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Archive for Fevereiro, 2009

“Plebiscito” no Cão Uivador

Em janeiro, decidi adotar uma nova “política de comentários”. Pois o blog estava sofrendo incursões de nazi-fascistas que vinham aqui defender Coronel Mendes, pena de morte e outras barbaridades. Passei a me utilizar do “poder” que tenho como moderador do blog, para bloquear tais manifestações. Como disse um professor da faculdade, “não se pode ser tolerante com os intolerantes”.

As regras não atingiram apenas os nazi-fascistas. O Cão Uivador é abertamente gremista, mas tem muitos leitores colorados. Não é um blog dedicado exclusivamente a futebol ou ao Grêmio, ou seja, não é escrito apenas para os gremistas. Existem blogs que tratam apenas do Grêmio ou do Inter.

Porém, desde o começo de 2008, tem sido comuns as incursões de colorados “pifados”. O uso do termo se explica pela mania deles de quererem diminuir qualquer conquista do Grêmio, por mais importante que seja – e o símbolo maior desta “dor de cotovelo” é o negacionismo em relação ao título mundial do Grêmio, só porque a FIFA não colocara o nome dela no caneco em 1983 – pois não tinha intere$$e nisso. Muitos colorados se vangloriaram de serem “campeões da FIFA” em 2006, e pouco tempo depois viram seu time ser eliminado na primeira fase da Libertadores e, pasmem, do Gauchão. Aí apareceu o aviãozinho com a faixa “Campeão do Mundo PIFA” sobrevoando Porto Alegre, em homenagem à arrogância que tomara conta de muitas mentes vermelhas.

Os colorados “pifados” são uma praga tão terrível quanto os nazi-fascistas. Pois o que mais fazem é tumultuar os debates sérios. Já aconteceu de eu escrever uma postagem que nada tinha a ver com futebol, e um “pifado” escreveu besteiras, desviando totalmente o foco da discussão: no caso, era sobre a tragédia da chuva em Santa Catarina, mas acabou virando futebol.

E mesmo nos textos sobre futebol, a baixaria acaba tomando conta. Pois os “pifados” não tocam uma flauta de qualidade, com ironias como as do meu pai (o Cesar) ou o sarcasmo do meu amigo Antonio Duarte. Os “pifados” só provocam, falam idiotices. Esquecem que há diversos blogs colorados para escreverem as suas “pifações” – só lamento que façam isso em blogs de qualidade, que obviamente também existem no lado vermelho.

Cheguei a pensar em não escrever mais sobre futebol, mas sei que muita gente gosta do assunto. Então, decidi saber o que pensam os leitores, razão de existir de qualquer blog. Não deixem de votar.

E, por favor, sem “pifações” nos comentários.

O retorno (?) da caótica rotina

Algo que me chamou a atenção no verão de 2009 em Porto Alegre foi que houve congestionamentos na Independência nos finais de tarde. Algo que geralmente acontecia só “durante o ano”.

Ou seja: nem o verão salvou a cidade do caos no trânsito. A cidade mais tranqüila, menos caótica, sempre foi a única coisa que eu via de bom durante a estação mais quente do ano (apesar de que março é caótico e quente ao mesmo tempo).

E agora, todos os carros que estavam nas praias voltarão…

Correção

No último dia 18, postei aqui sobre o jogo Grêmio x Brasil de Pelotas. Falei sobre a “outra Geral”, que se reuniu atrás da goleira da Carlos Barbosa.

Por engano, eu disse que se tratava de uma dissidência, que resolvera migrar em “protesto contra o protesto”, já que a Geral não havia levado instrumentos e faixas para o jogo devido à nova política da direção do Grêmio em relação às torcidas organizadas.

Porém, quarta-feira o Hélio me corrigiu enquanto esperávamos o jogo Grêmio x Universidad de Chile: a “migração” durante Grêmio x Brasil-Pel se deveu a nosso ídolo Danrlei, hoje no Xavante. No segundo tempo da partida – quando se formou a “outra Geral” – o goleiro defendia na goleira da Carlos Barbosa, e boa parte da Geral decidiu acompanhá-lo.

