O maior jogo da minha vida

Grêmio x Portuguesa, final do Campeonato Brasileiro de 1996, foi o jogo mais emocionante de todos os que já fui. Simplesmente inesquecível. Fui ao Olímpico junto com várias pessoas, entre elas minha mãe e meu amigo Diego.

Como hoje, quem decidia o horário dos jogos era a televisão. E naqueles tempos, a moda era passar os jogos mais importantes do domingo para as 19 horas. Foi exatamente o que aconteceu naquele 15 de dezembro de 1996.

Cheguei ao Olímpico por volta das 15 horas, e as filas já eram quilométricas. Esperei por cerca de uma hora debaixo de um sol inclemente. Quando entrei, o estádio já estava quase lotado. Isso que faltavam três horas para começar a partida!

Como havia sido derrotado por 2 a 0 em São Paulo, na partida de ida, o Tricolor precisava fazer 2 a 0 na Portuguesa para ser campeão. Os gremistas sabiam que não seria fácil, a Portuguesa se fecharia toda na defesa para segurar o resultado.

O Grêmio começou o jogo em ritmo arrasador, praticamente iniciou vencendo por 1 a 0: aos 3 minutos, Paulo Nunes marcou o primeiro gol daquele final de tarde. Naquele momento, tive a impressão de que seria barbada. Afinal, se em tão pouco tempo já ganhávamos, o segundo gol seria questão de minutos.

Mas não foi o que aconteceu. A Portuguesa, conforme era previsto, fechou-se na defesa. O Grêmio atacou bastante, mas o segundo gol insistia em não sair. E a Lusa às vezes levava perigo, rápida nos contra-ataques. Ao final do primeiro tempo, o placar mantinha-se em 1 a 0, que na prática era 1 a 2.

No segundo tempo, a situação não se modificou rapidamente. O tempo passava, o Grêmio não conseguia o segundo gol, e a Portuguesa às vezes era perigosa. Ficávamos cada vez mais nervosos, mais preocupados no Estádio Olímpico. Víamos diminuir as chances de conquistarmos o título.

Por volta dos 35 minutos do segundo tempo, substituição. Saía Dinho, que era capitão naquele dia devido à suspensão de Adílson (que levara o terceiro cartão amarelo no jogo de São Paulo), entrava Aílton. Na hora um pensamento me veio na cabeça: “o Aílton vai fazer o gol do título”.

Não estou escrevendo isto para dizer que “tenho dons premonitórios, blá blá blá”: realmente pensei nisso, mas não falei na hora (que bosta, podia ter feito aposta com alguém!). Era compreensível. Aílton vinha muito mal desde que fora contratado pelo Grêmio, no início de 1996. Sempre era vaiado. Se eu dissesse que o Aílton faria o gol do título, o pessoal ao meu redor riria da minha cara.

Aos 39, a bola estava com Carlos Miguel, que deu um balão em direção à área adversária. Àquela altura, a tática fora para o espaço, o Grêmio atacava de qualquer jeito.

O zagueiro César cabeceou a bola, mas para o meio da área, e não para fora como deveria ter feito (e felizmente não fez). De onde estava, vi a bola ser chutada e a rede balançar, mas tive a impressão de a bola batera na rede pelo lado de fora. Passou-se um milésimo de segundo e o Olímpico se levantou no grito de gol. Em outro milésimo de segundo pensei: “se 50 mil pessoas gritam gol, só pode ser gol”. E gritei junto.

Como não estava com rádio, levou cerca de meio minuto para eu saber de quem era o gol. Até que a informação chegou: gol de Aílton!

O ritmo do tempo mudou após o gol. O cronômetro deixou de correr e passou a andar devagar. Agora o Grêmio se segurava e a Portuguesa atacava. Era preciso resistir à pressão da Lusa nos últimos minutos.

Quando, depois de intermináveis minutos de acréscimo, Márcio Rezende de Freitas apitou o final de jogo, a festa tomou conta do Olímpico Monumental. Grêmio, depois de 15 anos, novamente CAMPEÃO BRASILEIRO!

Terminava uma era. Aquela era a última partida de Luiz Felipe Scolari no Grêmio. E o vitorioso presidente Fábio Koff também se despedia e passaria a dedicar-se ao Clube dos 13: deixaria o Grêmio para lutar por viradas de mesa que beneficiassem os sócios. Também saía o capitão Adílson, que retornaria ao Grêmio em 2003 como treinador, mas para salvar o Tricolor do rebaixamento.

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