O maior de todos os mitos

O Idelber Avelar pediu aos ateus que “saíssem do armário”, e citou uma pesquisa que aponta: os que não creem na existência de algum deus são os mais discriminados socialmente no Brasil, junto com os usuários de drogas.

Já acreditei em Deus, fui católico a ponto de rezar antes de dormir, etc. Fiz a primeira comunhão, e só: quando falaram em crisma e eu soube que teria de passar mais um ano fazendo catequese, desisti na hora. Ou seja: eu acreditava, pero no mucho.

Fiz o Segundo Grau (entre 1997 e 1999 ainda era Segundo Grau, né?) em escola católica, o Colégio Marista São Pedro. Antes das aulas sempre se rezava, e eu ia junto, mais por medo de sofrer alguma represália – pura paranoia, pois tinha uma colega que não rezava e tirava notas muito boas. Afinal, os professores não colocavam a religião acima do conhecimento.

Em 2000 passei no vestibular para Física, na UFRGS. É um dos cursos mais desafiadores à religião: afinal, o Big Bang detona o mito da criação do mundo. Não fui longe na Física, larguei o curso em 2002, mas a minha fé religiosa não voltou. E depois que ingressei na História, em 2004, aí sim que ela não voltaria…

Em um de seus textos sobre religiões (que infelizmente não recordo o título exato agora – procurarei!), o sociólogo francês Émile Durkheim fez uma comparação entre a religião e a ciência. Considera ambas como um “sistema de crenças”: assim como na religião, é preciso “ter fé na ciência” – nada mais do que “acreditar nela”. A diferença, é que a ciência admite ter como resposta a um questionamento o “não sei”, e mesmo as ditas “certezas” podem – e devem – ser questionadas; enquanto a religião, ao contrário, sempre tem “explicações totais” para tudo, e dogmas que o fiel jamais deve questionar.

E o dogma maior, sem dúvida alguma, é a existência de um ser superior, fundamento principal da fé religiosa.

Considero-me agnóstico: não creio na existência de algum deus, visto que não é possível provar sua existência, não há evidências. Se não posso afirmar categoricamente a não existência de um ser superior, isso não quer necessariamente dizer que ele exista. E se não há indícios, então provavelmente não existe.

E além disso, se existisse um ser divino, superior a tudo, então no mínimo ele não deveria ter sentimentos humanos, “inferiores”. Não deveria exigir adoração, ficando irado com o contrário: isso é humano, e não divino.

Sem contar que, basta olhar para o mundo e perceber quais são as “razões” que justificam a esmagadora maioria das guerras: a verdadeira motivação é poder, dinheiro. Mas a “desculpa” é a religião: matar alguém por dinheiro “pega mal” – e de fato é uma estupidez – mas se for por religião, aí a coisa muda de figura: lembram do Bush dizendo que “Deus estava com ele”? Assim, ele ordenou a invasão do Iraque em março de 2003, com maciço apoio da população estadunidense…

Há quem acuse os ateus de também serem “dogmáticos”, porque estes têm a certeza de que não existe nenhum deus (como agnóstico, acho que não me cabe tal acusação). Porém, se tem algo que os ateus não são, é exatamente “dogmáticos”: afinal, eles não tentam convencer ninguém a acreditar em algo cuja existência não pode ser provada.

E eu é que não vou impor a alguma pessoa que ela não acredite em algo. Até porque fé não se dá “por decreto”: se crê ou não. Se eu impuser que todos sejam ateus ou agnósticos, eu poderei ser um ditador desgraçado que proíbe a expressão religiosa, mas não conseguirei impedir as pessoas de acreditarem em algum deus. Para que não creiam mais, é preciso que elas entendam o que está por trás das religiões, que nada mais são do que mitos (e mitos são “explicações totais” para determinados fenômenos ou situações, sem fundamentos científicos) que bilhões de pessoas acreditam serem verdades.

Eu creio (haha!) que tenho capacidade de derrubar algumas certezas religiosas de muita gente, mas isso me faria escrever demais aqui – e aí ninguém leria o post até o final (e também tenho fé nisso!). Então recomendo o documentário abaixo, Zeitgeist, que vai além da religião, e ajuda a derrubar muitas certezas.

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11 respostas em “O maior de todos os mitos

  1. Bom, apesar de tudo o que dizem; é impossível existir dogmas ateístas. Por que a condição de ateu, dá-se unicamente pela descrença da força divina; logo, assim como as digitais em nossas mãos, não existem dois ateus iguais, na ONG Ateísta que participo (http://atea.org.br) já encontrei ateus/agnósticos que creêm em espíritos, enquanto outros não, alguns que acreditam que ateus devem ser éticos para com os animais, não comendo carne, e outros que são contra, uns são céticos, outros teêm supertições, alguns são anti-religião e outros são apaziguadores… enfim… não há como definir um dogma para um ateu… para ser, basta não crer… rsrsrsr

  2. Ateu que se preza considera até esse Zeitgeist conto de carochinha.

    A melhor definição de Deus foi dada por Homer Simpson: “é o meu personagem de ficção favorito.”

    Aliás, por que o Deus desses lókis só cura paraplégico, cego e endemonhado? Queria ver ele curar mutilados!

  3. Obrigada por ter postado este documentário. Eu não conhecia. É difícil acreditar em tudo o que ele coloca, mas posso dizer uma coisa: eu sinto essa escravidão, eu consigo ver que ela existe, no entanto, não me sinto forte o suficiente para sair dela. Pode não ser exatamente como o documentário coloca, mas a escravidão que ele tenta mostrar existe, de alguma forma ela está presente na nossa vida todos os dias.
    Enquanto estava vendo o filme, lá pra mais da metade da terceira parte, eu pensei: por que eu não consigo sair desse círculo de escravidão? E na mesma hora respondi para mim mesma: é porque eu tenho medo. Quando o filme terminou, a frase final ficou ecoando na minha cabeça.

  4. Essa escravidão chama-se ideologia, e foi colocada diante dos teus olhos pelos poderosos, para te iludir. Toma a pílula vermelha, ou melhor, leia meu livro, a Ideologia Alemã, e entenderás. Mas se tens medo, toma a pílula azul, compra um carro zero e esquece tudo.

  5. Rodrigo, te aconselho assitir Religulous, GRANDE documentário sobre religião, mais especificamente dúvida sobre Deus e os males das religiões. Inclusive vou escrever sobre ele esta semana ainda. Vale a pena!

    Num arquivo torrent próximo de você.

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