Ronaldinho e Flávio Obino: o que eles têm em comum?

Resposta: são vilões para os gremistas, mas nem tanto.

Ronaldinho deixou o Grêmio no início de 2001. Sua saída foi extremamente controversa: após inúmeras juras de amor ao clube, o craque acertara-se em segredo com o Paris Saint-Germain, acordo intermediado por seu irmão e empresário, Roberto Assis. Em sua última partida disputada no Olímpico (Grêmio x Figueirense, pela Copa Sul-Minas), Ronaldinho marcou um belo gol de falta, mas ainda assim foi vaiado, e deixou o campo sob uma chuva de moedas.

Já Flávio Obino presidiu o Grêmio no “biênio da desgraça”, que foram os anos de 2003 e 2004. Foi indicado para a presidência e eleito por aclamação, sem ninguém para lhe fazer oposição, com exceção do ex-presidente Hélio Dourado – que em 2004 aceitaria a convocação de Obino para tentar salvar o futebol gremista. Após o Grêmio escapar do rebaixamento em 2003, Paulo Sant’ana chegou a recomendar “um pé atrás” aos gremistas, pois o Obino não deixaria escapar em 2004 a nova chance de rebaixar o Grêmio à Série B. Dito e feito. E ainda bem que foi só em 2004, quando o Obino saía. Pois se o Grêmio caísse para a Série B em 2003, em 2004 teria despencado para a C. Obino é conhecido por ser muito azarado: já fora presidente do Grêmio no início da década de 1970, quando o Inter começou a empilhar títulos.

Mas eu disse que tanto o Ronaldinho como o Obino são vilões, mas nem tanto. Pois o vilão maior da história foi absolvido pelo Conselho Deliberativo do Grêmio ontem à noite: o ex-presidente José Alberto Guerreiro (1999-2002).

No final de 1999, Guerreiro anunciou o acordo entre o Grêmio e a multinacional suíça ISL. Com o dinheiro dos suíços, o Tricolor deveria contratar grandes jogadores e montar um timaço. Vieram os argentinos Amato e Astrada, retornou o atacante Paulo Nunes, e para comandar o time, chegou o experiente Zinho, campeão mundial pela Seleção Brasileira em 1994. Todos com salários altíssimos. Destes, o único que foi bem (e continuou no Grêmio até 2002) foi Zinho. Os outros, em 2001 já se encontravam em outras bandas, após esquentarem o banco de reservas. E vale lembrar que em 2000 o Grêmio não ganhou absolutamente nada, inclusive perdeu o Campeonato Gaúcho para o Caxias.

Enquanto isso, Ronaldinho levava o time nas costas e não ganhava nem metade do salário de Paulo Nunes, Amato e Astrada. Enquanto jurava amor ao Grêmio, Ronaldinho pensava no lado profissional: era o maior “especialista” na equipe e recebia um salário mais baixo do que os “medalhões”. Com tantas propostas para ir jogar na Europa, mais cedo ou mais tarde ele acabaria cedendo, ainda mais que seu contrato com o Grêmio encerraria em fevereiro de 2001 e dali em diante ele estaria liberado para procurar outro clube, caso não renovasse – o que aconteceu. Após quase um ano de batalha jurídica, Ronaldinho foi jogar no Paris Saint-Germain, e o Grêmio recebeu uma mixaria, valor determinado pela FIFA. Tudo porque em 1999 Guerreiro colocou uma faixa no portão do Olímpico dizendo “não vendemos craques” mas nada fez para que Ronaldinho quisesse ficar no Grêmio, assim como não aceitou nenhuma boa proposta pelo jogador – lembro que houve um clube que ofereceu não sei quantos milhões mais o mexicano Luiz Hernandez (aquele cabeludo que adorava fazer gol na Seleção Brasileira) e Guerreiro recusou!

