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Porto Alegre: de referência mundial de democracia a um reduto de bovinos reacionários

O atual prefeito vinha de 4 anos de desastres, de buracos, obras atrasadas, mal feitas, recapeamentos em horas de rush, Onibus sem ar-condicionado, sujos, lixeiras a 2 meses da eleição, o Pronto Socorro virado num lixo, cheio de ratos, mais uma série de coisas, concretas.
Na minha opinião, o bananão não faria nem 30% de votos.
Pois é. Subestimei Porto Alegre.
(do Alma da Geral)

O que o Guga Türck escreveu diz tudo. Porto Alegre está em decadência.

Nossa cidade tornou-se conhecida mundialmente não por puro acaso. Não foi por causa da “cultura gaúcha” – o Uruguai também cultua a figura do gaúcho e Montevidéu é conhecida por ter muito mais do que isso.

Porto Alegre tornou-se referência mundial pelo que o PT fez na administração municipal. O Orçamento Participativo, para citar um exemplo, inspirou experiências semelhantes em vários outros países. Foi por ser um exemplo de democracia, que Porto Alegre sediou quatro das cinco primeiras edições do Fórum Social Mundial.

Os 16 anos do PT na prefeitura não foram suficientes para resolver todos os problemas de Porto Alegre, houve erros. Mas os acertos foram muito maiores, tanto que Fogaça em 2004 prometeu manter as conquistas que a cidade obteve nos governos petistas. “Manter o que está bom, mudar o que é preciso”, era o lema do atual prefeito há quatro anos atrás. Ele venceu por prometer manter o que o PT tinha feito de bom, mas também por boa parte da população ter acreditado no papo de que “era preciso mudar” – seja lá para o quê.

Se Maria do Rosário vier a ser eleita em 26 de outubro, pergunto: o que ela deverá manter do que foi feito por Fogaça? Ônibus sujos e mal-conservados? A limpeza urbana que piorou a olhos vistos? O HPS em um estado lamentável?

Se a atual administração é melhor do que a petista, eu sou o Papai Noel. O problema, é que no mínimo 43% dos eleitores porto-alegrenses do 1º turno parecem acreditar em Papai Noel… Como um amigo meu, com quem conversei pelo MSN na noite de sexta e também ontem.

Há 10 anos, ele era petista fanático. Já fomos juntos a comícios com nossas bandeiras. Já vaiamos o Busatto quando o dançarino nervosinho foi ao nosso colégio participar de um debate sobre filosofia política e chegou atrasado.

Agora, as opiniões dele beiram o fascismo. Para ele, quem recebe Bolsa Família é “vagabundo”, mesmo que esteja há um tempão correndo atrás de emprego. Ele não quer “sustentar vagabundo” e acha que eles “têm mais é que se ferrarem”. De nada adiantou eu lembrar-lhe que ele esteve até um ano atrás na situação dos “vagabundos” que ele “não quer sustentar” – ou seja, desempregado – e que se não ficou “mal na foto”, foi por morar com os pais.

De nada adiantou eu lembrar-lhe o que o PT fez de bom em Porto Alegre e comparar com os 4 anos de Fogaça. Ele acha que “ninguém mais agüenta o PT” (mas pelo menos 22% do eleitorado porto-alegrense discorda do meu amigo) por causa “da roubalheira em Brasília”, esquecendo-se do mar de escândalos que é o (des)governo Yeda aqui no “Estado mais politizado do Brasil”.

Aliás, procurei lembrar o quão ruim é esse sentimento de “anti-isso, anti-aquilo”: em 2006, para tentar tirar Olívio do 2º turno, muitos eleitores do Rigotto resolveram votar na Yeda, e aí foi ela e o Olívio pro 2º turno. E, “anti-PT” raivosos que eram, elegeram a Yeda. Fosse reeleito Rigotto, o Rio Grande do Sul teria um governo menos pior do que o da Yeda. Logo depois ele respondeu “mas tu é anti-PSDB, anti-PMDB, anti-PP”, e então lembrei a ele: sou de esquerda, logo seria incoerência da minha parte votar nestes partidos que representam a direita, ainda mais aqui no Rio Grande do Sul. O PT me decepcionou, fez alianças que não combinavam com seu passado, mas ainda representa um projeto que pode ser considerado de esquerda, em comparação com outros partidos fortes.

Quando eu disse que ele era um direitoso, reagiu. “Tu diz que eu sou direitista só porque não voto no PT”. Aí lembrei que, se ele realmente não fosse direitoso, poderia não votar no PT, mas votar na Luciana Genro ou na Vera Guasso, em quem obviamente ele não votou.

Lembrei também que ser de esquerda é querer que a vida de todos melhore, não apenas a sua própria. Pois o que aconteceu com meu amigo, infelizmente, é que ele se tornou altamente individualista. Passou a acreditar piamente na balela de que “o trabalho dignifica o homem”. Não acho que quem não trabalha seja uma pessoa de menor valor em relação a outra que tenha emprego: há quem trabalha simplesmente para não morrer de fome, assim como há os que trabalham apenas para ter dinheiro, em um emprego que detestam mas “paga bem”. Acho muito mais gratificante trabalhar em algo prazeroso, mesmo que os ganhos financeiros não sejam muitos.

Mas, infelizmente, em Porto Alegre há muita gente que pensa exatamente como o meu amigo. E foi pensando em gente assim que Raul Seixas compôs, há 35 anos atrás, “Ouro de Tolo”.

