Os “reclamões biológicos”

Todo ano (e é todo ano mesmo), quando começa o horário de verão, ouço um monte de gente (inclusive pessoas que dizem gostar do verão) reclamar. “Que bosta de horário de verão, tenho de acordar mais cedo”, e muito mais blá blá blá.

Pior é que agora eles ganharam um argumento científico em sua cruzada contra o horário de verão. Segundo uma análise publicada em um periódico britânico de medicina, a incidência de ataques cardíacos aumenta durante a primeira semana após a mudança nos relógios. Não cheguei a ler o texto mais aprofundadamente, mas certamente o aumento do número de infartos se deve à dificuldade de adaptação do corpo ao novo horário.

(Agora, pense bem: se há um aumento de incidência de ataques cardíacos, isso quer dizer também que há muita gente não se cuidando direito. Portanto, é uma boa ideia fazer revisão cardiológica a cada setembro, para não ser pego de surpresa. Quem sofre um infarto na primeira semana do horário de verão, poderia sofrê-lo em qualquer época do ano.)

Quando à “desadaptação do relógio biológico”, é claro que acontece no começo. Domingo, estranhei muito ao constatar que tinha sol às 7 da noite. Mas é exatamente por isso que a mudança de horário sempre acontece de sábado para domingo: é o dia em que a maioria das pessoas não precisa levantar cedo. Assim, na tão amada segunda-feira, já estamos um pouco mais adaptados.

Claro que isso não diminui o ímpeto dos reclamões contra o horário de verão, que insistem em falar no “relógio biológico desregulado” (não foi por acaso que falei em “reclamões biológicos”). Quando se adianta o relógio em uma hora, o que antes era 6 da manhã passa a ser 7, e assim sucessivamente; desta forma, quem acorda às 6 e meia passa a levantar às 5 e meia pelo horário “solar” (que é 6 e meia no relógio). Isso quer dizer que perdemos uma hora de sono, certo?

Errado! Pois também passamos a ir dormir uma hora antes pelo horário “solar”. Desta forma, por exemplo, quem deita às 11 da noite e acorda às 7 da manhã (tendo assim oito horas de sono), quando começa o horário de verão passa a ir para a cama uma hora antes (10 da noite pelo “sol”, 11 pelo relógio) e a levantar também uma hora antes (6 da manhã pelo sol, 7 pelo relógio). Ou seja, dormiu as mesmas oito horas de sempre…

Ou seja, não é tão complicado assim se adaptar ao horário de verão. Se parece um pouco difícil ir deitar uma hora mais cedo do que se está acostumado, tenho uma solução simples: dormir um pouco menos de sábado para domingo (uma hora a menos, para ser mais exato). Assim, a tendência é de que sintamos sono uma hora mais cedo na noite de domingo para segunda.

E quanto à hora que “nos roubaram” no último domingo, não se preocupem, pois ela será “devolvida” em 25 de fevereiro, um sábado que terá 25 horas. Querem coisa melhor que um sábado mais longo?

Não estou com a mínima saudade do verão

A “moda” entre os gaúchos nas redes sociais (Twitter, Facebook etc.), no momento, é reclamar do frio intenso que vem atingindo o sul do Brasil nos últimos dias. Além de torcer para que o verão chegue logo.

Não tenho achado nada fácil sair do banho, levantar da cama e, principalmente, “passar um fax” com todo esse frio. E sei que tem muita gente dormindo nas ruas, quase congelando – só que, sempre gosto de lembrar, isso não é culpa do inverno.

Ainda assim, não estou com a mínima saudade do verão, que me causa um desconforto imensamente maior que o frio dos últimos dias. Banhos de suor, gasto excessivo de energia com ventilador e/ou ar condicionado (sem isso é impossível dormir), sol inclemente… Aliás, cientista que afirma ser a falta de luz solar uma causa de depressão, só pode ser vendido para a indústria do verão*, ou desprezar as exceções à regra (será que realmente são exceções?). Afinal, me sinto mais atraído pela noite (tanto que a Lua tá lá no cabeçalho do blog) do que pelo dia.

E, pior ainda, é gente incoerente. Agora, reclama do frio e pede verão, mas quando ele chega, se queixa do calor… Quem não aguenta mais o inverno, mas não reclama do verão mesmo nos dias mais tórridos, tem todo o meu respeito (apesar da minha discordância climática). Agora, para os de memória curta que torcem para o verão chegar logo mas dentro de alguns meses estarão reclamando do calor, recomendo o vídeo abaixo:

Sim, dias como 3 de fevereiro de 2010 são exceção (afinal, o Batista não desmaia em todos os jogos que comenta durante o verão). Mas essa cena é muito simbólica do que é aquela época em Forno Alegre…

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* A propaganda (enganosa) só fala em sol, mas o verão me lembra mesmo é chuvaradas, como aquelas que causaram várias tragédias no Rio de Janeiro (mas reconheço que a culpa não é do clima).

