Blogs têm força nos EUA, e ainda engatinham no Brasil

Não foram poucas as vezes que o Hélio Paz citou, em seus posts, a força dos blogs – e da própria internet – nas campanhas políticas dos Estados Unidos. Tanto que a vitória de Barack Obama na eleição presidencial se deveu ao competente uso das ferramentas oferecidas como redes sociais e blogs.

Para termos uma idéia de como andam as coisas por lá: começou a circular nesta semana em Chicago e São Francisco um jornal cujo conteúdo é exclusivamente oriundo da internet. É o “The Printed Blog”, que inicialmente será semanal, mas aspira à circulação diária. O jornal será distribuído em estações de transporte público nas duas cidades, gratuitamente. Sendo baseado em blogs, obviamente se pode ler o jornal pela internet, inclusive baixá-lo em formato PDF.

Uma iniciativa dessas por aqui teria chances de dar certo? Atualmente, acredito que não. Nos EUA, os blogs têm importância para a política e na formação da “opinião pública” (tanto que há gente disposta a anunciar em um jornal que expresse uma visão diferente da dominante). No Brasil, continuam muito restritos.

Pegando o meu próprio exemplo: em um ano e cinco meses e meio no WordPress, o Cão teve quase 77 mil acessos. Pode parecer bastante, mas é muito pouco, considerando que há blogs e páginas ligadas a grandes grupos de mídia que alcançam tal número de acessos em menos de um dia. E quando me conecto no WordPress, os blogs destacados (mais acessados) muitas vezes tratam de fofocas e celebridades – ou seja, são pautados pela televisão. Não podemos chamar isso de “mídia independente”…

Outro fator que pesa contra é, no caso dos blogs políticos, o fato de muitos serem partidarizados. Pois a força da mídia corporativa se deve à sua alegada “imparcialidade”: quem usa o senso crítico obviamente não acredita nessa balela, mas boa parte das pessoas lê jornais e revistas semanais, e assiste telejornais, e acredita que tudo o que é dito é “a verdade”. Acho extremamente honesto dizer de qual lado se está, mas resumir a política à defesa de determinados partidos e à luta pelo poder político é uma idéia equivocada.

É preciso lutar por idéias, não por partidos. Bons exemplos são movimentos como os Amigos da Rua Gonçalo de Carvalho: politizados (pois a luta em defesa da natureza também é política) sem serem partidarizados. Ainda mais quando boa parte das pessoas se tornou descrente da política partidária: prova disso é que o único partido forte que se baseava na defesa de um ideal, o PT, tornou-se igual aos outros que tanto criticava.

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2 comentários sobre “Blogs têm força nos EUA, e ainda engatinham no Brasil

  1. Acho que a grande diferença é a quantidade de pessoas que tem acesso à banda larga.

    Uma grande parcela da população nos EUA e uma minoria ínfima no Brasil.

    Há outras questões como nível educacional da população, hábito de leitura e interesse em opinião crítica ou independente.

    Um grande caminho o que temos pela frente. Mesmo sem ligação com partidos, blogar pode e deve ser um ato político.

  2. É verdade, André. Eu me esqueci de levar tal fator em conta.
    Embora haja uma expansão da banda larga no Brasil (não só em residências, mas também em Lan Houses – em algumas delas se paga tão pouco por hora que vale mais a pena do que ter internet em casa, para quem ganha pouco, é claro), ainda é muito pouco.

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