Missão cumprida

Folha da Manhã, 22/06/1970
Eu não sou o melhor do mundo (apesar de ser gremista), mas deixem eu celebrar pelo menos por um dia…

Folha da Manhã, 22/06/1970
Eu não sou o melhor do mundo (apesar de ser gremista), mas deixem eu celebrar pelo menos por um dia…

Faixa levada por torcedores ao jogo "Seleção Gaúcha" x Seleção Brasileira, em 17/06/1972 (foto publicada na Folha da Manhã de 19/06/1972)
Amanhã, eu vou defender minha monstrografia. Será ao final da tarde, assim como a Batalha dos Aflitos em 2005, mas não quero que a banca seja algo tão sofrido. Apesar do trabalho ser justamente sobre futebol.
Eu poderia muito bem divulgar aqui o local em que defenderei o trabalho de título “Jean Marie, o Brasil vai até o Chuí”: Futebol e identidade “gaúcha” nas páginas da Folha Esportiva (1967-1972), aproveitando o efeito do calmante que tomo desde a quarta-feira. Mas prefiro não contar com o ovo no cu da galinha, sei que minha calma é “fabricada”.
De qualquer forma, é natural algum nervosismo, mesmo que meu orientador tenha dito que meu trabalho está “muito bom”. Afinal, trata-se de um verdadeiro rito de passagem: 50 minutos que me tornarão historiador. Não dou a mínima para a formatura, cerimônia que a meu ver não serve para nada, já que o diploma só é entregue depois. Não vou esperar a formatura, prefiro já me sentir historiador depois da banca.
Brabo é que não vou poder sair da banca direto para o bar, beber aquela cerveja gelada. Justamente por causa do calmante, que ainda estará atuando…
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Amanhã, também defendem seus trabalhos o Alexandre Haubrich e a Cris Rodrigues, do Jornalismo B. BOA SORTE! E para o nervosismo pré-banca, como não sou médico, “receito” um bom e geladinho suco de maracujá! Melhor do que tomar um remédio que transforma em proibição a cervejinha pós-banca…
O primeiro homem a pisar na Lua foi Neil Armstrong. O segundo, ninguém lembra…
A primeira ovelha clonada foi Dolly. A segunda, ninguém lembra…
O primeiro avião construído foi o 14-bis. O segundo, ninguém lembra…
O primeiro gol da história do Campeonato Brasileiro foi marcado pelo atacante argentino Nestor Scotta, do Grêmio, contra o São Paulo, em partida vencida por 3 a 0 pelo Tricolor dos Pampas (em pleno Morumbi). O segundo, ninguém lembra…
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No dia 11 de dezembro de 1983, pela primeira vez um clube do Rio Grande do Sul sagrou-se CAMPEÃO DO MUNDO. No Estádio Nacional de Tóquio, numa tarde fria e nublada, o Grêmio bateu o Hamburgo por 2 a 1, dois golaços do grande Renato Portaluppi, obtendo a marca histórica.
Os primeiros são os que todos lembram, e os que alguns, magoados por não terem sido eles os pioneiros, tentam de todas as formas desmerecer. Pelo visto dor de cotovelo pode ser, sim, insuportável…
Na véspera do dia em que entreguei a “monstrografia”, senti dores no peito. Fracas, mas incomuns. Primeira coisa que pensei: coração. Mas, antes de começar a me preocupar mais, decidi pesquisar na internet as possíveis causas de dores torácicas e descobri que elas são sinais de muitas coisas, não só de problemas cardíacos. Azia, por exemplo. De fato, as dores se originavam mais perto do estômago do que do coração.
Em comum entre azia e infarto, uma de suas motivações: estresse. Aliás, coisa mais natural para quem está terminando o (até então) mais importante trabalho de sua vida. De qualquer forma, fui ao cardiologista, e fiz um eletrocardiograma que não acusou problemas – mesmo assim farei mais exames, como o do vilão colesterol.
Mas há uma coisa boa nisso tudo: me sinto na obrigação de dar adeus ao sedentarismo e de mudar alguns hábitos alimentares. Semana que vem, defendo o TCC para a banca, não terei mais desculpas.
Já tive o costume de caminhar na Redenção nos finais de tarde, mas geralmente só nas férias de verão. O fazia mesmo com o calor, porque aí chegava em casa e ia direto pro banho. É hora de pelo menos retomar tal hábito, e em definitivo.
Fica registrada a promessa para o pós-faculdade. Como essa “nova fase” da minha vida começa ainda em 2009, não trata-se de uma “resolução de ano novo”: logo, não há desculpa para ser descumprida.
Já a alimentação não precisa esperar a banca. Posso começar antes, até mesmo no próximo almoço.
