A melhor é daqui?

No bar, os gaúchos são quase sempre iguais. “Vê uma Polar!”, pede o cervejeiro rio-grandense ao garçom.

É uma cerveja muito boa, mas reconheço que a Brahma Extra é melhor. E as cervejas uruguaias então? Mesmo assim a Polar é a cerveja que mais vende, não só por ser mais barata que a Brahma Extra e as uruguaias, mas graças à idéia de que “é do Rio Grande do Sul” (apesar de ter sido comprada pela AmBev). Temos a tendência de achar que tudo o que “é daqui” é melhor.

O Diego, do Pensamentos do Mal, se formou em Economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul no último dia 10. Ele pretende ingressar logo no mestrado, mas nem cogita de tentar na UFRGS. Apenas universidades do eixo Rio-São Paulo, que são consideradas as mais fortes na área de Ciências Econômicas.

Na área de História, a universidade brasileira que mais se destaca é a Federal Fluminense (UFF), tenho colegas na UFRGS cuja pretensão após a formatura é fazer mestrado na UFF. Apesar de essa universidade ser muito bem conceituada, dificilmente eu irei para lá. Não por “falta de capacidade”, mas sim, porque não sinto vontade de sair do Rio Grande do Sul.

É um negócio muito interessante. Já li vários textos sobre a construção dos mitos da Revolução Farroupilha, sei que foi um movimento das elites estancieiras, mas todos os anos, no dia 20 de setembro, sinto aquele orgulho. Aquela sensação de ter nascido no melhor lugar do mundo. “É o meu Rio Grande do Sul, céu, sol, sul, terra e cor, onde tudo que se planta cresce e o que mais floresce é o amor”. Jogo botão com meus amigos a cada 20 de setembro no Torneio Farroupilha, que tem até uma “cerimônia de abertura”: todos os participantes têm de cantar o Hino Rio-Grandense antes da “bola rolar”.

Além disso, no Rio de Janeiro eu sentiria muita falta do que tenho aqui. Família (tenho uma prima que mora no Rio e é muito legal, mas não seria suficiente), amigos, chimarrão, Grêmio, inverno… Faria um mestrado (ou um doutorado), mas seria infeliz longe do que gosto. Me sentiria em um “exílio acadêmico”, contando os dias, as horas, para voltar ao Rio Grande. Ao pensar nisso, faço a pergunta: vale a pena colocar a carreira acima de tudo?

Sinceramente, do que adianta ser mestre, doutor, pós-doutor, ter duzentas publicações em revistas científicas (que quase ninguém lê, de tão chatas que são) se para isso for preciso passar anos de “exílio” para escrever uma tese? Não sinto vontade de deixar o Rio Grande para escrever uma dissertação ou uma tese sabendo que o trabalho só será lido por meia dúzia de gatos pingados¹ e que, se alguém que não for do meio acadêmico tentar ler, certamente não entenderá porra nenhuma, devido à escrita numa linguagem extremamente restrita aos acadêmicos – e por isto mesmo, elitista.

Quanto às cervejas, Brahma Extra tem em todo o Brasil e posso bebê-la em Porto Alegre. As uruguaias eu não sei se são vendidas no Rio de Janeiro. Agora, a Polar não tem lá! E como já falei, ela não é a melhor cerveja, mas “é daqui”.

Ah, eu não tenho patrocínio da Polar. Faço “propaganda” dela de graça mesmo… Duvido que ela seja como a FIFA², que ameaçou punir o Inter pelo uso de sua “marca” (!) no letreiro do título mundial.

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¹ O problema é que essa meia dúzia acha que “vale mais”…

² Seria extremamente engraçado se a FIFA decidisse retirar o título mundial do Inter por causa do “uso comercial da marca”: ao meu ver o Inter continuaria com o mérito de campeão, mas como eles vivem no “mundo FIFA”… Leia mais no Alma da Geral.

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5 comentários sobre “A melhor é daqui?

  1. A Polar se aproveitou muito desse sentimento dos gaúchos, e nas suas (fantásticas) campanhas de marketing, ao invés de apelar para “essa é a boa” e mostrar várias mulheres peladas, faz questão de criar peças com as quais os gaúchos se identifiquem, diferenciando-se das outras.

    Tudo bem, a agência de publicidade que cuida da conta é de São Paulo, mas dane-se, as campanhas são legais, a cerveja é muito boa e o Grêmio é campeão de tudo.

  2. Pilsens:
    1°) Polar
    2°) Brahma
    3°) Kaiser
    4° e bem longe) Antártica

    Skol e Nova Schin não dá nem para considerar cerveja.
    Agora, preciso discordar de ti em um ponto. A Polar é mais vendida aqui em Porto Alegre.
    No interior do estado, todo mundo toma essa bosta de Skol.
    É muita propaganda, cara.
    E é um lixo esse líquido amarelo que desce redondo…

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