O gabinete me conquistou

Assisti na tarde da quinta-feira à formatura em gabinete de alunos do IFCH da UFRGS, dentre eles meu amigo Renan, que concluiu sua graduação em Filosofia. E, definitivamente, tal formato me conquistou.

As únicas coisas que fazem lembrar uma formatura tradicional são o fato de haver juramento e a entrega de um canudo – que não é o diploma, diga-se de passagem. (O que significa que cerimônia de formatura não serve para nada!)

Foi uma formatura extremamente rápida: o primeiro a ser chamado em cada ênfase de cada curso do IFCH (Filosofia, História e Ciências Sociais) fazia o juramento, pegava o canudo e passava a vez para o seguinte, que pegava o canudo e passava a vez para o próximo… Não há um monte de discursos, agradecimentos, como acontece no palco (onde há formandos que chegam ao cúmulo de agradecer ao cachorro). E o melhor de tudo: sem toga! Considerando que devo me formar durante o verão, é um baita diferencial não ter de usar aquela roupa preta.

Desde que terminei o Ensino Médio, em 1999, acho formatura um evento chatíssimo. E o pior de tudo é que já fui a muitas: ainda bem que a maioria dos meus amigos já se formou. E como tenho o hábito de ser coerente, não pretendo, no verão de 2010, submeter nenhum deles àquela tortura.

Sem contar que, hoje em dia, as formaturas em palco são “feitas para a televisão”. Não são transmitidas ao vivo, mas é tudo montado para sair bem no vídeo (que será revisto no máximo uma vez). Tanto que o que sai mais caro em formaturas é o pagamento de uma produtora, para eternizar “o momento inesquecível” da melhor maneira possível. Mesmo na formatura de Ensino Médio se tem despesa com produtora: até não gastei muito com a minha, mas três anos depois estava muito mais caro e por isso o meu irmão se recusou a participar do troço.

Até porque, sejamos sinceros, as formaturas não são feitas para os formandos, e sim para o exibicionismo dos pais (claro que nem todos são iguais, não generalizemos!).

Enfim, já tomei minha decisão: entre gastar muito para passar calor, ter de falar qualquer merda no púlpito e ter um DVD (que nunca assistirei) da minha formatura; e me formar de graça, sem passar calor e sem discursos… Sem dúvida alguma, escolho a segunda opção.

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Também são alvos de meu “mau humor” aquelas estúpidas faixas de parabéns por aprovações em vestibulares: se a homenagem fosse realmente para o “bixo”, a faixa deveria ficar voltada para o lado de dentro da casa, não para a rua. Quando passei no primeiro vestibular, em 2000 (Física na UFRGS), minha mãe mandou fazer um banner que toda hora eu tirava da janela. Até parecia premonição: dois anos depois eu largaria o curso, para em 2004 ingressar na faculdade de História, novamente na UFRGS. Desta vez, sem banner.

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7 comentários sobre “O gabinete me conquistou

  1. A filha do meu companheiro se formou, nas Ciências Sociais, no mesmo dia. Só não fui, porque tinha um compromisso na mesma hora.

  2. 1 – cerimônias de formaturas não são feitas para entregar diploma, e sim para colação de grau. tenho pena da sociedade que terá alguem formado que não sabe o que é isto.
    2 – as formaturas são chatas por incompetência da ufrgs, que permite que os formandos agradeçam no micorfone; como a formação é ruim, vemos o absurdo de agradecerem ao cachorro.
    3 – o maior custo com uma formatura não é a produtora, mas sim a empresa que faz os convites. seria pior e mais caro contratar todos os serviços separados. os preços das porduções das formaturas na ufrgs são os menores do mercado.
    espero que até tu te formar, saiba o que é isto

    abraços,

    ed.br

  3. Edmílson, eu sei muito bem que formaturas não são feitas para entregar diploma, se não soubesse não tinha escrito, né? E “servir para colação de grau” e “nada”, para mim é a mesma coisa: como rito de passagem, a defesa da minha monografia será muito mais importante. Pois participar de uma cerimônia só por participar, sem receber o símbolo de minha graduação (o diploma) não faz o menor sentido. Então, que seja em gabinete, que é mais rápido.
    E as formaturas em palco não são chatas por incompetência da UFRGS, elas são chatas em qualquer universidade. As da PUC não têm agradecimentos de cada formando, e algumas (como de Direito ou Administração) conseguem ser mais chatas que as da UFRGS.
    E por menor que seja o custo para se formar na UFRGS, ainda acho um desperdício de dinheiro.

  4. Sabe, Hélio, que eu estou pensando seriamente em escrever no dia 14 de maio (2º aniversário do blog) um post só com as principais pérolas deixadas por comentaristas (sem citar os nomes dos caras, pois seria sacanagem).
    O problema, é que vai ser difícil escolher, diante de tantas! :-P

  5. Ontem eu recebi uma incrível: “Carao, nada contra, mas tu fala que o Grêmio não é racista só porque tu é negro.”

    Rodrigo, eu penso que essa síndrome de Joselito, essa mania de não saber que é um sem-noção, pro azar da política, da economia, das artes, do empreendedorismo honesto e da sociedade gaúcha, não é fato isolado.

    Também acho que não dá pra creditar apenas à alienação e ao conservadorismo puro e simples esse tipo de visão de mundo. É um traço cultural fomentado pelo caldo multicultura das etnias que formam a população deste estado.

    Há caldos culturais cidadãos, tolerantes, solidários e inteligentes. Porém, aqui optou-se pela via egoísta, intolerante e ignorante.

    A mídia corporativa reforça o status quo. Porém, ela escreve exatamente aquilo que seus consumidores gostariam de ler.

    []’s,
    Hélio

  6. Pra mim as formaturas da UFRGS são as melhores justamente porque se dá a possibilidade aos formandos de fazerem seu discurso perante o público.É um mais engraçado que o outro,tornando a cerimônia descontraída e consequentemente mais divertida.

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