Texto de Tiago Lethbridge publicado no Vi o Mundo, sobre o colapso da economia dos Estados Unidos que está por vir:
Poucos economistas ficam à vontade com o rótulo de Doctor Doom, ou Doutor Apocalipse. O apelido, no entanto, é recorrente — cada crise tem seu arauto do Juízo Final. Mas as crises passam, e ninguém quer ficar eternamente associado ao pessimismo. Mesmo o economista Nouriel Roubini, que se tornou uma celebridade ao prever que a crise imobiliária traria o caos ao sistema financeiro mundial, andou rejeitando a ideia. “Eu não sou o Doutor Apocalipse”, disse ele recentemente. “Sou o Doutor Realista.” Com o investidor suíço Marc Faber, porém, a coisa é diferente. Aos 63 anos, ele é um pessimista convicto e sem reservas. Seu influente relatório é intitulado GloomBoomDoom, e sua página na internet é ilustrada pelas caveiras da série de pinturas A Dança da Morte, de Kaspar Meglinger. Nas últimas décadas, Faber ficou famoso por fazer previsões apocalípticas em meio a períodos de euforia coletiva, acertando na mosca em alguns casos (ele recomendou a venda de ações uma semana antes do crash de 1987, por exemplo). Hoje, não é diferente. Apesar da retomada da economia americana no terceiro trimestre e da impressionante valorização das bolsas do mundo inteiro, Faber prevê um colapso para os próximos anos. Em entrevista a EXAME, ele afirma que a conjugação de juro quase zero com déficits fiscais recordes nos Estados Unidos criará uma bolha maior que a anterior, com efeitos ainda mais nocivos.
Para ler na íntegra, clique aqui.
Hoje, nós gremistas podemos sentir orgulho depois de uma derrota. Não porque ela tirou o título das mãos dos nossos rivais.
Passaram a semana toda especulando sobre uma possível “entregada” do Grêmio. Dirigentes do Inter, na maior cara-de-pau, falavam em “ir ao STJD”, esquecendo que ano passado desejavam “derrota heroica por 1 a 0″ para o São Paulo, só porque o Tricolor paulista era adversário do Tricolor dos pampas na briga pelo título brasileiro. E o Inter perdeu por 3 a 0: se “entregou” ou não, eu não sei, nem tenho como provar. Não que o Grêmio tenha perdido o campeonato por causa disso – naquela mesma rodada, empatou com o Figueirense num dos piores jogos de futebol que já assisti, sem contar que o São Paulo também fez por merecer o título, com apenas cinco derrotas em todo o campeonato – mas mostra que os dirigentes chorolados (genial definição do são-paulino Vinícius Duarte, do blog Com Fel e Limão) têm de lavar a boca antes de falarem qualquer coisa do Grêmio.
Ao longo da semana que passou, ouviu-se algum dirigente do Grêmio desejar “derrota heroica” contra o Flamengo? Não! Vimos é eles vetarem a escalação de um jogador – Souza – que, apesar de importantíssimo para o time, cogitou a possibilidade de “entregar”. Victor ficou de fora por razões compreensíveis: nosso NINJA tem tudo para ir à Copa 2010, e uma eventual falha num contexto desses acabaria com as chances dele na Seleção Brasileira.
Eu imaginava que os reservas escalados iriam querer mostrar serviço, para permanecerem no Grêmio em 2010. Dito e feito: foi simplesmente a melhor atuação do Tricolor fora de casa no Brasileirão – e talvez das melhores de todo o campeonato. Se tivesse empatado ou até mesmo vencido, não seria um resultado injusto. Pena que o Grêmio não tenha jogado assim em todo o campeonato.
E quanto a “entregar o jogo”… Só quem não viu o jogo poderá cogitar que o Grêmio jogou para perder. E quem viu e achou isso, peço desculpas, mas trata-se de um idiota.
Saíram os grupos. Claro que nenhum ficou exatamente igual aos que eu “sorteei”. Ficou claro que não sirvo para vidente…
Mesmo assim, farei alguns palpites sobre os prováveis classificados de cada grupo. Que provavelmente terão algumas mudanças às vésperas da Copa do Mundo, o que não impedirá que eu erre tudo!
No site do Globo Esporte, tem um simulador dos grupos da Copa 2010. É só clicar e fazer “a sua Copa”. Mas os grupos de verdade serão decididos amanhã, pelo sorteio que será realizado na África do Sul.
Eu fiz o meu palpite. Vejamos se eu consigo pelo menos acertar um cabeça-de-chave além da África do Sul, que já se sabe, ficará no grupo A.

