Honduras, por Latuff

Golpe_Honduras___Latuff

Falei muito sobre as gripes (A e Y), e lembrei que me esqueci (lembrar que me esqueci é boa) de Honduras nas últimas semanas. Onde os golpistas continuam a usurpar o governo das mãos do presidente legítimo, José Manuel Zelaya.

O que não é visto com maus olhos pela mídia corporativa, que odeia Hugo Chávez e seus aliados – caso de Zelaya. E sonha com outros golpes pela América Latina, para “destituir” governos que não sejam de seu agrado.

Anúncios

2 respostas em “Honduras, por Latuff

  1. E tem direitonto que ainda tenta dar legalidade ao golpe, mesmo depois que um Coronel golpista reconheceu em coletiva de imprensa que eles burlaram a Constituição para destituir Zelaya!

    Pois eu, ao contrário, provo por A + B, citando artigos da Constituição de Honduras que quem rasgou a legalidade do país foi a Suprema Corte, o Congresso e os Militares.

    É bom lembrar que Zelaya não é nenhum bicho-papão como alguns tentam pintá-lo. Sequer de esquerda é! Apenas fechou um acordo com Chávez (e qtos capitalistas ñ têm acordos com Chávez?) e buscava fazer uma consulta popular amparada na Lei de Participação Cidadã aprovada em 2006 que por sua vez está em consonância com a Constituição do país!

    O golpe em Honduras mostrou mais uma vez o tamanho da histórica intransigência das elites latino-americanas que nunca aceitaram ceder uma vírgula de seus privilégios em tempos anteriores e que piorou hoje em tempos de neoliberalismo (onde nem as elites dos países centrais aceitam ceder).

  2. Golpe consumado

    O golpe de Estado em Honduras pelo menos ajudou a sepultar a constrangedora campanha publicitária da “Gloriosa” iraniana. Sintomática e previsivelmente, os inimigos ocidentais de Ahmadinejad mostram-se cautelosos em relação à democracia hondurenha. Nem sempre a mitologia libertária serve a todos os interesses em jogo.
    Resta pouco a acrescentar às origens e aos desdobramentos da deposição de Manuel Zelaya. Trata-se de uma reedição bem-sucedida do levante contra Hugo Chávez, de 2002, na Venezuela: imprensa, partidos políticos e associações empresariais unidos no levante autoritário, oscilações determinantes das Forças Armadas, letargia de grande parte da sociedade e algum belicismo das minorias atuantes.
    Golpe de feitio tradicional, portanto, e também no discurso pseudo-legalista dos revoltosos. Sempre há perigos a combater, um interesse nacional a salvaguardar. Os comunistas de nosso 1964 viraram os atuais vilões do Eixo do Mal – substituídos, para o folclore tropical, pelo coronel venezuelano. E novamente a defesa da “democracia” serve como justificativa para destruí-la. O apoio popular legitima o golpe, não a mudança constitucional proposta por um presidente eleito. Governantes podem ser depostos, mas nunca reeleitos, pelo clamor das ruas.
    Um aspecto incômodo da cobertura jornalística é a simpatia concedida aos silêncios (omissões?) de Barack Obama. As ambigüidades do episódio hondurenho sugerem cautela. Não há razões para acreditar que o governo dos EUA deixou de apoiar, direta ou indiretamente, sabotagens contra adversários. A proximidade dos golpistas com antigos funcionários da Casa Branca deixa pouco espaço para dúvidas.
    Acusações inócuas e sanções paliativas alimentarão o antiamericanismo da população hondurenha, fortalecendo a posição do governo provisório e mantendo o chavista Zelaya afastado até as eleições de novembro. Eis a saída cômoda (e irrevogável) para os lados mais fortes envolvidos.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s