Enfim, desculpem a minha falha.

Péssimo resultado

O Grêmio poderia ter goleado o Universidad de Chile ontem, mas não passou de um 0 a 0. Do jeito que as coisas iam, poderia jogar até amanhecer, e o gol não sairia.

Agora, com o dever de casa não feito, tornou-se obrigação vencer pelo menos uma fora de casa, para não passar sufoco na busca pela classificação. Dois dos três jogos fora são nos Andes: o primeiro contra o Boyacá Chicó, em Tunja; o outro contra o Aurora, em Cochabamba.

Os adversários podem não ser os mais famosos, mas altitude sempre atrapalha. Prova disso é que um tal de “campeão de tudo” apanhou nos 705 metros acima do nível do mar de Veranópolis em 2007, e semana passada sofreu com os vertiginosos 227 metros de Rondonópolis.

O início de mais uma caminhada

O Caue Fonseca escreveu no Impedimento um texto que poderia ter sido muito bem escrito por mim.

São impressionantes as semelhanças: assim como o Caue, eu era sempre o último escolhido para os times de futebol na Educação Física e também comecei a gostar de futebol tardiamente. Em 1991, quando o Grêmio foi rebaixado, não me senti tão humilhado quanto em 2004 (se bem que 2004 realmente foi pior).

Comecei a prestar mais atenção em 1993, quando a professora de Educação Física praticamente impôs que eu jogasse futebol, já que em geral eu ficava sentado assistindo (chegou ao ponto de um colega inventar um gol para mim no passado, pois eu mal tocava na bola quando jogava). Em 1994, não assisti apenas aos jogos do Brasil na Copa – partidaços como Romênia x Colômbia, Romênia x Suécia e Bulgária x Alemanha foram marcantes no início de minha adolescência.

E foi naquela época que comecei a me sentir gremista mesmo. Não me lembro de nada da Copa do Brasil de 1989, mas de 1994 sim: pela primeira vez eu disse “ganhamos”, me sentindo “integrante” da “comunidade imaginada” chamada “torcida do Grêmio”.

No início de 1995 eu ainda era um “gremista em formação”. Para alguém em um processo desses, ganhar a Copa Libertadores da América seria demais. Simplesmente demais. E ela veio.

O Grêmio começou desacreditado, mas foi avançando na competição. Nas quartas-de-final, o adversário era o Palmeiras, grande favorito. Mas em dois jogos inesquecíveis, o Grêmio seguiu adiante: fez 5 a 0 no Olímpico, tomou 5 a 1 em São Paulo e se classificou no saldo. Depois passou pelo Emelec (que já havia enfrentado na primeira fase), empatando em 0 a 0 no Equador e vencendo por 2 a 0 no Olímpico. E na final, o Nacional de Medellín. Vitória de 3 a 1 no Olímpico, e empate na Colômbia em 1 a 1 conquistado no final do jogo, que nos deu o título (pela segunda vez).

Fica fácil entender o motivo pelo qual sou fascinado pela Libertadores. A quero mais do que qualquer outro caneco. Ganhar o Brasileirão em 2008 seria bom, mas o mais importante, a vaga para “La Copa”, nós conquistamos.

E agora, vou lá, começar mais uma caminhada.

As curtas “férias” do blog

Já houve “não-férias” da mesma duração – principalmente em épocas de correria. Desde sua criação, em 14 de maio de 2007, o blog jamais teve “férias” propriamente ditas, pois o Carnaval de 2009 fez com que parasse tanto tempo quanto no fim de maio de 2008, quando eu tinha de terminar um artigo para a faculdade.

A parada se deveu a uma curta viagem para a praia de Araçá, um pouco depois de Capão da Canoa (mas pertencente ao mesmo município), onde não tive acesso à internet (e não seriam três dias sem computador que me entediariam). Como é típico do litoral gaúcho, teve vento, areia e água gelada. Além de chuva, trânsito caótico (afinal, boa parte de Porto Alegre se muda…), cerveja e carteado. Somei também o War à lista.

