O excesso de carros

Mais de uma vez, escrevi aqui textos criticando a RBS. Mas o fato de ter criticado tal empresa não quer dizer que eu simplesmente a boicote. Afinal, é preciso saber o que o outro lado diz… E hoje Paulo Sant’ana escreveu sobre o alto índice de venda de automóveis no Brasil, prevendo as terríveis conseqüências de tal fato.

E mais de uma vez, escrevi aqui textos sobre o excesso de carros nas grandes cidades – em especial, Porto Alegre, já que é a cidade onde moro. Final de tarde por aqui é sempre igual: tem ruas onde caminhar é mais vantajoso, dados os enormes congestionamentos. E a coisa vai piorar…

Não é por nada que achei sensacional o nome de um blog que achei: Apocalipse Motorizado. Encontrei o link no Palanque do Blackão, que indicou também uma série de reportagens da Agência Carta Maior sobre o caótico trânsito de São Paulo.

O alto índice de motorização da sociedade aumenta a poluição (atmosférica e sonora), dificulta a movimentação pelas cidades, deixa as pessoas mais estressadas, e também aumenta a insegurança: as pessoas dentro dos carros muitas vezes se sentem “em um mundo à parte”, enquanto os poucos pedestres correm risco de serem assaltados. Com mais gente caminhando nas ruas, a tendência é que a criminalidade diminua: se muito carro na rua fosse segurança, poderia-se caminhar tranqüilamente em volta da Redenção durante a noite, já que os carros passam aos montes na João Pessoa e na Osvaldo Aranha. Isso sem contar os perigos que correm os motoristas: acidentes, assaltos em sinaleiras, seqüestros-relâmpago etc.

Abaixo, um vídeo que achei no Apocalipse sobre o que acontece em Copenhague, capital da Dinamarca: alto preço do litro da gasolina, taxação em 200% dos automóveis particulares, faixa exclusiva para bicicletas que é respeitada (os ônibus, ao pararem nos pontos, atrapalham o trânsito de carros, não de bicicletas) e proibição do trânsito de carros no Centro.

Enquanto isso, em Porto Alegre, temos uma ciclofaixa que só existe aos domingos e feriados (e em poucas ruas), e ainda por cima é desrespeitada…

7 respostas em “O excesso de carros

  1. Pingback: Sobre carros e bicicletas « Porto Alegre Vive

  2. Cara, é interessante como as pessoas não se dão conta que o uso do carro não faz O MENOR SENTIDO para distâncias curtas. Não podemos generalizar: Porto Alegre é uma cidade cheia de MORROS que dificultariam um grande deslocamento de bicicleta, mas para viagens rápidas não há porque não usar.

    Pra completar teu post, acho legal ver essa entrevista da Folha Online. Pra dar uma palhinha, uma resposta sobre Bogotá:

    “A segurança melhorou em Bogotá com mais espaço público, que é sagrado. Discutimos muito para que as ciclovias passassem por dentro de condomínios fechados. Quanto mais ciclista na rua, mais seguro. A noite das mulheres [quando a prefeitura pediu que só mulheres saíssem em uma sexta-feira e que os homens ficassem em casa] foi uma noite muito segura porque sempre teremos espaços mais seguros quando o povo ocupa a cidade à noite. E se são mulheres e crianças, mais ainda, muitos e frágeis são mais dissuasórios que poucos fortões”

  3. Kleiton, concordo com teu comentário. A topografia de Porto Alegre dificulta o deslocamento de bicicleta (para eu ir da minha casa à Redenção não há problemas pois tenho de descer a lomba, mas na volta preciso subir…). Para viagens longas (como do Centro ao Campus do Vale) é complicado, mas para andar pouco, é ótimo.
    O problema não é o carro em si, que assim como a bicicleta é um meio de transporte (com a diferença que a bicicleta é para uma só pessoa, enquanto no carro cabem cinco), mas sim o uso que se faz dele. Tem gente que usa o carro para andar duas quadras (e eu conheço muitos que fazem isso). Assim como há muitos carros ocupados por uma só pessoa – se oferecessem carona aos colegas de trabalho que vão para o mesmo lado, seria bem melhor, pois também seriam menos pessoas enchendo os ônibus.

  4. Na Noruega já encontraram a solução para subir ladeiras com bicicletas. Instalaram uma correia com motor, na beira das calçadas. As fotos vão por e-mail.

  5. Pingback: O que não se fala sobre Bogotá « Cão Uivador

  6. Pra falar a verdade o carro nos deixa preguiçosos. No meu caso, andar duas quadras já me cansa e já engordei 6 kilos, tudo é de carro. E ainda por cima, fiquei tão estressadinha. rsrsrs.

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