Perigoso precedente

O zagueiro Bolívar, do Inter, recebeu uma punição inédita por parte do STJD. Após entrada criminosa que rompeu o ligamento cruzado do joelho esquerdo do lateral-esquerdo Dodô, do Bahia, o colorado ficará suspenso por no mínimo quatro jogos. Além destes, também estará proibido de jogar pelo mesmo período em que Dodô não puder entrar em campo devido à lesão.

Aparentemente, é uma punição exemplar. Porém, abre um perigoso precedente: agora, qualquer jogador que se machucar em uma dividida poderá provocar punição do mesmo tipo ao adversário, mesmo que ele não seja o culpado pela lesão.

Suponhamos que um atleta tenha problema no ombro, que inclusive já seja de conhecimento do departamento médico de seu clube. Aí um dia, num lance “ombro a ombro” (que pode até ser faltoso, mas é das jogadas mais normais no futebol), ele desloca a clavícula. O adversário é culpado? Não, pois o lesionado poderia se machucar em outro lance, talvez até mesmo sozinho. Sem contar que teríamos de partir do pressuposto de que o “agressor” sabia do problema do jogador adversário, e assim a “jogada de corpo” teria tido a intenção de machucar seu oponente.

Obviamente a minha hipótese não se aplica a Bolívar: sua entrada foi maldosa, merecedora de uma punição severa. Seis meses, um ano talvez, um longo tempo afastado dos gramados (até se levando em conta o período estimado para a recuperação de Dodô). E poderiam ser incluídos na pena os custos do tratamento.

Mas, que seja por um tempo definido. Pois caso Dodô machuque sozinho o mesmo joelho no futuro, como definir se a culpa ainda é de Bolívar? Aliás, mesmo caso do hipotético jogador com problema no ombro: se logo após voltar a jogar ele novamente deslocar a clavícula, a tendência será culpar o “responsável” por sua primeira lesão (mesmo que talvez nem na primeira ele seja culpado!).

Que o Vasco seja campeão

A dupla Gre-Nal se encaminha para um dos mais melancólicos finais de ano dos últimos tempos. Não briga por título, por Libertadores, por Sul-Americana (muito fácil se classificar para ela, com tanta vaga), pela fuga do rebaixamento… O clássico marcado para 4 de dezembro (se não for antecipado para o dia 3, sábado) poderá valer apenas para definir quem fica na melhor classificação final. Será comparável ao primeiro deste ano, realizado no dia 30 de janeiro em Rivera, com a diferença de que aquele foi um jogo de reservas, pois o Grêmio jogava a Pré-Libertadores e o time principal do Inter ainda estava em pré-temporada; já o de dezembro será uma bosta por pura incompetência da dupla.

Com o Grêmio nada mais tendo a fazer a não ser cumprir a tabela, não me resta outra alternativa que não a de abrir minha torcida para o Vasco da Gama nesta reta final de 2011. Mais do que não querer que o Corinthians seja campeão (aliás, se ganhar, é quase garantia de mais uma Libertadores perdida), torço para o Vasco devido ao bom exemplo que está dando neste ano.

Depois de começar 2011 de forma péssima, o Vasco se ajeitou e se não ganhou o Campeonato Carioca, papou o importante: a Copa do Brasil, numa eletrizante final contra o Coritiba, sensação do primeiro semestre. Só que se enganou quem pensou que o clube ficou satisfeito. Mesmo já tendo vaga garantida na Libertadores de 2012, o Vasco briga pelo título do Campeonato Brasileiro e está na semifinal da Copa Sul-Americana – pode assim obter o feito inédito de três classificações para a mesma Libertadores (obviamente as vagas serão remanejadas).

