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Archive for Junho, 2009

Racismo e xenofobia 2

O Guga Türck escreveu um ótimo post no Alma da Geral sobre o texto do Chico Lang publicado na Gazeta Esportiva.

O artigo do Lang é um insulto não a quem mora no Rio Grande do Sul, mas sim, a quem tem o mínimo de inteligência. É um texto racista (comprovadamente) e xenófobo.

É racista, porque fala sobre a violência como “coisa de índio” – como se o homem branco nunca tivesse feito nenhuma guerra, só os indígenas. As duas guerras mundiais, o Holocausto… Foram os índios que fizeram tudo isso? Foram eles que provocaram as mais sangrentas guerras que nossa América Latina viveu?

E é xenófobo porque a palavra “xenofobia” significa “fobia à diferença”. Logo, ela pode ocorrer entre grupos de dentro do mesmo país – exemplo disso, dentro do Brasil, é o preconceito existente contra o Norte e o Nordeste.

O texto desse Chico Lang trata o futebol riograndense como “de espírito belicoso” (seria inferior, por isso partiria para a violência). Antes mesmo da bola rolar, fala que Corinthians e Cruzeiro serão tratados com violência aqui em Porto Alegre, na próxima semana, e que deveriam “trazer um pelotão de seguranças”. (Se trouxerem, mandem a conta para o Lang pagar, pois o que ele escreveu pode muito bem vir a servir de incitação para os poucos que não gostam de futebol, e sim de violência. E que não são exclusividade de um ou outro Estado.)

Não satisfeito, o cara ainda inventa de falar que na ditadura militar “a maioria dos generais era do Sul”. De fato, eram. Mas é preciso ser muito, digamos, inocente, para achar que os militares não tiveram apoio de muita gente fora do Rio Grande do Sul, e que os riograndenses foram todos, sem exceção, favoráveis ao golpe. Sem apoio, alguém acha que eles ficariam no poder?

E não esqueçamos da “grande mídia” (da qual faz parte o Chico Lang): a daqui apoiou a quartelada de 1964, é claro, mas isso não foi nada diferente do que fez a do centro do país. Inclusive há um jornal, considerado o maior do Brasil, que teria emprestado carros aos órgãos de repressão do regime militar e ainda disse que não houve ditadura no Brasil, mas sim uma “ditabranda”.

Racismo e xenofobia

Depois que terminou o jogo de ontem, fiquei sabendo (e assisti um pouco pela televisão) sobre a denúncia do volante Elicarlos, do Cruzeiro contra o atacante gremista Maxi López, por injúria racial: o argentino teria chamado o adversário de “macaco”. Na hora, claro que todo mundo lembrou do episódio de 2005 entre o então atacante são-paulino Grafite e o zagueiro Leandro Desábato, do Quilmes.

Se houver provas, Maxi López tem de ser punido exemplarmente, e também dispensado do Grêmio. Afinal, o racismo é um mal que precisa urgentemente ser erradicado, em todo o mundo. E penso o mesmo da xenofobia, “irmã gêmea” do racismo.

Afinal, nessas horas vai aparecer muita gente que, além de acusar toda a torcida do Grêmio de ser racista (e isso não é preconceito também?), começará a dizer que a atitude de Maxi López (se realmente ocorreu) é “típica de argentino”. O que aconteceu em 2005, no episódio do Desábato.

Vale lembrar que o futebol, muitas vezes, é mais do que apenas esporte. Ele pode ser uma espécie de “válvula de escape” para os mais variados sentimentos – como a xenofobia. Em 1969, havia uma crescente tensão entre Honduras e El Salvador, que se refletiu nas partidas entre as seleções dos dois países, válidas pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 1970, e levou a um conflito militar que ficou conhecido como “Guerra do Futebol”, já que o esporte serviu de pretexto.

Algo semelhante ocorreria 20 anos depois, em uma partida pelo antigo campeonato iugoslavo: no dia 13 de maio de 1990, as tensões entre croatas e sérvios entraram em campo na partida entre Dinamo Zagreb e Estrela Vermelha de Belgrado, resultando em violentos conflitos no estádio da capital croata, com várias mortes. Foi uma “prévia” da guerra na qual mergulharia a região dos Balcãs a partir de 1992.

E podemos dizer que não há xenofobia na relação Brasil-Argentina, nem mesmo no tocante ao futebol?

Os leitores lembram de uma infame propaganda de uma cerveja durante a Copa do Mundo de 2006, em que “valia qualquer coisa” para ganhar da Argentina? E de como a “grande mídia”, principalmente do centro do país, fala mal dos argentinos?

Enfim, repito: se houver provas da injúria racial de Maxi López contra Elicarlos, que ele seja punido e mandado embora do Grêmio. Mas, por favor, sem hipocrisia. Rotular toda uma torcida – e também um povo – devido à atitude (da qual nem se tem provas) de uma pessoa, é preconceito também.

Ficou difícil…

Mas, se os Estados Unidos ganharam de 2 a 0 da Espanha pela Copa das Confederações, por que o Grêmio não pode ganhar de 2 a 0 do Cruzeiro?

Corrente pelo Grêmio

soylocoportri

Blogueiros tricolores, publiquem essa imagem!

Um baita Boteco

botecotv

Desde o início de abril, toda segunda-feira o Alma da Geral põe no ar o programa “Boteco Tricolor”, feito por torcedores para torcedores – assim como o Almômetro.