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Atualização (07/07/2011, 23:29). Domingo tem jogo do Grêmio, e deve fazer um calorão em Porto Alegre, acima de 20°C! Batista que se cuide, caso ele seja escalado para comentar a partida…

Não existe discurso sem ideologia

Causou certa repercussão a decisão do empresário Anton Karl Biedermann de deixar o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social do Governo do Estado, por considerá-lo “ideologicamente comprometido”.

Não deixa de ser estranho: se Biedermann não compartilha da mesma ideologia do governo Tarso, por que foi convidado para integrar o “ideologicamente comprometido” CDES sem ter de fornecer “atestado ideológico”?  Mais: já que ele discorda do documento enviado aos integrantes do CDES que apresenta Porto Alegre como referência da luta contra o neoliberalismo (afirmação da qual discordo: Porto Alegre foi referência, não é mais), não é melhor participar e apresentar sua opinião?

A Zero Hora, claro, não podia deixar passar… E disse em seu editorial de hoje que foi “oportuno” o alerta de Biedermann, ao mesmo tempo que afirmou esperar dos integrantes do CDES que tenham discernimento para dialogar com o governo e também questionar “propostas anacrônicas”, principalmente as que refletirem “o radicalismo e o atraso denunciados pelo empresário”. (Ficou claro de que lado está a ZH, ou querem que eu desenhe?)

Não existe nenhum discurso que não reflita a maneira como seu autor (pessoa ou instituição) vê o mundo. Até mesmo uma fala considerada neutra, como a da moça da previsão do tempo na televisão: ela costuma definir um dia ensolarado como “tempo bom”, então quer dizer que há também o “ruim”, que obviamente é a chuva. Mas vá dizer isso aos moradores de Bagé, que há meses sofrem racionamento de água devido à estiagem… Para eles, no momento, “tempo bom” é justamente essa chuva que atinge o Rio Grande do Sul, mesmo que insuficiente para recuperar o nível das barragens.

Alguém pode pensar que uma previsão do tempo não é ideológica. Afinal, a palavra “ideologia” é costumeiramente associada à política partidária* e, principalmente, à esquerda (a “ideologia comunista”). Convém então explicar que ideologias são conjuntos de valores que norteiam a visão de mundo das pessoas e também de coletividades (desde um pequeno grupo, até o conjunto da sociedade). Ou seja, têm relação com a política partidária*, mas não se restringem a ela.

Obviamente que elas podem – e devem – ser contestadas. Como o próprio exemplo que citei, da previsão do tempo: dizer que um dia de sol é “tempo bom” (ou seja, aplicar um juízo de valor) é, sim, uma afirmação ideológica, já que reflete uma visão de mundo que valoriza as atividades de lazer ao ar livre, que é diferente do ponto de vista de um agricultor, que precisa de certa quantidade de chuva para não ter prejuízo. O fato de ser “senso comum” definir um dia ensolarado pela expressão “tempo bom” não a torna neutra.

Mas, óbvio, essa é a minha maneira de ver o mundo.

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* Ressalto a expressão “política partidária”, pois a política não se resume apenas a eleições e partidos. Uma simples troca de ideias já é um ato político.

Começa oficialmente mais um verão

E com isso, republico (com uma devida atualização) a lista dos motivos pelos quais prefiro o inverno ao verão, que postei pela primeira vez em julho.

  1. Odeio suar o tempo inteiro.
  2. O Sol não é meu inimigo no inverno – no verão nem adianta me encher de protetor, eu suo tudo.
  3. Os principais eventos esportivos (Copa do Mundo, Jogos Olímpicos, Copa América, Eurocopa etc.) acontecem entre junho e agosto, meses mais frios do ano no hemisfério sul.
  4. O Natal é no verão.
  5. O programa mais imbecil da televisão brasileira passa sempre no verão. Claro que não o assisto, mas me dá nojo ver como “o Brasil para” por causa desse lixo.
  6. No verão, eu bebo cerveja e suo. No inverno, ela me aquece (e não venham me dizer que isso é contradição: se for por isso, quem gosta do calor não devia ligar ventilador).
  7. Vinho não combina com 35°C.
  8. Economia de energia: no inverno não preciso ligar ventilador nem ar condicionado.
  9. Assistir a um filme enrolado num cobertor é muito bom!
  10. Verão no Rio Grande do Sul + futebol = Campeonato Gaúcho.
  11. Os mosquitos (espécie animal mais mala que existe) sofrem com o frio.
  12. Baratas, idem.
  13. A babaquice de algumas propagandas de cerveja aumenta exponencialmente no verão.
  14. Até o calor do inverno é melhor: tem dias que faz mais de 30°C e eu não suo, devido à baixa umidade (o que é raro no verão).
  15. Dizer que o nosso inverno é horrível é exagero dos bons: nunca se considerou Porto Alegre o lugar mais frio do mundo num dia. Agora, mais quente, sim… Inverno frio demais, é na Antártida ou na Sibéria.
  16. Não temo pelo meu computador em dias frios.
  17. Menos gente lê o Cão Uivador no verão.
  18. Comer chocolate no verão é um problema: ele fica todo molengão.