E nada de Carnaval: a única folia que me atrai é a de Pernambuco – por curiosidade, pois nunca fui mas acredito que deva ser divertido. Por mais que falem maravilhas do Carnaval da Bahia, eu jamais gastaria meu dinheiro para ir ver trios elétricos e cantoras de cabelos diferentes mas de vozes iguais. E não tenho saco para passar uma noite assistindo desfile de escolas de samba: o que eu gosto mais é de acompanhar a apuração.

Mas o que mais me chamou a atenção no feriado foi a especulação imobiliária, que está a todo vapor no Litoral Norte. Já há diversos condomínios fechados prontos, e mais uma porrada em construção.

O que muitos vêem como “progresso do Litoral Norte”, me passa a impressão de um retorno no tempo; para ser mais preciso, à Idade Média. Diversas cidades cercadas por muralhas (com direito à cerca eletrificada no alto, na versão do século XXI), que servem para dar a famosa “sensação de segurança”. Mas que claramente servem para manter do lado de fora, “invisíveis”, não apenas os “bandidos”: no retorno para casa, vi de um lado da Estrada do Mar uma muralha, e do outro, uma favela. Cujos moradores provavelmente serão expulsos com a valorização da região.

As próximas “férias” do blog talvez durem apenas um fim-de-semana (menores que muitas “não-férias”). Quero ir ao litoral no inverno, não só pela curiosidade de ver a praia vazia no frio, mas também para ter uma idéia melhor de como é a vida real na região – o verão engana.

Valeu, Vovô!

Infelizmente, não deu. No Rio-Rita decisivo do Citadino 2009, o Vovô perdeu por 4 a 2, e acabou vice-campeão.

Parabéns ao campeão São Paulo! E também ao vice Rio Grande e ao Rio-Grandense por seu retorno!

E fica a torcida para que o Citadino passe a ser realizado todos os anos, para que o futebol rio-grandino volte a ser forte como antigamente.

Tri porcaria

Quando anunciaram a implantação do sistema “TRI” (Transporte Integrado) nos ônibus de Porto Alegre, disseram que seria “tri moderno, tri fácil, tri prático”. Mas até agora, está “tri ruim”.

Deslocaram a roleta mais para a frente nos ônibus, o que gerou dois sérios problemas:

  1. Poucos lugares na frente para os idosos, para estimulá-los a passarem a roleta e utilizarem lugares “reservados” no meio (!) do ônibus. Além da maioria dos passageiros não respeitar os lugares destinados aos idosos, ainda há o perigo deles caírem devido aos solavancos do ônibus quando se dirigem à porta traseira para descer;
  2. O leitor do cartão é lento, o que gera filas mais demoradas. Como a roleta está mais perto da porta, as filas se estendem para fora do ônibus, atrasando a viagem.

Não é nada “prático” também, porque só conseguimos saber o saldo do cartão passando na roleta – correndo o risco de embarcar no ônibus sem saber que o cartão não tem mais créditos. Não há sequer um sistema para se consultar o saldo pela internet, mediante fornecimento do número do cartão e senha – como se faz em sistemas de “home banking”.

E agora, mais essa. Quem tem o cartão de passagem escolar, precisa renová-lo.

Ano passado imaginei que, como o troço é “tri prático”, entre um semestre e outro só seria preciso levar o comprovante de matrícula ao posto (o que era feito entre o 1º e o 2º semestre de cada ano, para alunos de cursos de matrícula semestral), no momento de recarregar o cartão. Afinal, não é preciso fazer uma carteira nova a cada ano, como acontecia antes do “TRI”.

Mera ilusão… A burocracia é quase a mesma de quem faz o cartão pela primeira vez. Levar documentos, cópias etc., e aguardar três dias úteis, segundo o DCE da UFRGS.

Ah, e tem taxa (a mesma para fazer ou renovar o cartão), que varia de acordo com a entidade onde se vai fazer a renovação. Ano passado, havia a justificativa de que era preciso confeccionar o cartão, mas agora, para renovar, é apenas burocracia. E ainda é preciso pagar por isso.

