Tri ruim

E-mail que enviei agora há pouco ao “Fale Conosco” da página do TRI:

Carreguei meu cartão escolar com 75 passagens, e ao passar pelo leitor percebi que o saldo é dado em REAIS, e não em PASSAGENS.
Isto quer dizer que, se eu efetuar uma compra de 75 passagens e antes de efetuar nova compra houver um aumento das tarifas, eu terei pago por 75 passagens e não terei 75 passagens?

Está é uma dúvida nebulosa: seremos ou não seremos roubados quando houver um aumento das tarifas de ônibus em Porto Alegre? Pois com as fichas, era possível utilizar em março os vales comprados no ano anterior sem ter que pagar diferença de tarifa por causa do já tradicional aumento das passagens em fevereiro.

E tem mais.

Gostaria de saber quem foi o demente que teve a idéia de fazer com que os idosos passassem pela roleta e descessem pela porta traseira dos ônibus. Pois é óbvio que é muito mais perigoso para eles, que em geral caminham com dificuldade, terem de se deslocar até o meio do veículo para sentarem – isso quando os assentos reservados são respeitados – e depois para descerem. Um dia peguei um ônibus da linha T5 – cheio, é claro! – e pude perceber de perto a dificuldade pela qual passam os idosos nos coletivos lotados. Uma senhora quase caiu ao se deslocar em direção à porta traseira. O desembarque pela porta dianteira, ao lado do motorista, era bem mais seguro para os idosos.

Antes do TRI, os idosos não podiam passar a roleta, sentavam-se nos assentos mais a frente. É verdade que isso gerava uma grande aglomeração naquele ponto, em ônibus como o T5 era muito difícil passar. Mas para “obrigar” os idosos a passarem para trás (a minha avó, que ontem completou 86 anos cheia de vitalidade, felizmente se nega a passar), a roleta foi deslocada mais para a frente do veículo, deixando apenas três assentos entre ela e a porta dianteira. Não bastasse o crime contra os idosos, isso ainda faz com que os ônibus das linhas de maior movimento – como a D43 (Universitária) – demorem muito mais para arrancar, pois a fila se estende muito mais para fora do coletivo do que antes. Ainda mais nos primeiros dias do uso do cartão, quando as pessoas não estão habituadas e se atrapalham.

Mais: na tarde da segunda-feira, quando fui carregar pela primeira vez meu cartão, a fila era tão grande e parada que desisti de efetuar a carga aquele dia e paguei o ônibus com dinheiro. Pois se ficasse na fila, chegaria atrasado logo no primeiro dia de aula. Isso que disseram que seria “tri moderno, tri prático”…

Por enquanto, está é “tri ruim” mesmo. E como disse meu irmão Vinicius, “quem bolou esse troço não anda de ônibus”.

———-

Mês passado estreei uma coluna no Jornal Floresta, na qual escrevo sobre Porto Alegre. Ainda não vi a edição de março, mas já mandei a coluna, onde falei do TRI mas em tom bem menos crítico. Além da questão dos idosos, escrevi sobre as prometidas vantagens, de que sem as fichas os assaltos a ônibus cairão, e também do desconto na segunda passagem de quem precisa usar dois ônibus para se deslocar.

Se eu pudesse, mudava o texto da coluna agora mesmo. Mas como não dá mais, fica para abril.

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2 respostas em “Tri ruim

  1. Pingback: TRI lento, TRI falcatrua, TRI RUIM! « Cão Uivador

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