Quanto ao Obino, ele é um dos principais responsáveis pelo rebaixamento do Grêmio à Série B, em 2004. Mostrou-se extremamente incompetente para salvar o clube, e quando a coisa ficava feia, esquivava-se com besteiras do tipo “o Grêmio tem o melhor site do Brasil”. Mas é preciso lembrar que assumiu o Grêmio em uma situação financeira terrível, devendo para todo mundo. Graças às dívidas deixadas por Guerreiro: o acordo com a ISL melou com a falência da empresa no início de 2001 (junto com a saída do Ronaldinho, que coincidência!), mas Guerreiro manteve alguns jogadores com vencimentos astronômicos, caso de Zinho: ele foi bem pelo Grêmio, mas seu salário estava fora da realidade do futebol brasileiro. Não tinha como o Obino fazer muito com os cofres vazios. Contratou muita bosta, é claro: jogadores como Fábio Bilica, Capone, Luciano Ratinho, Tavarelli e Rico jamais deveriam ter vestido a camisa do Grêmio – muitos deles fazem parte da “seleção dos pesadelos” gremista. Mas com o dinheiro que tinha, era difícil conseguir algo melhor.

Ainda tem o esquema do sumiço dos cheques da ISL enviados para cobrir despesas do Grêmio. O dinheiro jamais chegou aos cofres tricolores. Onde será que foi parar?

E absolveram o Guerreiro. Mesmo com toda a sujeira que ele fez no Grêmio. Arquivaram o relatório do Conselho de Ética que pedia a expulsão do ex-presidente do Quadro Social. Uma vergonha com anuência de Fábio Koff.

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12 respostas em “Ronaldinho e Flávio Obino: o que eles têm em comum?

  1. Por outro lado, não lembro de ter visto um time de futebol tão bom quanto o Gremio do priemiro semestre de 2001
    Não querendo absolver o Guerreiro, longe disso, também concordo que ele foi o grande responsável pela desgraça financeira do clube. Mas que aquele time foi o melhor (nao o mais eficiente) que eu ja vi jogar, foi

  2. Caro Uivador!
    O blog merece o nome que tem, devo afirmar que não esperava tanto quando fiz a provocação. Que a tua e a minha indignação se espraie pelo Rio Grande, afinal não somos gremistas de quinta categoria que eles pensam que somos. Quem paga as maluquices deles somos nós os torcedores, no entanto nos tratam como os “bestializados do Murilo Carvalho”, que a tudo assitem sem nada entender. Foi duro ouvir o pequeno Cacalo fazer, no Sala de hoje, a defesa do apagão dos cheques. Esses medíocres passam mas a torcida fica.

  3. Jorge: talvez o fato “passasse batido” se não fosse tua provocação… Só depois que li teu comentário que eu lembrei que ontem tinha sido a reunião para decidir o futuro do Guerreiro.

    Abraços e saudações tricolores!

  4. Fernando: concordo totalmente contigo. Aquele time era para ter ganho a Libertadores em 2002, mas tinha um juiz argentino (cujo nome esqueci) no caminho…
    Não ouvi o Sala hoje, mas meu pai comentou. Disse que o Guerreiro ligou e discutiu ao vivo com o Cacalo… Como se o Cacalo tivesse sido um grande presidente (aquele time do 1º semestre de 1997 era praticamente o mesmo de 1996).
    Aliás, tá difícil achar um dirigente de clube que se salve!

    Mais uma vez, saudações tricolores!

  5. Daniel Guimenez é o nome do larápio. Não o que roubou os cheques, esse todos sabemos que se chama José Alberto Guerreiro.

    Abraços e DÁ-LHE GRÊMIO ACIMA DE TUDO!!!

  6. Jorge: o Ruy Carlos Ostermann diz que o Pedro Ruas, relator da Comissão de Ética, falará hoje no Sala de Redação. Vamos ver se ele revela o teor do relatório que nem chegou a ser lido e foi arquivado…

    Saudações tricolores!

  7. O Obino é um dos responsaveis pelos titulos do inter. O inter só conseguiu chegar na libertadores em 2005 quando o gremio estava na segunda divisão e não tinha chance nenhuma de chegar na libertadores do próximo ano. O Paulo Odone deveria ter sido o presidente do centenário, talvez nada disso tivesse acontecido. Concordam?

  8. Pois olha! Somente lí estes comentários hoje, dia 12/01/11. Tenho a dizer o seguinte: sou gremista desde quando nasci, mesmo porque meu pai, Gustavo Werner, era conselheiro do tricolor e doente pelo clube. Mas quanto ao Flavio Obino é uma desgraça! Antes de colocar o Gremio nas segunda divisão do futebol brasileiro e ter feito ¨aquilo¨ do Centenário Tricolor, já havia colocado o Jockey Club do Rio Grande do Sul num mesmo estado: LASTIMAVEL!!! Foi o PIOR dirigente de QUALQUER COISA que se tenha notícia! É apenas um medalhão…

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