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Voto nulo: vale ou não a pena?

Sábado, 16 de Agosto de 2008 Rodrigo Cardia 5 comentários

Há uns tempos atrás, em comentário ao blog do Hélio Paz, admiti a possibilidade de votar nulo no dia 5 de outubro. Tal comentário foi lembrado pelo Hélio em seu último artigo.

O voto nulo é um voto de protesto, assim como o branco. Significa “não aprovo nenhuma das alternativas oferecidas”. É um protesto contra o próprio processo eleitoral.

Porém, infelizmente, ele não vale nada. Até uns tempos atrás o voto em branco era válido, e o nulo não. Agora, ambos não são levados em conta na definição da eleição. Ao contrário do que muitos pensam, infelizmente, mais de 50% de votos nulos não anulam uma eleição. Se todos os porto-alegrenses anularem o voto, menos um, o voto do único que não anulou é que decidirá a eleição. Estúpido, mas real.

Assim, sinto muita vontade de anular meu voto, mas não anularei. Pelo menos no 1º turno. Pois dependendo de quem for para o 2º turno, votar num ou noutro não fará a mínima diferença, e aí o voto nulo será uma realidade para mim.

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Uma pequena e surreal história. Durante a ditadura militar, quando votos não-nulos eram anulados pelo sistema – parlamentares tinham seus mandatos cassados por qualquer motivo, o que na prática significava a anulação dos votos que ele recebera – o meu pai decidiu se antecipar à ditadura: ao invés de deixá-la anular seu voto, decidiu ele mesmo anular, algo que hoje ele não faz de jeito nenhum.

As eleições eram apenas parlamentares, então era preciso escrever o nome ou o número do candidato na cédula. Como o meu pai havia decidido anular, simplesmente marcou um grande “x” na cédula. Quando foi depositá-la na urna, os fiscais não permitiram, pois ele “não havia demorado tempo suficiente para votar”. Obrigaram ele a voltar à cabina de votação, para “demorar o tempo suficiente”. E novamente disseram que ele “votou rápido demais”…

Mas, no fim, ele conseguiu votar. Nulo.