Resolução da FIFA

A FIFA decidiu proibir a realização de jogos internacionais em altitudes superiores a 2.500 metros. Isso serve para “preservar a saúde dos jogadores”. Em fevereiro, foi destaque na imprensa brasileira o time do Flamengo tendo de respirar em balões de oxigênio durante um jogo em Potosí (Bolívia), a 4.000 metros de altitude. A FIFA, com isto, busca evitar que seleções se beneficiem da altitude para vencer adversários, como a Bolívia faz mandando seus jogos nos 3.600 metros de La Paz.

Seria até justo se a FIFA tivesse moral para impor esta proibição. Nas Copas do Mundo de 1986 (México) e 1994 (Estados Unidos), as principais partidas – além da decisão – foram disputadas ao meio-dia local, em pleno verão. Acima da “saúde dos jogadores”, estava o interesse das emissoras de televisão européias: ao meio-dia na Cidade do México e em Los Angeles (sedes das finais das duas Copas) correspondia o início da noite na Europa, quando a maior parte das pessoas chegava em casa, assistia aos jogos e assim havia uma grande audiência.

Além disso, é muita sacanagem proibir clubes de cidades como La Paz ou Quito de jogarem partidas internacionais em seus estádios – as seleções ainda se entende, pois a Bolívia, por exemplo, não se encontra toda acima das nuvens, em Santa Cruz de la Sierra a altitude não atrapalha. Os times serão punidos pelo crime de terem sido fundados nas capitais de seus países! E não é impossível vencer na altitude: na Libertadores de 1983 o Grêmio enfrentou o Bolívar em La Paz e venceu; assim como no ano passado o Inter derrotou o Pumas na Cidade do México (não é tão alto como La Paz, mas 2.300 metros já atrapalha um pouco).

Se o negócio é “preservar a saúde”, então a FIFA deveria baixar resoluções proibindo jogos ao meio-dia (como ela própria promoveu nos Mundiais de 1986 e 1994), em Belém do Pará à tarde (devido ao calor excessivo) etc. Deveria também proibir jogos em horários absurdos como 21h45min (que serve para a televisão, já que a Globo não aceita mudar o horário daquela bosta de novela para passar um jogo), enquanto o torcedor, em sua maioria, trabalha e precisa acordar cedo no dia seguinte.

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Baseado na resolução da FIFA, acho que vou entrar com um pedido de dispensa das aulas em dias de muito calor. Afinal, eu preciso ir até o Campus do Vale da UFRGS, na maioria das vezes em ônibus sem ar-condicionado (ou seja, muito quentes), suando muito – ou seja, me desidratando. Logo, é um prejuízo à minha saúde.

Acho que todos deveríamos fazer ações semelhantes.

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