Um dia de pancadaria

Quando eu me preparava para sair de casa, na manhã de ontem, notei um constante barulho de helicóptero. Dava a impressão de que passava um atrás do outro. Abri totalmente a persiana e olhei para cima: percebi que na verdade havia apenas um helicóptero que voava em círculos pela zona. Não tive certeza, mas imaginei: é a Brigada Militar.

Saí para a rua e vi várias viaturas estacionadas, além de muitos soldados de capacetes laranjas (ou seja, da Tropa de Choque), mas que não estavam na frente do meu prédio. Ainda não estão mandando espancar quem torce contra o time da CBF, mas não duvido que isso venha a acontecer daqui a algum tempo, com o nacionalismo exacerbado que tomará conta do país por causa da Copa de 2014. E, em tempos de Coronel Mendes, não seria de se estranhar uns 100 PMs para prender uma pessoa. Mas os brigadianos não estavam nem aí para este “traidor da pátria”, o alvo deles eram os “baderneiros” que estavam em frente a uma igreja.

Saí caminhando normalmente, e quando passava sobre o viaduto em frente à Santa Casa, ouvi sirenes. Olhei em direção à rua Dr. Flores e percebi várias viaturas dobrando à direita na Salgado Filho. Imaginei que estivessem levando “baderneiros” para a cadeia.

Pouco depois, na casa do meu pai, ouvi no rádio que tinha acontecido um confronto de bancários em greve com brigadianos. Não esperei maiores detalhes pois precisava sair para pagar uma conta.

Mais tarde, li as notícias da confusão entre brigadianos e bancários, em frente ao Banrisul da Praça da Alfândega. A justificativa da Brigada para a pancadaria era a mesma de sempre: “manter a ordem pública”. Pelo jeito, porrada deve ser sinônimo de ordem para o Coronel Mendes.

De repente, ouvi barulhos de buzinas e percebi que a rua estava trancada para manifestantes com bandeiras do MST e do MTD passarem. Os motoristas buzinavam indignados, pois incrivelmente a Brigada ao invés de bater nos “baderneiros” deixava eles passarem em detrimento do deus-automóvel.

Só à noite fiquei sabendo dos outros acontecimentos da quinta-feira, quando li na blogosfera a repercussão do confronto entre policiais civis e militares em São Paulo, e também da nova pancadaria promovida pela BM, à tarde, contra a Marcha dos Sem.

Menos mal que a indignação foi substituída pelo riso, melhor arma para resistir a governos mau-humorados como o de Yeda/Mendes. Dá-lhe Kayser, autor da charge do início do post e criador das camisetas abaixo!

2 respostas em “Um dia de pancadaria

  1. O pior é a forma como a mídia trata o caso: “Manifestantes e brigadianos SE ENFRENTAM”… faltou só começar o texto com “Armados de poderosos casacos e cartazes, manifestantes atacaram inocentes policiais…”

  2. Pingback: Bicada de tucano é dolorida « Cão Uivador

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