Mais sobre o absurdo (*)

Sucessão

A polêmica foi instaurada no Olímpico. O motivo: Antonio Britto. Ou seria Paulo Odone? O nome do ex-governador do RS caiu como uma bomba em meio aos gremistas quando soou como o escolhido pelo nosso presidente para a sucessão de seu cargo. Pelo próprio passado como governador o nome já divide opiniões e, a julgar por amplas manifestações, tem uma enorme rejeição. Essa coluna não abordará seu convulsionado mandato no Piratini ou suas andanças como consultor de empresas. Abordará apenas as questões relativas à este Sr. e sua trajetória no Grêmio. Trajetória curta aliás, e sem, até onde sabemos, nenhuma realização.

Um pouco de sensibilidade na hora da escolha (e teria sido este o melhor método ?) teria evitado tudo isso. Com quatro vice-presidentes e alguns conselheiros em condições de assumir a presidência, é intrigante a opção por um nome que não tem um passado no clube, uma vida ativa no presente e, que sequer conhece os bastidores do futebol…

Era mais do que óbvio que o nome de Britto causaria indignação na maioria esmagadora da torcida e em alguns conselheiros. Será que os que o apoiam para ocupar este importante cargo não se deram conta de que poderiam dividir opiniões e tumultuar o ambiente no clube, exatamente quando o Grêmio vive um bom momento no futebol ?

Tem mais: parece que esqueceram que somos um clube de futebol e estamos em pleno andamento de um importante campeonato brasileiro. Só se fala em “Arena”, como se todo o resto não existisse. Aliás, se Antonio Britto é um “excelente administrador” (será ?), como citam os que o defendem, e “tem ajudado muito nos assuntos referentes à construção do novo estádio”, por que, então, não tentam indicá-lo para chamada “Grêmio Empreendimentos”? Se bem que, também, neste caso, correríamos o risco de outro rebuliço. Não nos causaria surpresa que este Sr. sugerisse (quem sabe?) que nossa “Arena” fosse construída no Nordeste para economizarmos com a mão-de-obra.

Um fato que surge em meio a tudo isso, e ninguém se da conta, é que Britto já deveria ter sido destituído do cargo de conselheiro do Grêmio há muito tempo (não só ele, diga-se de passagem)! Segundo declaração do ex-presidente Hélio Dourado, ” Britto é conselheiro desde 1996. E se tu vires as atas de presença no Grêmio nesses anos todos, eu não sei se ele faz uma presença por ano. Acho que ele não faz 10 presenças”. Para os mais desavisados: quando um conselheiro fica ausente em três reuniões consecutivas ou cinco alternadas, no prazo de um ano, ele deve ser destituído do cargo e empossado seu suplente, segundo o Estatuto do Clube, que pode ser conferido AQUI. Ou seja, o Estatuto é apenas uma peça decorativa! E ninguém (vamos frisar, ninguém), dentro do acomodado e conciliador Conselho do Grêmio, toma atitude de cobrar às presenças dos seus digníssimos componentes. Na nossa opinião, este talvez seja o maior absurdo de todos! Temos um Estatuto que rege (ou deveria reger) a vida política do clube, e ele é desrespeitado assim, a todo momento, na maior “cara dura”. Por que às listas de presença do Conselho Deliberativo não são tornadas públicas? Quando é que vai terminar o famoso “QI” para integrar esta instância de fundamental importância para nossa gloriosa instituição ?

Outra perguntinha: se o Grêmio ganhasse a Libertadores, e tivesse no caminho a disputa do Mundial de Clubes, Paulo Odone provavelmente não iria renunciar ao cargo para assumir a “Grêmio Empreendimentos”. Como ficaria a citada empresa ? Nenhum outro poderia ser empossado ? Por qual razão o atual presidente do clube deve assumir tal responsabilidade ? Por qual motivo tanto centralismo ? Não existe nenhum outro gremista habilitado (e que deveria passar pelo crivo das instâncias do clube) a desempenhar tal tarefa ?

Por fim, por onde andava o Sr. Antônio Britto em 2005? Por que não se interessou por exercer “sua paixão” na época em que o time se encontrava na série B ? Nas boas estão todos aí, na complicadas, curioso, não se vê tanta adesão, tanta disponibilidade. Temos um excelente momento no futebol, de enorme visibilidade e uma obra de 100 milhoes de euros pela frente… não deveria ser assim, mas tem todo jeito de oportunismo.

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* Fonte: ducker.com.br

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