direita, ela dificilmente torcerá o nariz para a candidatura socialdemocrata de Tarso Genro. A socialdemocracia, o setor historicamente oportunista da esquerda, é evocado nos momentos de crise política das representações mais autênticas das classes dominantes para com a sua influência no movimento dos trabalhadores aprofundar um programa de interesse do capital ao passo que ataca os direitos da classe trabalhadora.

  3. Acho que finalmente encontrei o meu lugar nesse site,no mundo de política. Mas,não desanimemos não,mais vale um pt adulterado que a direita legítima. Embora reconheça que não vou votar no tarso,se Deus quizer,vou votar e ajudar a eleger a Dilma,com a mesma esperança do primeiro mandato do Lula. Não que não goste do governo dele,que tem resultados,eu diria que ele é treinado pelo Felipão,pois,pode jogar mal,mas,sai campeão. Aí é que me vem essa reanimação,muito desse sucesso se deve ao trabalho dela,a Dilma,a esperança é que jogue bem e seja campeã. Sem defender sarneys da vida,por exemplo.

  4. Júlia acredito que não devemos cair nessa armadilha de ficar entre a velha direita carcomida e uma esquerda adulterada. Temos que avançar senão estaremos perdidos!

    A História mostrou que muitas vezes uma esquerda adulterada é mais prejudicial à classe trabalhadora do que a velha direita. Por que? Pela influência que ela exerce na classe trabalhadora.

    Em 1919, por exemplo, o SPD (a esquerda adulterada alemã) foi cúmplice do assassinato da Rosa Luxemburgo. Hoje a esquerda adulterada européia é o principal agente do neoliberalismo na Europa e colabora nas guerras imperialistas dos EUA e da Inglaterra.

    No caso brasileiro qual foi a primeira reforma do Governo Lula? A Reforma privatista da Previdência que FHC não conseguia mais fazer por falta de base social.
    Parou por aí? Não! Lula privatizou alguns bancos que estavam federalizados frustrando a esperança daqueles trabalhadores de que com a eleição do ex-operário teriam o processo interrompido.

    Tivemos ainda como medidas privatizantes a Lei das “Parcerias”-Público-Privadas e a Lei de Gestão das Florestas Públicas (que permitiu a privatização de parte da Amazônia).

    No setor agrário além de não ter sido feita a Reforma Agrária houve ainda a aprovação dos transgênicos, a legalização da grilagem de terras e me parece que está em vias de aprovação um projeto que aumenta ainda mais a concentração de terras no país.

    Tudo isso – e mais um “pouco” – feito por uma esquerda adulterada. Significa que eu esteja dizendo que então você deve votar na direita carcomida? Eu jamais indicaria um absurdo desses!
    O que estou é demonstrando que muitas vezes o “mal menor” pode se transformar no “maior dos males” e alertando de que não devemos ficar limitados à um “beco sem saída” onde votamos eternamente em uma esquerda adulterada para derrotar o projeto da direita sendo que o que essa esquerda adulterada vai fazer é exatamente manter e aprofundar o projeto da velha direita – ou não é isso que está fazendo o Governo Lula?

    Precisamos nos organizar, nos mobilizar para romper essa falsa polarização!

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