Mas que bonito, “civilizados”!

É muito interessante ouvir as idéias defendidas por pessoas que se julgam defensoras da “civilização”. Afirmando que os criminosos representam a “barbárie” – por que eles matam, estupram, roubam etc. –, os ditos “civilizados” defendem que seja adotada uma solução “bárbara”: a pena de morte no Brasil.

Não consigo conter a indignação, e até mesmo a raiva, diante de gente assim. Consideram-se superiores, mas se mostram tão “malvados” quanto os que desejam ver mortos. Pois diante de um crime violento, vão na onda da nossa mídia sedenta de sangue (pois criminalidade vende jornal) e clamam pela “justiça” das elites: matar os pobres, antes que eles se revoltem após mais de 500 anos de injustiça social nesse país.

Até hoje não aconteceu uma grande convulsão social no Brasil, mas do jeito que as coisas andam, com as elites se encastelando cada vez mais em seus condomínios de luxo e carros blindados, talvez não demore muito. O Estado não controla mais os morros no Rio, os presídios (sob comando de PCCs e Comandos Vermelhos da vida), e não dá assistência digna a ponto de fazer os mais pobres terem um sentimento de cidadania. Os ricos não querem “abrir mão dos anéis”, e assim correm o risco de “perderem as mãos”. E também falta vontade de se mudar esse país, por parte de todos nós.

E é justamente para continuarmos na mesma, que alguns “formadores de opinião” defendem a pena de morte. Que simplesmente se matem os “bandidos”, e o país continue sua caminhada rumo ao abismo. Para defender a “civilização” branca dos “bárbaros” que têm a pele mais escura. Afinal, o Bush fez exatamente isso, ao invadir Afeganistão e Iraque para “civilizar” os dois países. É só acompanhar o noticiário: não está um paraíso o Iraque ocupado pelas tropas dos Estados Unidos?

Não existe justiça no Brasil. Quem serão os mortos pela pena capital? Ora, a resposta é muito fácil: os excluídos pela nossa sociedade, ou seja, brancos pobres, negros, indígenas e mestiços. Ou alguém acha que serão executados deputados corruptos ou riquinhos como a Suzane von Richtofen? Se a pena de morte se destinasse aos maus políticos, eu seria um pouco menos antipático em relação a ela.

É preciso investir muito em educação nesse país. Que se cortem todas aquelas regalias aos políticos, de maneira a sobrar dinheiro para construir escolas, e assim evitar que se gerem novos criminosos. De nada adianta matar “bandidos”, e nada se fazer para impedir o surgimento de outros.

Mas é claro que também é preciso tornar mais rígidas as leis no Brasil. As penas aplicadas e as regalias existentes nos presídios são um estímulo à criminalidade. Quem é condenado a 30 anos de prisão tem que ficar 30 anos preso (a não ser que se prove sua inocência), nem um dia a mais, nem um dia a menos. Aliás, eis um problema da pena de morte: se condena uma pessoa à morte, ela é executada, e depois de dois anos se descobre que ela era inocente. E aí, o que fazer?

Anúncios

Um comentário sobre “Mas que bonito, “civilizados”!

  1. Acho que não dá pra generalizar assim
    eu acho (e espero) que a maioria das pessoas que pede a pena de morte compreenda que ela tem que vir junto com toda uma reforma no sitema judiciario, pois inocentes morrerem pelo que nao fizeram é a mae de todas as injustiças
    agora, um cara que sequestra alguém, e/ou torutra, e/ou estupra, etc e ainda depois de ter todos os desejos atendidos ainda ri na cara e mata alguém a sangue frio tem salvação? de nada vai adiantar prende-lo, nao com o sistema carcerario do brasil pelo menos. eu vejo a pena de morte como uma saída mais condizente com a situaçao brasileira. e a situaçao ta quase como uma guerra: se tu encontrasse um inimigo na trincheira, teria que matar ele pra não morrer. é isso que ta virando o brasil, pois alguem que mata uma vez certamente ira matar de novo

Os comentários estão desativados.