O assunto da semana do sorteio dos grupos da Copa do Mundo é a possível “entregada” do Grêmio para o Flamengo no próximo domingo. Afinal, um empate poderá dar o título ao Inter (ou ao Palmeiras ou ao São Paulo, dependendndo da combinação de resultados). A tentação de torcer por derrota do Grêmio é muito grande, só para impedir a conquista colorada (como se a partida deles contra o Santo André fosse jogo jogado, até parece que o time paulista virá a Porto Alegre não precisando vencer para escapar do rebaixamento).
O que eu digo, é: pela honra do futebol do Rio Grande do Sul, quero que o Grêmio vença domingo. Pois foi isso que faltou, se não aos jogadores, aos dirigentes do Inter: quando jogaram contra o São Paulo no ano passado, adversário direto do Grêmio na luta pelo título, falaram em desejar “derrota heroica por 1 a 0″. Se a escalação de um time misto (com a desculpa da Copa Sul-Americana) foi com o propósito de “entregar”, não sei, e não será possível provar. Mas mostra que os dirigentes colorados têm de lavar a boca antes de falarem qualquer coisa sobre o Tricolor (que, vale lembrar, ano passado perdeu o título por conta dos diversos jogos fáceis nos quais deixou de pontuar, dentre eles contra o Figueirense no Olímpico, na mesma rodada deste São Paulo x Inter – se tivesse vencido tais jogos, não teria do que reclamar).
Quero que o Grêmio mostre o seu máximo no domingo. Se fizer isso (e certamente fará, pois os jogadores são, acima de tudo, profissionais), mesmo que perca, será honroso. Será bom para o Flamengo também, que não entrará para a história por “ganhar um título porque o último jogo foi entregue” – mesmo que em um campeonato de pontos corridos o último jogo tenha o mesmo valor de todos os outros 37, ou seja, 3 pontos.
Aliás, é mais um motivo pelo qual os dirigentes colorados têm de calar a boca: se o Inter não for campeão, não será por causa do Grêmio (que já ajudou bastante o rival, tirando pontos de Flamengo, Palmeiras, São Paulo e Cruzeiro), e sim por conta de sua própria incompetência, que conseguiu perder em casa para o Botafogo, um dos piores times deste Brasileirão. Além de levar 4 a 0 do Flamengo (dele mesmo!) no Maracanã, jogando com reservas (vergonhoso!). Ou seja: poderia depender apenas de seu próprio resultado para ser campeão, sem precisar do Grêmio.
Resumo da história: no domingo, DÁ-LHE GRÊMIO! Se o Inter vencer e for campeão, será uma comemoração um tanto constrangida, como alguns colorados já confessaram. Mas pode acontecer algo melhor e nada impossível, dada a tradição colorada de “ressuscitar mortos”: uma vitória do Santo André…
Na segunda-feira, dia 30 de novembro, completaram-se 30 anos da Novembrada, como ficou conhecida uma grande manifestação popular em Florianópolis acontecida quando a cidade recebia a visita do general João Figueiredo, último militar a ocupar a presidência do Brasil. Foi um dos mais importantes protestos contra a ditadura no nosso país.
Porém, o comentarista Luiz Carlos Prates, da RBS, disse no “Jornal do Almoço” de Santa Catarina que a Novembrada foi “coisa de fracassados”. Para ele, o Brasil “só piorou” com a saída dos militares do governo, Figueiredo deu “uma lição de democracia” (E ele morreu pobre, com aposentadoria de general? Leitores, façam seus pedidos para o dia 25, eu sou o Papai Noel!), e não houve repressão e censura, visto que ele não as sofreu (indicativo de que lado ele estava). Pode???
Queria saber de Prates o que acha da crise econômica vivida pelo Brasil que se iniciou ainda na década de 1970 e se estendeu pela seguinte, a ponto dela ficar conhecida como “a década perdida”. Os militares gastaram uma fortuna “construindo estradas”, mesmo que inúteis, como a Transamazônica. E a dívida externa, Ó…
O comentário de Prates é uma ofensa a todos os cidadãos brasileiros, e principalmente aos que lutaram pelo retorno da democracia ao nosso país, muitos tendo que se exilar, ou mesmo perdendo suas vidas. É uma ofensa aos cidadãos que em 30 de novembro de 1979 não se intimidaram e saíram às ruas de Florianópolis para mostrar que as coisas não podiam mais ficar do jeito que estavam.
Abaixo, o vídeo com o comentário infame. Se o leitor tiver estômago, assista.
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Em tempo: esse cara é tão reacionário, mas tão reacionário, que é contra as pessoas andarem de bermuda nas ruas. Se tal opinião já seria absurda em Porto Alegre (que é terrivelmente quente no verão), imaginem em Florianópolis…
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