Fora da rota prevista

Ainda bem que tenho o hábito de ler posts “antigos” nos blogs que costumo visitar… Ao contrário dos ignorantes por querer, dos quais a Têmis Nicolaidis fala em um ótimo texto publicado no Alma da Geral em 23 de março de 2007. Afinal, para tais pessoas, “antigo” é igual a “velho”, ou seja, “descartável”.

Eu ia comentar “com mais de dois anos de atraso” – me dêem um desconto, que eu me lembre descobri o Alma da Geral em maio de 2007 – mas imaginei que o comentário ficaria tão grande, que seria melhor transformá-lo num post no Cão.

Como o meu post será baseado no da Têmis, leia o dela, antes de continuar a leitura aqui.

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Por certo tempo, me esforcei para seguir algumas das “regras para o sucesso”, que a Têmis expôs. Quando criança, gostava de brincar de carrinho. O futebol não me atraía, já que eu era um perna-de-pau e sempre sobrava na escolha dos times. (Ainda sou podre, mas na época eu não via graça nisso, hoje é que chego até a me orgulhar.)

Por volta dos 11 anos, comecei a gostar das gurias. Porém, não me ensinaram a ser machista, a tratá-las como meros objetos (regra que, infelizmente, é legitimada por muitas mulheres). Talvez isso tenha sido a minha “rebeldia juvenil”: não via motivos para me revoltar contra os meus pais nem contra os meus professores (ainda mais que eu tirava notas altas), então eu o fazia contra a “turma”, que só falava em “baladas” (não usavam ainda tal termo, mas o sentido era o mesmo) e “pegação”, enquanto eu preferia me apaixonar (mesmo que platonicamente) por uma só guria. Hoje olho para trás e percebo que exagerei na dose de paixão (que chegou ao auge no dia que foi o pior da minha vida até acontecer o que parecia ser o verdadeiro apocalipse), mas ao mesmo tempo não me arrependo, pois pelo menos não fui igual a todo mundo – e se pudesse voltar atrás, eu continuaria a não querer saber de “baladas”, melhor um boteco com uma boa cerveja gelada.

Passei no vestibular da UFRGS em 2000, para Física. Era a matéria que eu ia melhor no colégio, e principalmente, eu não queria fazer o mesmo que a maioria da turma: o que saiu de advogado dali… Nada contra tal carreira, mas até que ponto a “vocação” não era uma imposição social? Talvez a minha própria opção também: eu remei “contra a maré” mais uma vez, não queria ser igual aos outros.

Dois anos depois, percebi que Física não era o que eu queria. Larguei o curso, pensei até em tentar conseguir um emprego e não voltar mais a estudar. Mas percebi que não era uma boa abandonar os estudos, e prestei vestibular para Direito em 2003 (para “conseguir emprego”, pode?).

Em 2004, fiz e passei para História na UFRGS, e agora estou a pouco mais de cinco meses da formatura – que considero como sendo a apresentação do TCC, a cerimônia eu acho uma grande bobagem. Considero a carreira acadêmica interessante, tentarei fazer mestrado, mas penso em outras possibilidades de trabalhar com o que aprendi.

Bom, o resto do “caminho de sucesso” eu ainda não alcancei. Mas depois de pegar tantos desvios – fazendo uma comparação, seriam estradas de chão batido mas mais bonitas, ao invés de uma auto-estrada asfaltada, duplicada e reta – eu já estou mais que decidido por não seguir o restante, e faço de tudo para me manter fora da rota.

Afinal, eu vejo amigos meus decididos a seguir tal free-way (sim, tem que ser em inglês, dá mais status!). Vidas confortáveis, mas… Monótonas. Onde o tesão pelo que se faz é substituído pelo simples “ganhar dinheiro”. A rotina ao invés da novidade. A troca do amor espontâneo pelo obrigatório. A aceitação e legitimação de tudo o que era aparentemente contestado na juventude.

Tudo isso para quê?

Para chegarem à velhice e perceberem, tarde demais, que a vida passou, e foi perdida.

Uma resposta em “Fora da rota prevista

  1. Sobre comentário deixado no Dialógico.

    Pois é, os nossos blogs não são latrinas para que jucões e jubões defequem seus “comentários”. Sempre defendi a idéia q a democracia ñ está nos nossos blogues. Ela está na inernet, onde até esses trogloditas podem criar os seus blogues e colocarem ali o q bem entenderem. Ou até q algum deles resolva meter suas patas sujas na internet e impor a censura, como quer fazer o tucanalha Azeredo.

    Eugênio

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