O Vasco de 2011 pode – e precisa – servir de lição a muitos clubes que em nome de conquistar um título importante, abrem mão de outros que são também importantes. Na maioria das vezes, tal estratégia se mostra equivocada, e ao invés de conquistar o mais importante, o clube acaba ficando sem nada. Todos lembram o que aconteceu ano passado com o Inter, que largou de mão o Campeonato Brasileiro após conquistar a Libertadores, foi para Abu Dhabi e, já sem o mesmo entrosamento, perdeu para o Mazembe (reparem que o Santos está correndo risco semelhante agora – a diferença é a ausência do Mazembe no Mundial). Em 2007 e 2008, Grêmio e Fluminense respectivamente usaram reservas no começo do Campeonato Brasileiro, poupando os titulares para a Libertadores: os pontos perdidos pelo Grêmio em jogos relativamente fáceis no começo do Brasileirão fizeram falta no final, e a última vaga à Libertadores de 2008 ficou com o Cruzeiro; já com o Fluminense foi pior, pois além de perder a Libertadores, só se livrou do rebaixamento na reta final do campeonato.

Vários times multicampeões não priorizaram apenas uma competição. Um dos melhores exemplos é o São Paulo de 1993: bicampeão da Libertadores, poderia ter “largado tudo” no segundo semestre, pensando apenas no Mundial. Não foi o que aconteceu: em setembro ganhou a Recopa Sul-Americana contra o Cruzeiro, e em novembro conquistou a Supercopa dos Campeões da Libertadores numa fantástica decisão com o Flamengo. No Campeonato Brasileiro, brigou pela classificação à final até o fim e acabou eliminado pelo Palmeiras, que também tinha um timaço.

Foi a melhor preparação que o São Paulo poderia ter: mesmo com o desgaste de um ano inteiro, estava pra lá de entrosado para enfrentar o poderoso Milan. Venceu por 3 a 2 num jogo sensacional, e sagrou-se bicampeão mundial.

Descarrego

Tenho certeza que todos os leitores (as) já passaram, estão passando e/ou passarão por desilusões amorosas. É algo inevitável, faz parte intrínseca do que somos, fomos e iremos ser pela vida afora. Então, proponho ao amigo (a) que nos acompanha uma questão bem singela, a partir de sua própria experiência pessoal: o que mais doeu em seus fracassos amorosos, na separação daquela pessoa que pareceu ser tudo, mas se revelou muitíssimo menos do que prometia?

Muitas respostas virão, certamente. Mas eu diria, e com certeza muitos do que responderem essa perguntinha diriam algo parecido, que o que mais dói é a desonestidade. Brincar com sentimentos alheios é uma coisa muito feia, que machuca mesmo, traumatiza até e faz com que muitos desacreditem do amor para todo o sempre. Algo que a vítima nunca esquece. E jamais perdoa plenamente. Jamais.

(Igor Natusch, no Carta na Manga)

Ronaldinho, enfim, ouviu o que merecia. Depois dele ter brincado com os sentimentos da torcida gremista, recebeu provavelmente o maior número de xingamentos por qualquer unidade de medida (segundo, minuto, metro quadrado e sei lá mais o quê) da história do futebol brasileiro.

Claro que a vitória histórica do Grêmio, 4 a 2 de virada que não foram contra o Flamengo e sim contra Ronaldinho (que não fez gol, bem feito!), não apaga tudo o que o jogador já fez contra nós. Mas depois deste 30 de outubro de 2011, fica mais fácil tratá-lo da forma que a razão indica: com indiferença.

Racionalmente, houve uma “quitação de dívida”: Ronaldinho sacaneou a torcida do Grêmio, que devolveu dedicando a ele tudo o que foi xingamento. Só que sentimentos não costumam ser racionais. A mágoa continua, por mais “descarregos” que se tenha: nunca acontecerá um retorno ao “ponto inicial”, que seria o perdão, pois os janeiros de 2001 e de 2011 sempre serão lembrados.

Mas ao menos, agora fica mais fácil deixar para trás esta página da história do Grêmio. Que não será apagada, mas precisa ser virada para que se possa escrever outras, preferencialmente mais felizes.

