Racismo e xenofobia

Depois que terminou o jogo de ontem, fiquei sabendo (e assisti um pouco pela televisão) sobre a denúncia do volante Elicarlos, do Cruzeiro contra o atacante gremista Maxi López, por injúria racial: o argentino teria chamado o adversário de “macaco”. Na hora, claro que todo mundo lembrou do episódio de 2005 entre o então atacante são-paulino Grafite e o zagueiro Leandro Desábato, do Quilmes.

Se houver provas, Maxi López tem de ser punido exemplarmente, e também dispensado do Grêmio. Afinal, o racismo é um mal que precisa urgentemente ser erradicado, em todo o mundo. E penso o mesmo da xenofobia, “irmã gêmea” do racismo.

Afinal, nessas horas vai aparecer muita gente que, além de acusar toda a torcida do Grêmio de ser racista (e isso não é preconceito também?), começará a dizer que a atitude de Maxi López (se realmente ocorreu) é “típica de argentino”. O que aconteceu em 2005, no episódio do Desábato.

Vale lembrar que o futebol, muitas vezes, é mais do que apenas esporte. Ele pode ser uma espécie de “válvula de escape” para os mais variados sentimentos – como a xenofobia. Em 1969, havia uma crescente tensão entre Honduras e El Salvador, que se refletiu nas partidas entre as seleções dos dois países, válidas pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 1970, e levou a um conflito militar que ficou conhecido como “Guerra do Futebol”, já que o esporte serviu de pretexto.

Algo semelhante ocorreria 20 anos depois, em uma partida pelo antigo campeonato iugoslavo: no dia 13 de maio de 1990, as tensões entre croatas e sérvios entraram em campo na partida entre Dinamo Zagreb e Estrela Vermelha de Belgrado, resultando em violentos conflitos no estádio da capital croata, com várias mortes. Foi uma “prévia” da guerra na qual mergulharia a região dos Balcãs a partir do ano seguinte.

E podemos dizer que não há xenofobia na relação Brasil-Argentina, nem mesmo no tocante ao futebol?

Os leitores lembram de uma infame propaganda de uma cerveja durante a Copa do Mundo de 2006, em que “valia qualquer coisa” para ganhar da Argentina? E de como a “grande mídia”, principalmente do centro do país, fala mal dos argentinos?

Enfim, repito: se houver provas da injúria racial de Maxi López contra Elicarlos, que ele seja punido e mandado embora do Grêmio. Mas, por favor, sem hipocrisia. Rotular toda uma torcida – e também um povo – devido à atitude (da qual nem se tem provas) de uma pessoa, é preconceito também.

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8 respostas em “Racismo e xenofobia

  1. O futebol reflete mto do q é a nossa sociedade ocidental, capitalista, … Nem teria como ser diferente!

    Ainda ñ tenho maiores detalhes sobre o suposto caso de racismo. Mas o Máxi Lopes poderia ser dispensado pelo gol q ele errou na cara do goleiro q foi pior do q os q o Alex Mineiro errou! KKK

    Coitado do grande Autuori com esse plantel!

    • Eu acho que o gol que o Alex Mineiro perdeu foi pior, mas o Maxi realmente não podia ter perdido aquele…
      O fato é que, se o Grêmio fosse o de 2007, eu tinha CERTEZA ABSOLUTA que reverteria o resultado na garra, já que basta 2 a 0. Naquela Libertadores, nas duas vezes que precisou fazer 2 a 0, o Grêmio fez: contra o São Paulo nas oitavas, e o Defensor nas quartas (e ganhou nos pênaltis); contra o Boca era preciso fazer 4, o sonho foi bom enquanto durou, mas eles tinham o Riquelme… Já esse Grêmio de 2009, do ataque que poderia ser o mais positivo da Libertadores (marcasse metade dos gols perdidos, já teria feito uns 40), é difícil… Não é impossível, mas é difícil.

  2. Eu duvido que o Maxi tenha dito o que eles alegam.
    Os caras passaram o jogo inteiro provocando o cara, e não veio um companheiro sequer pra peitar os caras. Isso pra mim foi o mais grave, a evidência da falta de coletividade no Grêmio…

    • Eu também não acredito, ainda mais depois que lembrei de um detalhe: o episódio do empurra-empurra (onde teria se dado a ofensa) foi no fim do primeiro tempo – prova disso é que aparece um jogador do Cruzeiro lançando uma bola na área, para o lado que o Cruzeiro atacava no 1º tempo.
      Por que o Elicarlos não reclamou já no intervalo? É estranho, chega a parecer que alguém “deu a dica” pro cara durante o intervalo, para ele falar à imprensa quando fosse substituído…
      Se porventura for verdade, houver provas, aí é preciso punição severa. Mas só se houver provas.

  3. Rodrigo;

    Peço desculpas aos demais comentaristas, mas estive no jogo, e tenho certeza absoluta que não houve nenhuma expressão de racismo envolvendo os jogadores, sejam do Grêmio ou do Cruzeiro.

    A questão principal, no entanto, não é essa. Fato é que essa “lei do racismo” virou uma grande palhaçada, que só serve para dentro de gramados, e nunca para fora deles. Ou alquém já viu processos por racismo fora de campos de futebol em virtude dessa lei? O clima anteontem estava tão hostil no Mineirão, que xingamentos desse tipo, se todos considerados, transformariam os estádios em tribunais. E, garanto, nós, gaúchos, estávamos sendo mais ofendidos que qualquer mineiro ou negro.

    Outra: alguns torcedores, como consequência óbvia do ocorrido (devido à polêmica que se criou), estão incentivando os gremistas a chamarem os jogadores do Cruzeiro de macacos durante a próxima partida. SOU COMPLETAMENTE A FAVOR! Explico-me: não sou racista, nem separatista, e procuro, dentro das minhas capacidades, controlar meus preconceitos. Só acho que, diante dessa grande besteira que se faz, a ironia e a “falta de respeito” com que essas atitudes merecem ser tratadas é a melhor forma de protesto.

    Eu, como cidadão mais do que como gremista, tenho maiores preocupações com o futuro do meu país dianta de vícios jurídicos, hipócritas e babacas como esse, do que com eventuais punições que o Grêmio possa sofrer.

    E na próxima semana, é Grêmio 2 x 0 Chetaahs (Bambis + macacos).

    Abraço!

  4. Todo mundo sabe q os argentinos chamam os brasileiros de “macacos” e o Máxi Lopes vem dizer nem conhece essa palavra?

    Mas tô irado é com a LDUUUUUUUUUUUUhhhhhhhhhhhhhhhh!!! KKK

    Fora incompetenTITE q nunca deveria ter vindo e só foi contratado devido ao forte “lobby” exercido pela imprensa “vermelha”! KKK

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