Votar Nulo?

O texto abaixo foi enviado por e-mail pelo meu pai, que relembrou o grande comício por eleições presidenciais diretas em 1984 acontecido aqui em Porto Alegre, no dia 13 de abril daquele ano. Outra vez ele já havia me contado que eu até “aprendi a gritar”: DILETAS JÁ!

Li o post do Rodrigo no Cão e também fui no Blog do Hélio, levado pelo assunto “Anular o Voto”.
As motivações para anular o voto nos dias de hoje, tem muitas semelhanças com as dos anos 70.

Lembro que até aconteceu uma campanha para votar em branco, parece que o líder da campanha era o Wilson Vargas…
Mas, como se votava em cédulas, a canalhada da ditadura muitas vezes um X nos candidatos deles e até escrevia um número na cédula. Por isso eu achava que deveria ser anulada a cédula, colocando palavrões, xingamentos ou um simples X, bem grandão. Pois assim ela não poderia ser usada pelos “escrutinadores”.

Mas o voto em branco e os anulados, afora mostrar o descontentamento e o protesto das pessoas, trouxe uma grande dor de cabeça para nós. Os “arenosos” passaram a eleger mais gente, pois a ala direitista não anulava o voto nem votava em branco. Faziam maiorias, sem precisar cassar os da oposição.
E ainda escutávamos “o povo está avaliando bem a revolução, vejam as nossas bancadas…!”
Passei a votar e tentar convencer aos que como eu anulavam o voto a repensar o assunto.

Quando das Diretas Já, em Porto Alegre, eu trabalhava na propaganda e marketing de uma empresa. Na véspera avisei ao patrão que no outro dia não trabalharia, por causa do comício. Se ele não gostasse, que me demitisse. Pois tinha que pintar uns cartazetes, buscar panfletos impressos no turno da madrugada em gráficas com impressores solidários (sem os patrões saberem, é claro) e tinha ficado de convencer muita gente a comparecer ao comício.

Ao meio-dia já estava a postos na frente da prefeitura, ainda tinha mais polícia que povo.
Fiquei até o fim, logo depois da fonte Talavera, com um grupo de amigos e conhecidos. Tinha gente pra cacete. Dizem que uns 200 mil. Lembro que o Sérgio Maluco uma hora gritou ” Cesar, afora tu tem mais comunas aqui perto?”. Quando respondi tinham uns caras atrás de nós que começaram a tirar fotos e pelas roupas não eram fotógrafos da imprensa… Era uma senhora de cerca de 60 anos, vestida como se fosse para festa, que queria falar com alguém “comunista”. Ela disse que havia prometido ao falecido pai que uma dia ia dar um abraço no Prestes, queria uma ajuda para chegar nele. Claro que não foi possível ela chegar ao Prestes mas acenava com um lenço vermelho para o palanque e chorava.

Hoje, vendo as fotos, a gente lembra de tudo mas elas não passam a emoção daquele momento.
Depois do comício fui para casa a pé e não tinha mais voz. O Rodrigo achou graça da minha falta de voz e ria muito quando eu tentava explicar que tinha gritado tanto para que ele não tivesse que gritar quando crescesse: EU QUERO VOTAR!!!
E continuo a querer, mesmo que seja apenas para ser CONTRA.

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6 respostas em “Votar Nulo?

  1. aí que está a grande importância em não se anular o voto! ainda mais com mais de um candidato à esquerda (embora essa discussão possa ir longe)…

    a questão é que haverá um segundo turno. um segundo turno entre aquele que está uma outra opção. e seja quem for a opositora daquele que aí está, quem vai apoiar quem? As candidatas (creio que não todas) estão mais queimando própria esquerda do que a situação… e me questiono de novo: no segundo turno, quem apoiará quem?

    A democracia (para nós, claro) acaba sendo uma eterna busca pela mudança (seja lá do que)…

  2. Pingback: + SOBRE VOTO NULO « HELIOPAZ

  3. Caros foi fundamental a luta das diretas já no período histórico em q ocorreu, porém, o momento é de avançar.
    Expandiu-se o sufrágio, mas ñ a democracia. Todos sabemos q a transição da ditadura para a democracia foi controlada.
    A tarefa agora é expandir a democracia: referendos revogatórios, plebiscitos, impedir cláusulas de barreiras, tempos iguais aos candidatos, controle popular, participação efetiva dos de baixo nos rumos do país e lutar contra toda a forma de limitação democrática e leis como o controle da internet.

    Abraços a todos!

  4. Caro Jorge:

    Concordo plenamente com você quanto a necessidade de expansão da democracia. No entanto, a primeira tentativa, no governo Lula (por volta de 20 anos depois do fim da ditadura militar), foi tão detonada pelos “grandes meios de comunicação” que o referendo sobre porte de armas acabou sendo o único. Como poderemos DE FATO nos libertarmos dessa ditadura do capital e das telecomunicações que vigora no Brasil?

    E ainda há muita gente que faz questão de votar em branco ou anular o voto…

    Abraço!

  5. Pingback: Cão Uivador pautou ZH? « Cão Uivador

  6. Alô Brasil!
    Domingo, 5 de Outubro, é dia de eleições municipais. Dia de escolhermos os nossos próximos carrascos, os prefeitos e vereadores que se encarregarão de colocar, democraticamente, a corda no pescoço do povo por mais quatro longos anos.

    Mas se você ainda não escolheu o seu não precisa se preocupar, os candidatos são os mesmos parasitas de sempre. Isso não significa, no entanto, que devamos votar de qualquer forma. Já que o circo foi armado, vamos fazer bonito no próximo dia 5 e eleger os palhaços certos. Se bem que o povo, o principal palhaço da história, não se candidatou! Mas vamos votar com esperança. Pois serão eles que darão continuidade a palhaçada que é a política nesse país.

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