Teremos vaias para Guerreiro e Odone também?

Passado o desastroso resultado do Grêmio no sábado (não que a vitória servisse para alguma coisa neste já acabado 2011, mas era obrigação vencer o lanterna América-MG), todas as atenções se voltam para o jogo do próximo domingo no Estádio Olímpico, contra o Flamengo. Mais: contra Ronaldinho – isso se ele vier.

O blog Grêmio Libertador tem uma inteligente sugestão para o torcedor gremista que, por motivos óbvios, lotará o Estádio Olímpico no próximo domingo. O blog propõe uma manifestação pacífica com o uso de faixas, muito mais eficaz do que atirar moedas no ex-gremista, como os mais exaltados poderão querer fazer – atitude burra que pode resultar numa interdição do Monumental. Com o estádio tomado por faixas contra o “ídolo”, o Brasil todo poderá ver ao vivo pela televisão – a Globo não terá como esconder*.

Leitores do blog também fizeram uma bela sugestão de “homenagem” cantada – se bem que neste caso será mais para o próprio Ronaldinho, já que na televisão o som pode ser cortado, como já é tradição da Globo.

Obviamente vaiarei Ronaldinho – não apenas como gremista, mas também como cidadão. Aquele “leilão” que vimos no início do ano foi uma das maiores palhaçadas que já vi – inclusive já estava enojado antes mesmo do desfecho da “novela”. Ronaldinho e seu empresário-irmão simplesmente enrolaram os três clubes que brigavam pelo jogador – no caso, Grêmio, Palmeiras e Flamengo – em busca do contrato mais vantajoso. Leia-se: mais milionário. Pois Ronaldinho, coitado, estava muito pobre no começo de 2011…

Porém, não deixo de também achar que a vaia a Ronaldinho – que provavelmente será a mais ensurdecedora da história do Olímpico Monumental – poderá acabar servindo de “válvula de escape” para as frustrações dos gremistas nestes últimos 10 anos. Pois além dele, também deveriam ser vaiados o ex-presidente José Alberto Guerreiro e o atual mandatário gremista, Paulo Odone. Os dois têm grande parcela de culpa nas duas “traições” de Ronaldinho – e mesmo pelo declínio gremista nesta última década.

Em 2001, o jogador saiu sem render quase nada ao Grêmio graças à fanfarronice de Guerreiro: quando Ronaldinho despontou e começou a atrair propostas da Europa, em 1999, o então presidente decidiu “fazer média” com a torcida e mandou afixar na entrada do Olímpico uma faixa avisando que o Grêmio “não vendia craques”. Desta forma, o clube recusou propostas “irrecusáveis” pelo craque – dinheiro que, como vimos ao longo destes últimos 10 anos, fez muita falta aos cofres gremistas. E não bastasse isso, em 2000 contratou “medalhões” pagando salários absurdos, enquanto Ronaldinho, que fazia aquele time jogar, não ganhava nem metade do que recebia o “reserva de luxo” Astrada. Embora isso não faça a saída de Ronaldinho em 2001 ter sido menos “sacanagem”, também ajuda a entender melhor o que aconteceu.

Já no início de 2011, Odone tentou posar de “vítima” de mais uma sacanagem da dupla Assis e Ronaldinho. Porém, como o acontecido em 2001 indicava, não era admissível que o presidente do Grêmio tivesse total confiança neles – logo, tal discurso “vitimizador” não colou. E, de tanto o Grêmio perder tempo tentando contratar o jogador, acabou ficando não só sem ele, como também sem seu maior goleador em 2010, Jonas, que assim como Ronaldinho em 2001, saiu quase “de graça”, dois dias antes da estreia na Pré-Libertadores. Deu no que deu: eliminação nas oitavas-de-final da Libertadores, campanha pífia no Campeonato Brasileiro, e a exaltação a uma conquista que era nada mais do que obrigação de um clube como o Grêmio (mas pelo que Odone fala, parece ser o que de mais importante o Tricolor já ganhou).