———-

Eu pretendia publicar na íntegra os diálogos com o meu amigo pelo MSN, apenas retirando as referências ao nome dele, já que não é minha intenção “queimá-lo”, e sim, fazê-lo refletir. Porém, o texto ficaria longo demais, então decidi apenas fazer os comentários acima.

  1. 06/10/2008 às 17:10 | #1

    “…houveram erros…”
    “…Há 10 anos atrás…”

    Putz… tuas estadas no Total tão matando teu português…

    Abraço e DÁ-LHE GRÊMIO!!!

  2. 06/10/2008 às 17:40 | #2

    Guillermo: corrigi os erros, só não entendi as tais “estadas no Total”…

  3. Jorge Nogueira
    08/10/2008 às 00:14 | #3

    Camarada Rodrigo:

    O q vivemos no Brasil é um processo de refluxo das lutas de massas e relativo retrocesso no nível de consciência das pessoas, digo relativo pq ainda há uma rejeição ao modelo neoliberal (privatizações, etc).

    Credito esse fenômeno principalmente à traição do PT e seu ingresso na vala comum dos demais partidos. É histórico: sempre q a esquerda traí ou ñ leva de forma consequente a luta, se fortalece a direita: Alemanha pré-nazismo, França, Espanha pré-Franco, Chile pré-Pinochet, Brasil pré-ditadura, etc.

    Leva tempo para se forjar outra alternativa de esquerda viável. Só na Rússia os bolcheviques conseguiram crescer em um espaço curto de tempo e derrubar o menchevique traidor do Kerensky, mas lá a conjuntura era de radicalização social.

  4. 14/10/2008 às 19:53 | #4

    O meu amigo do qual falei no post, por incrível que pareça, votou no PSOL!
    Mas só para vereador, votou no Pedro Ruas. Para prefeito, FUMAÇA…
    Haja coerência!

  5. Jubão
    28/10/2008 às 12:42 | #5

    Vera Guasso…

    hahahahahahahahahahahahahahahahaahah

    pausas…

    hahahahahahahahahahahahaahaha

    a imbecil foi assaltada e culpou a ” sociedade ” pela ação do marginal…típico pensamento dessa corja que defende bandido. Total respaldo ao Cel. Mendes…essa vagabundagem tem que levar chumbo. Maconheirinho em praça e batedor de carteira tem que ir pra cana. Quem defende vagabundo que leve pra casa.

  6. 28/10/2008 às 14:37 | #6

    “Quem defende vagabundo que leve pra casa.”.
    Considerando que pelo jeito tu tens muito tempo livre para vir aqui escrever bobagem, certamente achas que vou querer te levar pra casa, né?
    Mas não farei isso. Já é brabo agüentar um colorado fanático (o meu irmão). Imagina ter de agüentar um direitoso fanático!

  7. Jubão
    28/10/2008 às 15:11 | #7

    Não,não sou vagabundo. Não saio por aí bancando o ridículo, sendo contra qualquer projeto que desenvolva Porto Alegre. Os fanáticos são vocês..os mesmos imbecis que são contra projetos maravilhosos como o Pontal do Estaleiro. Os mesmos que acham que Porto Alegre é uma roça..uma sucursal de Havana..uma cidade nula e sem turistas. Estamos limpando a bagunça que vocês nos deixaram. Uma cidade-sucata, que não atraía ninguém. Poa hj está de preparando para inovar, para ser um polo de atração, tanto industrial, como turística. Uma cidade que prima pelos bons costumes e pela família, e não aquela Porto Alegre da época do PT, a cidade das drogas, dos camelôs e da vulgaridade. A verdadeira democracia é aquela onde as pessoas podem frequentar o centro da cidade sem serem importunadas por marginais. Uma boa cidade começa por rigor na segurança e por boa aparência, coisas que vocês sempre desprezaram. Sou advogado e digo: Vagabundo são aqueles travestidos de operários que engaram a população comprando votos e promovendo a pobreza e o atraso. Definitivamente eu não sou um deles.

  8. 28/10/2008 às 15:44 | #8

    Se tu não és fanático, porque usas termos tão agressivos como “imbecis” e “gente que banca o ridículo” para se referir a qualquer um que discorda de ti?
    O meu comentário anterior foi para debochar, afinal, bom humor é fundamental. Não vou sair por aí te xingando só porque és de direita.
    “Porto Alegre, cidade sem turistas”? É o que vai ficar mesmo, do jeito que está piorando… Lembro que vinham parentes do interior nos visitar, andavam de ônibus e elogiavam. Hoje, dá até vergonha de pegar um ônibus com eles, é capaz de encontrarmos até baratas.
    “Uma cidade que prima pelos bons costumes e pela família, e não aquela Porto Alegre da época do PT, a cidade das drogas, dos camelôs e da vulgaridade”. Não entendi… Pois a “crackolândia” ainda existe, isso se não aumentou nesses últimos anos. Os camelôs continuam a existir. E a tal de “vulgaridade”, o que é? Prostitutas e travestis nas ruas? Se eu fosse o “imbecil” que dizes que sou, recomendaria que passasses na São Carlos à noite, para veres, literalmente, a “zona” em que se transforma aquela rua. Mas não recomendo, é muito arriscado.

  9. 29/10/2008 às 19:12 | #9

    Que adEvogado de merda esse…

  1. 24/10/2008 às 23:31 | #1
  2. 05/01/2009 às 09:07 | #2
  3. 18/01/2009 às 11:28 | #3