Solidariedade a Wladimir Ungaretti

A Folha chamou a ditadura brasileira de “ditabranda”, mas não vai dar um pio a respeito do que acontece nos dias de hoje. Assim como diversos jornais e associações que dizem defender o jornalismo e a liberdade de imprensa mas na verdade defendem é a “liberdade de empresa”.

O fotógrafo Ronaldo Bernardi, da RBS, entrou com processo judicial contra o professor Wladimir Ungaretti (FABICO-UFRGS). O motivo eram as críticas – meramente de caráter profissional, diga-se de passagem – feitas pelo professor ao fotógrafo.

E quem ganhou a parada foi o fotógrafo: Ungaretti é obrigado, pela (in)justiça (vai com “j” minúsculo mesmo), a retirar tanto de seu blog como do sítio Ponto de Vista toda e qualquer referência a Bernardi. Ungaretti vai recorrer, mas por via das dúvidas já apaga boa parte do material que publicou – não só a respeito do fotógrafo da RBS, como também sobre outros aspectos “interessantes” da empresa. Uma pena.

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Semana que vem, mais precisamente na quarta-feira, é 1º de abril – ou seja, “dia da mentira”. Proponho uma “homenagem” à “grande mídia” que se diz democrática mas censura jornalistas de verdade como o Ungaretti, publicando em nossos blogs receitas ou trechos da epopéia “Os Lusíadas” de Luiz de Camões, tal como acontecia na ditadura (desculpem o palavreado, mas “ditabranda” é a puta que pariu!) quando jornais eram censurados – mesmo tendo sido apoiadores do golpe. Dizem que de tanto ter sido censurado, o Estado de São Paulo publicou a íntegra de “Os Lusíadas”.

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6 respostas em “Solidariedade a Wladimir Ungaretti

  1. Havíamos recém homenageado o trabalho desse cara. Foda. Agora, dizer que o jornalismo morreu, ou nossa crença em um jornalismo… será? Talvez seria o caso de atestarmos também o óbito do Direito, da Medicina, da Farmácia, das Ciências Sociais, da Dança! Já vivemos na barbárie, no surrealismo, na hipocrisia, tudo isso legitimado e até disputado pela “classe organizada” do consumidor: um consumidor específico em uma sociedade específica – e que acessa informações específicas. Mas se existe alguém, por exemplo, atestando a morte do Jornalismo, isso já deixa claro que existe uma linha de fuga para fora da mediocridade hegemônica. O Ungaretti é um exemplo disso. Que possamos instituir mais linhas.

  2. Pingback: Ungaretti volta a postar « Cão Uivador

  3. Pingback: E as fotos cascata continuam em alta « Jornalismo com cerveja

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