Desta forma, vaiemos (e muito) Ronaldinho. Mas, por favor, jamais esqueçamos de Guerreiro e Odone. Do contrário, acharemos que “lavamos a alma”, e assim continuaremos nessa por pelo menos mais 10 anos.

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* Destaquei o “ao vivo” pois meu irmão descobriu algo inacreditável. No compacto do jogo Corinthians x Inter pelo Campeonato Brasileiro de 2005, simplesmente não aparece o lance capital da partida e do campeonato - ou seja, o pênalti não marcado sobre Tinga e o cartão amarelo ao colorado que, por já ter sido advertido antes, acabou expulso. Como gremista quero que o Inter se exploda, mas que isso se dê de maneira justa (como foi contra o Mazembe), e não com roubalheiras – e que não foram só naquele jogo.

Ganhamos do Santos lá…

Foi um resultado histórico, sem dúvidas. Até hoje a única vitória do Grêmio na Vila Belmiro fora em 1999, por aquela bizarra “seletiva para a Libertadores”. Enfim, ganhamos uma lá pelo Campeonato Brasileiro.

Mas, por favor, não me comecem a falar de novo em “lutar por vaga na Libertadores”. O objetivo do Grêmio neste Brasileirão é, no máximo, carimbar o passaporte para a Sul-Americana de 2012. Pois a permanência na Série A está praticamente garantida.

Grêmio praticamente fora da Libertadores 2012. Que bom!

Foi constrangedora a atuação do Grêmio ontem. Levou só 3 a 1 do Figueirense em pleno Olímpico, e com isso, é muito improvável que consiga disputar a Libertadores de 2012.

Sabem de uma coisa? Isso é ótimo!

Obviamente não estou contente com a derrota, ainda mais do jeito que ela veio: beirando a humilhação. Mas de tudo se pode tirar uma lição, o que é algo positivo. E neste caso, ela é a de que é insanidade acreditar em vaga na Libertadores do próximo ano. Ficou claro que o objetivo do Grêmio no Campeonato Brasileiro está praticamente garantido: a permanência na Série A. (Até porque ir à Sul-Americana é fácil demais, é quase a mesma coisa que escapar do rebaixamento, dado o exagerado número de vagas para o Brasil.)

Eu quero que o Grêmio dispute a Libertadores para ganhá-la, e não apenas para fazer figuração – opinião que compartilho com o Igor Natusch. E para isso é preciso planejamento a médio e longo prazo, o que tem sido raridade nos últimos tempos em se tratando do Tricolor.

Na atual situação financeira do Grêmio, o melhor é começar “comendo pelas beiradas”, como somos sempre ensinados quando crianças. É fato que o clube precisa voltar a ganhar um título além de Gauchão e Série B, e quebrar a escrita de 10 anos sem conquistas de verdade, mas querer logo a Libertadores é sonhar alto demais neste momento.

Por que não se dedicar a ganhar a Copa do Brasil (que foi justamente a última conquista de verdade do Grêmio)? Ela não demanda um plantel tão caro quanto um Campeonato Brasileiro, é um bom atalho para a Libertadores (sempre ela…) e, melhor ainda, termina no meio do ano. Sobra assim bastante tempo para buscar jogadores bons e baratos e, desta forma, montar um time em condições de conquistar La Copa sem precisar de muitos recursos financeiros.

Mas, é óbvio não irei torcer contra o Grêmio, mesmo que ele corra o risco de se classificar para a Libertadores do ano que vem e, assim, de não poder disputar a Copa do Brasil. Quero que ganhe os próximos jogos, para assim garantir matematicamente a fuga do rebaixamento – e provavelmente uma vaga na Copa Sul-Americana – e, principalmente, que anule Ronaldinho na partida do próximo dia 30 contra o Flamengo (se é que o ex-gremista terá coragem de vir ao Olímpico).