Parou por aí, porque por enquanto não lembrei de mais nenhum motivo – que poderá vir nos comentários.

Alguém poderá citar o sofrimento das pessoas mais pobres com o frio como motivo para preferir o verão, e a minha resposta é: a culpa não é do inverno!

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Menos mal que, de acordo com as previsões, o fenômeno La Niña vai deixar o tempo menos úmido por aqui. Pois o que faz o verão ser terrível em #fornoalegre não é simplesmente o calor, e sim a umidade elevadíssima. A ponto de muitas vezes uma caminhadinha de 50 metros se traduzir num banho de suor, mesmo que a temperatura esteja abaixo de 30°C.

Uma pena que o La Niña seja também ruim para a agricultura, por provocar estiagem. Mas não podemos simplesmente culpar o clima pelos problemas da agricultura.

De qualquer jeito, seja o calor seco ou úmido, começa junto com o verão a minha contagem regressiva para o outono: faltam 89 dias!

Belíssimo final de tarde

Fazia muito tempo que eu não via o Sol com um aspecto tão bonito no céu de Porto Alegre como no final da tarde deste domingo.

Uma pena que isso não seja consequência de algo bom. O Sol “fraco” (a luz dele, ao meio-dia, era amarelada) e a própria cor do céu, que estava azul-acinzentado, eram frutos da fumaça das queimadas no centro da América do Sul, trazida pelo mesmo vento norte que também foi responsável pelo calor de hoje – em Porto Alegre, a temperatura chegou a 31°C.

As fotos (clique nelas para ampliar) foram obtidas com celular – logo, não são grande coisa.

Bons motivos para eu preferir o inverno ao verão

  1. Não estou suado!
  2. O Sol não é meu inimigo nessa época – no verão nem adianta me encher de protetor, eu suo tudo.
  3. Os principais eventos esportivos (Copa do Mundo, Jogos Olímpicos, Copa América, Eurocopa etc.) acontecem entre junho e agosto, meses mais frios do ano no hemisfério sul.
  4. O Natal é no verão.
  5. O programa mais imbecil da televisão brasileira passa sempre no verão. Claro que não o assisto, mas me dá nojo ver como “o Brasil para” por causa desse lixo.
  6. No verão, eu bebo cerveja e suo. No inverno, ela me aquece (e não venham me dizer que isso é contradição: se for por isso, quem gosta do calor não devia ligar ventilador).
  7. Vinho não combina com 35°C.
  8. Economia de energia: faz uns três meses que não ligo o ventilador para dormir. Ar condicionado, então, só ligo quando o calor está muito forte, no frio eu dispenso.
  9. Assistir a um filme enrolado num cobertor é muito bom!
  10. Verão no Rio Grande do Sul + futebol = Campeonato Gaúcho.
  11. Os mosquitos (espécie animal mais mala que existe) estão todos encarangados de frio.
  12. Baratas, idem.
  13. A babaquice de algumas propagandas de cerveja aumenta exponencialmente no verão.
  14. Até o calor do inverno é melhor: semana passada fez 30°C em Porto Alegre e eu não suei, graças à baixa umidade.
  15. Dizer que o nosso inverno é horrível é exagero dos bons: nunca se considerou Porto Alegre o lugar mais frio do mundo num dia. Agora, mais quente, sim… Inverno frio demais, é na Antártida ou na Sibéria.
  16. Não temo pelo meu computador em dias frios.
  17. Menos gente lê o Cão Uivador no verão.
  18. Continuo sem suar!

Parou por aí, porque por enquanto não lembrei de mais nenhum motivo – que poderá vir nos comentários.

Alguém poderá citar o sofrimento das pessoas mais pobres com o frio como motivo para preferir o verão, e a minha resposta é: a culpa não é do inverno!

E acabou-se o horário de verão

No período em que vigorou (18 de outubro até ontem), estima-se que houve uma redução de demanda de energia elétrica de 4,4% no Centro-Oeste e no Sudeste, e 4,5% no Sul (no Nordeste e no Norte não houve horário de verão). Parece pouco, mas dá para abastecer cidades de médio porte por um bom tempo com o que se economizou.

Apesar de detestar verão, gosto do horário de verão (alguma coisa boa tinha de ter, para compensar o calorão dos infernos). Não dá para negar: é ele que permite, por exemplo, ficar na Redenção até as 20h. Com o retorno do horário normal, terei de mudar meu horário de caminhada, pois 20h já será noite, e não é nada recomendável andar pelo parque depois que anoitece.

Mas, ao mesmo tempo, gosto de quando termina o horário de verão. Afinal, trata-se do primeiro sinal de que o outono está a caminho…