E nosso transporte coletivo piora a cada dia, com direito a baratas em ônibus da Carris. Com um sistema dessa qualidade, nós é que deveríamos receber dinheiro a cada vez que entrássemos em um ônibus de Porto Alegre.

Torcidas deram espetáculo

Logo que o Brasil de Pelotas anunciou a contratação do goleiro Danrlei, eu decidi que de jeito nenhum deixaria de ir ao jogo do Grêmio contra o Brasil no Olímpico. A partida era para ter sido realizada em 29 de janeiro, mas devido à tragédia de duas semanas antes, o Xavante só estreou no Gauchão no início de fevereiro, e o jogo com o Grêmio foi remarcado para a noite passada.

Imaginei que o momento máximo do jogo – além dos gols que acontecessem, é claro – seria a entrada de Danrlei em campo. Mas Grêmio x Brasil-Pel teve mais.

Nos últimos jogos, a Geral resolveu fazer um protesto pelo fato da direção do Grêmio não dar mais subsídio às torcidas organizadas. Não levaram as faixas e os instrumentos musicais. Mas um grupo de torcedores discordantes das lideranças da Geral passou a se reunir no lado oposto, atrás da goleira da Carlos Barbosa.

No jogo de ontem, os dissidentes estavam presentes, com suas faixas. Era um grupo muito pequeno, mas que cantava bastante, bem mais animado do que a Geral “oficial”. Resultado: ao longo do jogo, vários torcedores deixaram o espaço da Geral (atrás da goleira da Cascatinha) e se dirigiram ao outro lado, para cantar junto com a “outra Geral”. Detalhe: este grupo – que no segundo tempo tornou-se significativo – ficou em local abaixo da torcida do Brasil, que estava no anel superior. A Brigada Militar reforçou o efetivo, mas não precisou trabalhar. As duas torcidas deram um belo espetáculo.

Venezuela: reeleição ilimitada não é boa idéia

No último domingo, os venezuelanos aprovaram em referendo emenda constitucional que acaba com o limite para reeleições a cargos executivos (presidente, governadores e prefeitos). Logo, Hugo Chávez poderá concorrer mais uma vez à presidência em 2012. Mas a medida também beneficia governadores e prefeitos opositores, que poderão manter seus cargos indefinidamente.

Ao contrário do que pode parecer, a reeleição ilimitada é péssima para o projeto político de Chávez – ainda mais pelo fato de tal projeto ser vinculado a apenas uma pessoa, o próprio Chávez. Nunca estive na Venezuela, mas me baseio no que falou o Eduardo Guimarães, que já esteve lá mais de uma vez.

Hugo Chávez simplesmente não tem quem o substitua na presidência da Venezuela, ainda mais no atual contexto de forte polarização entre elite e povo. Como disse o Eduardo, “O problema, ali, é o seguinte: se não tiver um Chávez vão ter que inventar um, porque o povo está de cabeça quente. Chávez fala grosso porque o povão, aquela imensidão de gente, quer que ele fale grosso.“.

O governo de Hugo Chávez deu assistência mínima à população mais pobre, fazendo com que esta passasse a “não mais ser invisível”. E, principalmente, deixa bem claro que está ao lado dos pobres, ao contrário dos governos anteriores.

Com a reeleição ilimitada, Chávez certamente será candidato em 2012, e depois em 2018, já que mais de uma vez disse que “para consolidar a Revolução Bolivariana” precisaria ficar no governo pelo menos até 2020.

Porém, como ninguém está livre de nada, e se acontecer algum problema que impeça Hugo Chávez de continuar, quem o substituirá? Não há a preocupação de se lançar novas lideranças dentro do próprio partido de Chávez, que possam sucedê-lo sem dificuldades.

E agora que Chávez pode se candidatar à reeleição quantas vezes quiser, provavelmente se pensará ainda menos em alguém que possa dar continuidade a seu projeto a partir do momento em que ele não puder mais ser o presidente.