Mas assim que realmente não houver mais nenhum risco, que se ponha a gurizada a jogar e já se comece a buscar jogadores (e também um treinador, já que Celso Roth tem, sim, prazo de validade) para 2012, de modo a que o último ano do Olímpico Monumental não seja tão melancólico quanto o penúltimo.

Saindo do recesso

Declaro encerrado o recesso do Cão, antes mesmo da prova. Afinal, li que quando se faz concurso à tarde, o ideal é não estudar nada pela manhã – o que faz sentido: o conteúdo que não consegui decorar aprender até agora, não será em poucas horas que conseguirei fixar. Então, que seja como tiver que ser – de preferência, uma prova facinha, e que o desempate seja uma questão sobre a Revolução Romena de 1989, já que daquele contexto (1989) a maioria prefere estudar a queda do Muro de Berlim (se bem que isso tá caindo de maduro, pois semana passada fez 50 anos que o “Muro da Vergonha” foi construído).

Mas este período sem escrever foi inspirador para o pós-recesso. Virão mais textos sobre o fenômeno dos “concurseiros”, que expõe algumas contradições da classe média: o “médio-classista padrão” acha que pobre é “vagabundo que não quer trabalhar” (mesmo que se arrebente trabalhando o dia inteiro), mas não fique surpreso se o mesmo “médio-classista padrão” deixar de trabalhar para passar os dias inteiros estudando para concursos…

Só não prometo para logo à noite, pois depois da prova vou sofrer assistir ao jogo do Grêmio.

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Atualização (21/08/2011, 11:55). Acabo de descobrir que o jogo começa às 16h, então perderei de assistir à maior parte…

Grêmio 1 x 1 América-MG

Pergunta da minha chefe, na manhã de hoje: O Grêmio jogou ontem?

Minha resposta: Ontem o Grêmio entrou em campo. Agora, jogar já é outra história…

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Acabei não indo ao jogo. Fiz bem: se eu fosse, teria de assistir aquilo, e ainda por cima sem poder tomar uma cervejinha para atenuar o desalento.

E também não poderia protestar após o apito final. Pois quem vaia é “falso gremista”, e ainda corre o risco de apanhar da polícia…

FORA ODONE!

Chega de Odone no Grêmio!

Renato Portaluppi deixou o Grêmio nesta quinta-feira, após o vergonhoso empate em casa com o Avaí, lanterna do Brasileirão 2011. É fato que ele vinha cometendo erros neste ano que chega à metade (e não foram poucos, como a invenção de Gabriel no meio-campo, a “superproteção” a Douglas, a insistência com Gilson, William Magrão…), mas sua saída logo agora que o time seria reforçado com alguns jogadores mais “cascudos” – afinal, Renato já se queixara da falta de experiência do grupo – deixa bem claro que o problema não era só futebol.

A atual direção não queria Renato na casamata, pelo simples fato de que ele, por direito divino, brilhava mais que qualquer dirigente. Tanto que a renovação só aconteceu porque Paulo Odone percebeu que seria hostilizado caso não mantivesse o ídolo-mor do clube, que ainda por cima tirou o Grêmio da zona do rebaixamento no ano passado e classificou para a Pré-Libertadores. Eles vinham “se aturando” até a noite de ontem. A entrevista de Odone (que não ouvi, mas soube do teor) foi a gota d’água.

Renato se foi, mas vejo isso como um “até breve”. Agora, quem devia dizer um ATÉ NUNCA MAIS era nosso presidente populista, que adora falar da Batalha dos Aflitos para mascarar a seca de grandes conquistas; que perdeu tempo tentando contratar Ronaldinho e não só deu aquele vexame com as caixas de som no gramado, como também deixou Jonas ir embora dois dias antes da estreia na Pré-Libertadores; que fez o Grêmio embarcar na canoa furada da “arena”, me fazendo temer pelo futuro da instituição (só quero saber o que vamos disputar neste estádio tão “moderno”).