Nas últimas duas semanas não tive tempo de parar e ouvir. Ainda mais o programa do último dia 8 (gravado um dia após o jogo contra o Náutico), anunciado como tendo mais de uma hora de duração, e que prometia ser excelente.

Já foram ao ar mais dois Botecos depois do citado, nos dias 15 e 22, mas esse do dia 8 é realmente excelente, vale a pena ouvir: uma hora e vinte minutos de ótima qualidade! Futebol (é claro!), mas também um ótimo debate sobre preconceito (contra negros, homossexuais e mulheres) e violência nos estádios, críticas à elitização do futebol (fenômeno crescente no Brasil), dentre diversos assuntos, que não são discutidos na “grande mídia”.

Além dos titulares Guga Türck (editor do Alma da Geral), Jefferson Pinheiro e Sérgio Valentim, participaram também os gremistas Cláudio Silva, Bolívar de Almeida e Célio Golin.

Não deixe de ouvir!

União dos blogueiros gremistas

Eu já tinha visto a mobilização, todos os blogs com a mesma imagem na última quarta-feira. Acabei não postando porque não tive tempo de sequer acessar o blog aquele dia – depois da correria, fui ao jogo, é claro.

Mas nessa quarta, a mobilização se repete! E não só em Porto Alegre: meu grande amigo tricolor (e Vagabundo Iluminado) Diego Rodrigues, que faz mestrado em Economia lá em Minas Gerais, já avisou que vai ao Mineirão quarta, junto com amigos gremistas (e também com os anti-cruzeirenses), para levar seu apoio ao Tricolor.

Que seja pé quente como era nos tempos de Olímpico!

Toma, direitosca!

O relatório anual da Anistia Internacional 2009 denunciou o Estado do Rio Grande do Sul, seus promotores do MPE e policiais, pela criminalização do MST.

Apesar da minha satisfação expressa no título, acho que pouco mudarão as opiniões dos direitoscos no Rio Grande do Sul. Mais: é capaz deles dizerem que a Anistia Internacional é “petista, comunista e baderneira”!

Mas a direitosquice nem é exclusividade riograndense. Ontem, em São Paulo, uma manifestação de alunos, funcionários e professores da USP contra a presença da PM na universidade – que resultou em violenta repressão no último dia 9 – foi alvo de ovos e garrafas atiradas por um imbecil, morador do 12º andar de um edifício: ou seja, nem sequer tinha o argumento de que a passeata o deixou “preso no trânsito”.

Aliás, como se fosse preciso fazer manifestação para o trânsito trancar em São Paulo – e o mesmo vale para Porto Alegre.

Michael Moore, sensacional!

O trailer do novo documentário de Michael Moore já dá uma ideia de como deve ser o filme completo… Ironia é o que não falta!

Duas classificações suadas

A quarta-feira teve bastante futebol.

Ontem, em Montevidéu, o Nacional podia empatar em 0 a 0 com o Palmeiras, para se classificar para a semifinal da Libertadores. Um jogo histórico. Afinal, a última vez que um clube uruguaio alcançara tal fase na Libertadores fora em 1988, com o Nacional, que seria o campeão.

Mais que uma vaga, valia também a melhora da auto-estima de um país com um passado tão vitorioso no futebol: a taça que o Nacional levantou em 1988 foi a sua terceira (ganhou também em 1971 e 1980) e a oitava do futebol do Uruguai (o Peñarol ganhou La Copa cinco vezes: 1960, 1961, 1966, 1982 e 1987). E para minha satisfação, aconteceu o resultado que o Nacional precisava: 0 a 0, classificação no saldo qualificado, já que a partida de ida, em São Paulo, acabara em 1 a 1.

Ainda resta uma vaga em disputa para o Uruguai, mas é tarefa muito complicada. O Defensor, que perdeu a primeira em casa para o Estudiantes por 1 a 0, precisa vencer por pelo menos 2 a 1 (1 a 0 leva para os pênaltis) em La Plata, para fazer a semifinal contra o… Nacional! Mas não custa nada torcer por uma final Brasil x Uruguai, o que não acontece desde 1983 – quando o campeão foi o Grêmio!

Aliás, o Grêmio… A situação era idêntica à do Nacional: podia empatar em 0 a 0 com o Caracas e se classificaria pelo saldo qualificado. E o resultado foi idêntico ao do time uruguaio. Embora o futebol da Venezuela tenha melhorado nos últimos tempos, e o Caracas seja o time menos pior enfrentado pelo Grêmio nessa Libertadores, não dá para ficar feliz com uma classificação vinda da forma que veio.

Pois se o Tricolor levou sufoco no final, isso se deve à enorme quantidade de gols perdidos por seu ataque – terminasse o primeiro tempo metendo uns 3 a 0 (o que não seria nada estranho), poderia só administrar o resultado no segundo tempo. São oportunidades que, se desperdiçadas contra um São Paulo ou um Cruzeiro (acho que vai dar Raposa), poderão tirar a vaga na final.

E chamam a atenção também as atuações ruins de Tcheco e Souza, como comprovam as médias dos dois jogadores no Almômetro do jogo de ontem e também no de domingo passado, contra o Fluminense. De positivo em Grêmio x Caracas, Adílson, que parece ter se encaixado bem no 4-4-2 de Autuori, assim como Túlio.

Irã se aproxima dos Estados Unidos?

Se realmente houve fraude… Charge genial do Kayser:

plagio