Enfim, chega de Odone no Grêmio! E por favor, que aproveite e leve Antônio Vicente Martins junto…

O retrocesso no calendário do futebol brasileiro

Ano passado, quando listei os motivos pelos quais prefiro o inverno ao verão (lista atualizada quando se iniciou o último verão), lembrei que a combinação de “verão” com “futebol no Rio Grande do Sul” dava “Gauchão”. Nada contra o futebol gaúcho, muito pelo contrário. É que acho o atual modelo de estaduais anacrônico, ruim para o futebol do interior do Estado – ao contrário do que muita gente pensa. Em breve, pretendo escrever mais sobre como se poderia realmente melhorá-lo.

(No atual Gauchão, que começou em 15 de janeiro, passou-se quatro meses jogando para a decisão ser, mais uma vez, um Gre-Nal. Apesar de que fazia quase 20 anos que não se tinha dois Gauchões seguidos decididos em Gre-Nal – a última ocasião foi nos anos de 1991 e 1992 -, Grêmio e Inter decidindo o título é talvez a maior tradição do campeonato. A década passada é que foi “estranha”, quando apenas em 2006 e 2010 o Gauchão acabou em Gre-Nal.)

Mas, voltando à questão “retrocesso calendárico”. Conforme falei, o campeonato começou em 15 de janeiro (menos de um mês, portanto, do fim da temporada de 2010 para o Internacional, que no ano passado disputou o Mundial de Clubes). E só termina hoje, 15 de maio. Ou seja, se “verão + futebol gaúcho = Gauchão”, ao mesmo tempo não podemos chamar o campeonato estadual de “torneio de verão”, visto que já se foi quase metade do outono, e daqui a pouco mais de um mês já será inverno.

Como bem lembrou o Vicente em seu ótimo texto no Carta na Manga, desde 2003 (quando foi adotada a fórmula dos pontos corridos no Brasileirão), o campeonato nacional nunca tinha começado tão tarde. Naquele ano, iniciou-se em 29 de março (ou seja, os estaduais foram realmente “torneios de verão”), terminando em 14 de dezembro. Em 2004 e 2005 começou mais tarde, no final de abril, durando respectivamente até 19 e 4 de dezembro (primeiro domingo do último mês do ano, como passou a ser regra desde então). O Brasileirão de 2006 teve seu início um pouco mais cedo, em 15 de abril, devido à paralisação prevista durante a Copa do Mundo. A partir de 2007, passou a começar no segundo sábado de maio, fazendo os estaduais avançarem um pouco mais outono adentro (foi assim inclusive em 2010, ano de Copa). E agora, em 2011, começa apenas em 21 de maio, um mês antes do início do inverno.

Ou seja, temos estaduais cada vez mais longos, e um Campeonato Brasileiro cada vez mais espremido. Um certame de 20 clubes disputado em turno e returno (ou seja, com 38 rodadas) não pode durar apenas seis meses e meio (o Brasileirão 2011 termina em 4 de dezembro). É jogo demais em pouco tempo – e lembrando que a Libertadores ainda não terminou, e no segundo semestre tem Copa Sul-Americana para vários clubes (e aí estranham quando os que estão bem no Brasileirão escalam reservas na “Sula”).

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Mas uma coisa é verdade também. Com tanto espaço no calendário, se poderia tranquilamente reduzir o número de participantes do Campeonato Gaúcho e fazê-lo em pontos corridos, turno e returno. E também não teria se visto aquela polêmica quanto ao Gre-Nal da decisão do 2º turno (a Conmebol não marcaria um jogo do Grêmio na terça já sabendo que ele teria de jogar dois dias antes, visto que a partida do Gauchão estaria marcada há meses).

Mas, entre um Gauchão longo de pontos corridos com Brasileirão espremido, e um Gauchão curto e “formulista” com Brasileirão de oito meses (e, claro, disputado em pontos corridos, turno e returno), prefiro sem dúvida alguma a segunda opção.